Resumo da Notícia
A presença dos carros elétricos chineses no Canadá deixou de ser apenas uma tendência distante e passou a ocupar o centro do debate automotivo no país. Em meio a mudanças tarifárias e à busca por modelos mais acessíveis, o consumidor canadense começa a rever antigos preconceitos. O resultado já aparece nas pesquisas e nos números de mercado.
Levantamento recente da Nanos Research mostra que 15% dos canadenses hoje preferem comprar um elétrico chinês em vez de modelos de outras origens. O índice representa alta de seis pontos percentuais em relação a 2024. Ao mesmo tempo, caiu de 33% para 28% o grupo que diz ter menos probabilidade de comprar um carro feito na China.
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A neutralidade também cresceu de forma expressiva. Atualmente, 53% afirmam que a decisão de compra não seria influenciada pelo fato de o veículo ser chinês, contra apenas 25% dois anos atrás. O dado indica uma mudança clara de percepção, impulsionada principalmente por preço e tecnologia.
Grande parte dessa virada está ligada ao anúncio feito em 16 de janeiro pelo primeiro-ministro Mark Carney. O governo reduziu a tarifa de importação de 100% para 6,1% sobre cerca de 49 mil elétricos chineses que entram anualmente no país. A medida abriu espaço para uma queda significativa nos preços.
Um exemplo simbólico é o do crossover Eletre, da Lotus, que pode ter redução de até 50% no Canadá. O modelo, que custava 305 mil dólares canadenses, poderia cair para cerca de 156 mil após o ajuste tributário. A nova política também beneficia marcas como Tesla, Geely (Volvo e Polestar), BYD e Nio, que produzem veículos na China. A China e a UE fecham acordo sobre preços de veículos elétricos exportados, o que pode impactar o mercado global.
Além do impacto fiscal, os elétricos chineses vêm ganhando reputação por oferecer alto nível tecnológico, recarga rápida e bom custo-benefício. Embora ainda enfrentem críticas quanto ao design ou à experiência ao volante, compensam com equipamentos avançados e preços mais competitivos. Mais da metade dos 49 mil importados deve custar menos de 35 mil dólares canadenses.
Com tarifas menores e modelos mais acessíveis, a presença chinesa tende a crescer nas ruas canadenses. O consumidor, cada vez mais pragmático, parece disposto a priorizar tecnologia e preço em vez da bandeira de origem. Se a tendência se confirmar, o mercado automotivo do Canadá pode passar por uma transformação silenciosa, mas profunda, nos próximos anos.

