Resumo da Notícia
O mercado automotivo brasileiro atravessou 2025 em um raro momento de ajuste fino, no qual preço, tecnologia e política industrial passaram a pesar mais do que a simples novidade. Para quem comprou carro no início do ano, a sensação geral foi de perda moderada, mas o comportamento dos valores revelou nuances importantes entre os diferentes tipos de veículos.
Na média, os automóveis se desvalorizaram 3,7% ao longo do ano, segundo o Índice Webmotors. O dado, porém, esconde contrastes relevantes: enquanto os modelos elétricos novos perderam 1,82% de valor, os carros zero quilômetro a combustão conseguiram manter os preços praticamente estáveis.
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Esse desempenho reforça uma regra antiga do mercado. Mesmo em um cenário de transição energética, o carro novo a combustão ainda sofre menos com a perda de valor do que o usado. Em 2025, houve até leve alta média de 0,18% nos 0 km tradicionais, ao passo que os usados da mesma categoria recuaram quase 4%.
A diferença de comportamento entre elétricos e modelos convencionais não é casual. O retorno gradual do Imposto de Importação sobre veículos eletrificados, iniciado em 2024, começou a redesenhar a dinâmica de preços e a influenciar diretamente a decisão do consumidor brasileiro.
Com nova elevação prevista para julho deste ano, quando a alíquota chegará ao teto de 35%, elétricos e híbridos importados tendem a ficar mais caros nas concessionárias. O efeito imediato foi o redirecionamento de parte da demanda para carros a combustão, vistos como opção mais previsível e acessível.
No mercado de usados, os elétricos enfrentam obstáculos adicionais. A infraestrutura de recarga ainda limitada, somada ao receio com a vida útil e a rápida defasagem das baterias, reduz o apetite do comprador e pressiona os preços de revenda para baixo.
Do lado das montadoras, o aumento do imposto funciona como um empurrão forçado rumo à produção local. Empresas como GWM e BYD já iniciaram operações industriais no Brasil para escapar da alíquota cheia, ainda que mesmo kits montados parcialmente sigam pagando taxas relevantes.
Esse alívio, no entanto, tem prazo de validade. A partir de 2027, também CKD e SKD passarão a ser taxados em 35%, o que exigirá maior nacionalização da produção. Até lá, o consumidor segue diante de um mercado em transição, no qual custo, previsibilidade e uso real pesam mais do que o discurso tecnológico.

