Resumo da Notícia
O aumento constante do preço do diesel e o descumprimento da tabela mínima de frete voltam a colocar os caminhoneiros em alerta. Nesta quinta-feira (19), entidades da categoria vão decidir se iniciam uma paralisação nacional, em meio a esforços do governo para evitar o bloqueio das estradas e os impactos econômicos que ele poderia causar.
O governo federal tem apostado em medidas de fiscalização e tecnologia para conter abusos. A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) passou a monitorar todos os fretes eletronicamente, cruzando dados das notas fiscais estaduais e do sistema CIOT, que registra transportes, preços e cargas.

Além disso, será divulgada a lista de empresas que descumprem a tabela do frete, podendo sofrer punições rigorosas. Em casos reincidentes, transportadoras e embarcadores podem ter a autorização de frete suspensa ou até cancelada por até dois anos. Segundo Guilherme Sampaio, diretor-geral da ANTT, a fiscalização eletrônica já impede que fretes abaixo do piso legal sejam emitidos.
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O piso mínimo do frete existe para garantir que o caminhoneiro cubra custos e tenha lucro, mas sindicatos afirmam que muitas empresas ignoram a tabela, obrigando motoristas autônomos a arcar com os aumentos do diesel. Somente na primeira semana de março, o combustível subiu mais de 7% em média, chegando a 17% em estados como o Piauí, pressionado por conflitos internacionais que afetaram o preço do petróleo.
O governo também anunciou medidas econômicas para conter a pressão: isenção de PIS e Cofins sobre o diesel, subsídios para segurar preços e propostas para estados zerarem o ICMS na importação do combustível. A Polícia Federal intensifica investigações sobre aumentos abusivos nos postos.
A fiscalização física segue com “trilhas de inteligência” em regiões críticas, como transporte de proteína animal, combustíveis e bebidas, usando dados para identificar descumprimentos. Sampaio reconhece que o quadro reduzido da ANTT é um desafio, mas garante que tecnologia e inteligência têm compensado a falta de pessoal.
A categoria se mantém atenta. Sindicatos de Santa Catarina, da Baixada Santista e a Abrava já confirmaram intenção de aderir. A decisão final sobre a paralisação nacional depende da assembleia geral desta quinta. O governo, por sua vez, aposta que a combinação de medidas legais, fiscalização rigorosa e incentivos econômicos será suficiente para evitar uma repetição do caos de 2018.
