Resumo da Notícia
A reestruturação da Honda expôs uma virada brusca no plano de eletrificação da marca, com impacto direto em projetos ambiciosos que estavam próximos de chegar ao mercado. Em meio a prejuízos bilionários e mudanças no cenário global, a empresa decidiu frear investimentos e rever prioridades. O movimento atinge desde modelos próprios até parcerias estratégicas.
O efeito mais imediato foi o cancelamento da chamada “0 Series”, que incluía um sedã, um SUV de linhas futuristas e o Acura RSX elétrico. A decisão veio junto de uma revisão mais ampla, que também derrubou três projetos destinados à América do Norte. A Acura, inclusive, ficou sem seu principal lançamento elétrico.
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A crise ganhou contornos ainda maiores com o fim da parceria com a Sony, conduzida pela Sony Honda Mobility. A empresa confirmou o encerramento do desenvolvimento dos modelos da linha Afeela, incluindo o promissor Afeela 1. Mesmo em estágio avançado, o projeto foi considerado inviável após a mudança de estratégia.
Segundo a própria companhia, a nova direção tomada pela Honda impediu o acesso a tecnologias e recursos essenciais para os carros. Sem essa base, o cronograma ficou comprometido e os custos aumentaram, inviabilizando o lançamento. A decisão foi direta: não havia mais um caminho sustentável para colocar os veículos nas ruas.
O Afeela 1, que chegou a ser exibido diversas vezes, inclusive na Consumer Electronics Show, chamava atenção pelo pacote tecnológico. Com cerca de 500 cv combinados, tração integral e bateria de 91 kWh, prometia autonomia próxima dos 480 km. O interior apostava em telas amplas, direção autônoma com mais de 40 sensores e até integração com jogos via streaming.
Apesar do avanço técnico, o contexto global pesou contra. Nos Estados Unidos, regras ambientais mais flexíveis reduziram o apelo dos elétricos, enquanto na China a Honda admitiu ter perdido espaço para concorrentes locais mais rápidos em inovação. A combinação de mercado desaquecido e competição forte dificultou a viabilidade dos projetos.
Diante desse cenário, a montadora optou por reduzir riscos e reorganizar a operação, priorizando híbridos e mercados emergentes. Clientes que haviam feito reservas serão reembolsados, enquanto executivos devem abrir mão de bônus para conter perdas. O recuo marca um dos momentos mais delicados da história recente da empresa e sinaliza um novo rumo para os próximos anos.

