Resumo da Notícia
A disputa entre montadoras ganhou novos contornos na Itália após uma campanha publicitária da chinesa BYD ser retirada do ar por decisão do órgão regulador de propaganda do país. A ação reacendeu um debate sensível no setor automotivo europeu, envolvendo tecnologia de motores, concorrência direta e os limites da publicidade comparativa.
A campanha fazia parte de uma estratégia agressiva da BYD para ampliar sua presença no mercado europeu. Com preços competitivos e foco em carros elétricos e híbridos, a marca resolveu explorar um ponto frágil de rivais tradicionais para atrair consumidores insatisfeitos com modelos a combustão.
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O alvo indireto foram os motores PureTech, desenvolvidos por Peugeot e Citroën e amplamente utilizados pela Stellantis desde 2012. Esses propulsores usam correia de distribuição banhada a óleo, um sistema que acumulou histórico de falhas, recalls e garantias estendidas na Europa, situação semelhante ao enfrentado pela Chevrolet no Brasil.
Batizada de “Operation Purefication”, a campanha prometia bônus de até 10 mil euros para quem trocasse um carro com esse tipo de correia por um modelo da BYD. O discurso misturava ironia e provocação, sugerindo que veículos elétricos e híbridos da marca chinesa seriam uma espécie de “purificação” frente aos problemas mecânicos dos concorrentes.
Um dos slogans afirmava que quem possui correia banhada a óleo vive uma “segunda-feira azul”, expressão europeia associada a tristeza e frustração. Para o órgão regulador italiano, a mensagem ultrapassou o limite aceitável ao induzir o consumidor ao erro e atacar diretamente produtos rivais de forma considerada injusta.
Após reclamação formal da Stellantis, a autoridade de padrões publicitários decidiu bloquear a veiculação da peça. O entendimento foi de que a campanha violava normas contra difamação, publicidade comparativa abusiva e comunicação enganosa, reforçando a proteção ao consumidor e à concorrência leal.
Enquanto a Stellantis comemorou a decisão como uma vitória institucional, a BYD preferiu não comentar o caso. A montadora chinesa, porém, segue em ritmo acelerado na Europa, com crescimento expressivo de vendas na Itália em 2025, mostrando que a guerra comercial entre gigantes do setor está longe de esfriar.

