Resumo da Notícia
A indústria automotiva chinesa avança sobre o mercado europeu em ritmo acelerado, e a Great Wall Motor (GWM) decidiu dar um passo além: pretende fabricar carros no próprio continente. A estratégia surge após um período de retração nas vendas locais, ao mesmo tempo em que a montadora registra resultados históricos fora da Ásia. Para a empresa, a produção em solo europeu é vista como ferramenta essencial para ganhar espaço e reduzir custos.
Parker Shi, presidente da GWM International, confirmou que a fabricante busca um local para construir sua primeira fábrica na Europa. A meta é ambiciosa: produzir 300 mil veículos por ano até 2029. Segundo ele, essa expansão será decisiva para recuperar o desempenho da marca na região e ampliar sua presença global.
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Equipes da empresa já analisam opções em países como Espanha e Hungria, entre outros destinos estrategicamente avaliados. Custos trabalhistas, logística de distribuição e cadeias de suprimentos têm peso fundamental nessa escolha. Como os primeiros modelos dependerão de componentes importados, a viabilidade financeira torna-se um desafio imediato.
Shi, que atua na GWM desde 2002, reforça que a empresa só seguirá adiante com um plano sólido e sustentável. Ele lembra que qualquer projeto de fábrica no exterior representa investimento de longo prazo e, por isso, exige máxima cautela. “Todos os planos precisam ser viáveis”, afirmou, em entrevista à Reuters.
Essa é a primeira atualização concreta sobre os planos europeus desde 2023, quando o então presidente da montadora, Mu Feng, revelou intenção de instalar uma unidade na região. Caso seja confirmada, a fábrica produzirá veículos com diferentes tecnologias de motorização, desde motores a combustão até elétricos de bateria. A ideia é atender a um mercado diverso e altamente competitivo.
A necessidade de acelerar a estratégia não é apenas comercial, mas também defensiva. Tarifas mais altas para veículos elétricos e mudanças regulatórias da União Europeia pressionam montadoras chinesas, justamente no segmento em que elas dominam. “Tudo precisa ser acelerado”, resumiu Shi ao comentar o cenário.
O desempenho recente da marca no continente reforça a urgência. Apenas 3.706 veículos da linha Ora foram registrados na Europa no último ano, queda de 41%, segundo a JATO Dynamics, mesmo com recorde global de 453.141 unidades vendidas. A GWM trabalha para alcançar 1 milhão de vendas internacionais anuais até 2030, e a Europa é peça-chave nesse alvo.
Entre os próximos passos comerciais, a empresa aposta no Ora 5, que terá versões com diferentes motorizações destinadas ao consumidor europeu. O lançamento está previsto para meados de 2026, e a pré-venda do modelo totalmente elétrico já começou na China, a partir de 109.800 yuans. O preço para a Europa ainda será definido.
A GWM já mantém fábricas na Rússia, Tailândia e Brasil, mas considera a unidade europeia como um divisor de águas em sua expansão global. A presença produtiva no continente permitiria reduzir encargos logísticos, reagir mais rápido às demandas de mercado e enfrentar concorrentes — tanto tradicionais quanto outros grupos chineses, como a BYD, que também mira novas fábricas na região.


