Honda explica por que evita motores com correia banhada a óleo

Novo WR-V usa motor 1.5 i-VTEC por estratégia global de durabilidade e normas ambientais.
Honda explica por que evita motores com correia banhada a óleo
Crédito da imagem: Honda

Resumo da Notícia

A volta do Salão do Automóvel de São Paulo, após sete anos de hiato, serviu como palco para um debate relevante sobre o futuro da mecânica nos SUVs compactos. Em meio a lançamentos e reencontros do setor, a Honda aproveitou a ocasião para reforçar sua estratégia técnica — uma aposta declarada em motores aspirados, correntes de comando e transmissões CVT, indo na contramão do mercado que se rendeu aos turbos de três cilindros.

No centro dessa discussão está o novo Honda WR-V, agora um projeto próprio e não mais um derivado do Fit. Construído sobre a plataforma do City, ele se posiciona abaixo do HR-V e chegará à Argentina em 2026. O modelo estreia utilizando o mesmo motor 1.5 i-VTEC que equipa os demais compactos da marca, uma escolha que não é apenas técnica, mas estratégica.

Honda explica por que evita motores com correia banhada a óleo
Crédito da imagem: Autoblog

Durante o evento, o gerente regional da Honda, Renan Barba Dos Santos, destacou que o 1.5 aspirado segue como base global da marca por sua durabilidade e aderência às normas ambientais — atuais e futuras. Segundo ele, o propulsor foi desenvolvido para enfrentar a próxima década sem necessidades estruturais de atualização, algo que muitos rivais turbo, afirma, não conseguirão evitar, em entrevista ao portal argentino autoblog.

A postura da Honda contrasta com o movimento de concorrentes que adotaram motores menores, turbinados e com correias banhadas a óleo. Barba Dos Santos foi direto ao afirmar que a Honda jamais utilizará esse sistema, citando desgaste precoce, contaminação do lubrificante e riscos de danos internos a partir dos 50 a 60 mil km. Para ele, confiabilidade não pode ser sacrificada em nome de sensações de desempenho.

A marca sustenta que soluções como correntes metálicas de comando garantem robustez comprovada — com casos de táxis ultrapassando 500 mil km sem intervenções especiais. A experiência amarga de 2021, quando modelos como Fit, Civic e HR-V deixaram de ser produzidos por não atenderem novas normas brasileiras, reforçou o compromisso da empresa com previsibilidade regulatória.

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Crédito da imagem: Renato Lobo

No campo das transmissões, a Honda também manteve sua identidade. A marca defende a CVT como a caixa mais adequada aos motores menores e ao uso urbano, criticando o atraso das transmissões com conversor de torque e a complexidade das de dupla embreagem. As versões mais recentes simulam até sete marchas no kickdown e antecipam reduções para melhorar o freio-motor, sem perder eficiência.

Curiosamente, o motor 1.5 transcendeu o universo automotivo: uma variação baseada nele passou a ser usada também em aplicações náuticas pela divisão Honda Marine. Segundo o executivo, a leveza, eficiência e confiabilidade do projeto o tornam ideal para um setor onde qualquer falha tem custos muito maiores que os de um carro de rua.

Para os próximos anos, a Honda admite que a evolução natural dessa plataforma será a eletrificação híbrida, especialmente em mercados como Brasil e Argentina, onde a infraestrutura de recarga ainda avança lentamente. Enquanto isso, a empresa seguirá apostando em motores aspirados maiores, longe da moda do downsizing, defendendo que eficiência também se mede pelo tempo — e pelo quanto um carro resiste sem surpresas mecânicas.

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