Resumo da Notícia
A indústria automotiva vive uma transição delicada: enquanto os elétricos avançam, os motores a combustão ainda resistem — agora, mais eficientes e menos poluentes. É nesse cenário que surge o novo sistema híbrido da Horse Powertrain, prometendo mudar a forma como olhamos para a gasolina. A proposta combina eletrificação, alta eficiência e combustível 100% renovável.
Criada em 2024, a Horse nasceu da união das operações de motores da Geely e do Grupo Renault, com participação também da Aramco. A divisão acionária é clara: 45% para cada montadora e 10% para a petroleira saudita. Hoje, a empresa abastece marcas como Renault, Geely, Volvo, Nissan, Mitsubishi e Proton.
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O coração do projeto é o H12 Concept, derivado do conhecido 1.2 tricilíndrico HR12 já utilizado em modelos como Duster, Bigster e Clio na Europa. A base foi profundamente retrabalhada na Espanha, com melhorias na combustão e redução de atritos internos. O resultado é uma eficiência térmica de 44,2%, número que chama atenção no setor.
Nos testes do ciclo WLTP, o consumo ficou abaixo de 3,3 litros a cada 100 km — algo próximo de 30,3 km/l. É cerca de 40% melhor que a média europeia de 2023 e bem superior aos 20 km/l do HR12 atual usado no Clio. Um salto técnico que coloca o conjunto entre os mais eficientes da categoria.
Para chegar a esses números, o motor adotou taxa de compressão elevada de 17:1, novo sistema de recirculação de gases, turbocompressor otimizado e calibração específica para uso híbrido. O conjunto trabalha integrado ao câmbio automático, favorecendo a recuperação de energia. É um pacote pensado para extrair cada gota de combustível.
Mas o diferencial vai além da eficiência: o sistema foi desenvolvido para rodar com gasolina 100% renovável da Repsol, chamada Nexa 95. Produzida a partir de resíduos agrícolas, florestais e até óleo de cozinha usado, ela não deriva do petróleo. Em um carro médio, a redução pode chegar a 1,77 tonelada de CO₂ por ano, considerando 12.500 km rodados.
Dois protótipos já foram construídos e validados, e o primeiro veículo demonstrador deve aparecer no início de 2026. A Horse, que opera 17 fábricas e cinco centros de P&D, vê o projeto como peça importante na transição energética. Em um mercado que aposta em múltiplas soluções, o híbrido eficiente pode ser a ponte entre o presente e o futuro elétrico.

