Resumo da Notícia
Na tarde de 22 de setembro, um vendaval de proporções raras atingiu Porto Feliz, no interior paulista. A microexplosão atmosférica, confirmada pela Defesa Civil, trouxe ventos de quase 100 km/h e transformou a fábrica de motores da Toyota no símbolo da destruição. A unidade, inaugurada em 2016 e considerada estratégica, teve galpões destelhados, estruturas metálicas retorcidas e áreas inteiras alagadas.
O impacto foi imediato: a montadora suspendeu todas as atividades, deixando cerca de 700 trabalhadores em situação de incerteza. Embora não tenham sido registradas vítimas fatais, ao menos 30 pessoas sofreram ferimentos leves e precisaram de atendimento hospitalar. O cenário de devastação incluiu até veículos virados pelo vento nos arredores da planta.
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Poucos dias depois, concessionárias já relatavam estoques esvaziados de Corolla e Corolla Cross, modelos dependentes dos motores produzidos em Porto Feliz. Em cidades como São Paulo, Rio e Brasília, apenas versões específicas do sedã eram encontradas, enquanto o SUV desapareceu das prateleiras. A política de estoques enxutos da Toyota, eficaz em tempos normais, mostrou-se vulnerável diante da tragédia.
Diante do caos, a Toyota anunciou que todas as fábricas brasileiras — Porto Feliz, Indaiatuba e Sorocaba — permaneceriam paradas. Os danos ainda são contabilizados, mas fontes ligadas à empresa já apontam que a produção só deve ser retomada em 2026. Segundo informações do Auto Esporte, até lá, a solução será importar motores de unidades no Japão e na Indonésia, que vão atender à demanda do mercado brasileiro.
O motor 1.5 flex, por exemplo, poderá vir da Indonésia, onde já existe uma versão bicombustível do propulsor produzida em Karawang. Com capacidade de 215 mil unidades ao ano, essa fábrica se tornou peça-chave para atender o mercado brasileiro. Já o motor 2.0 virá do Japão, da planta de Kamigo, que sozinha produziu 1,3 milhão de unidades em 2024.
A adaptação, no entanto, não será simples, como os motores flex têm especificações exclusivas do Brasil, será necessário um processo de conversão. A previsão é que isso ocorra apenas a partir de janeiro de 2026, prolongando a paralisação das linhas nacionais. Consultorias calculam que, se a retomada não ocorrer até o fim de 2025, a Toyota pode deixar de produzir até 30 mil veículos.
Para lidar com a crise, a empresa firmou acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região. A solução aprovada em assembleia por mais de 96% dos trabalhadores foi o layoff, que suspende temporariamente contratos sem demissões. A medida atingirá cerca de 5.700 funcionários das três plantas, preservando salários de até R$ 10 mil com apoio do programa bolsa-qualificação do governo federal.
Enquanto isso, o tão aguardado lançamento do Yaris Cross, que traria o inédito motor 1.5 híbrido flex de Porto Feliz, também foi adiado. A tragédia natural que devastou a fábrica de motores expôs fragilidades da estratégia industrial da Toyota no Brasil, empurrando a marca para uma pausa forçada que poderá se estender até a virada de 2025 para 2026.



