Geely compra parte de fábrica da Ford na Espanha e amplia presença na Europa

A Geely deu mais um passo importante na expansão global ao adquirir parte da fábrica da Ford em Valência, na Espanha, fortalecendo sua presença industrial na Europa.
Geely compra parte de fábrica da Ford na Espanha e amplia presença na Europa
Crédito da imagem: Divulgação

Resumo da Notícia

  • Geely assume linha de montagem da Ford em Almussafes, Espanha.
  • Fábrica será usada para produzir SUVs eletrificados baseados na plataforma GEA.
  • Ford e Geely discutem parceria tecnológica e compartilhamento industrial.
  • SAIC Motor também busca instalar operações industriais na Espanha.
  • No Brasil, Geely acelera importação do EX5 EM-i antes do aumento de impostos.
  • Modelo híbrido plug-in será produzido no Paraná pela parceria Renault-Geely.
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A ofensiva das montadoras chinesas no mercado global ganhou um novo capítulo com a movimentação da Geely na Europa e no Brasil. Enquanto a empresa avança para ocupar parte da estrutura industrial deixada ociosa pela Ford na Espanha, também acelera sua presença no mercado brasileiro com uma operação logística de grande porte. A estratégia mostra como a fabricante chinesa quer reduzir custos, escapar de tarifas de importação e consolidar uma produção local fora da China em um momento de transformação profunda da indústria automotiva mundial.

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Na Europa, a Geely chegou a um acordo para assumir a linha de montagem Body 3 da fábrica da Ford em Almussafes, na região de Valência, na Espanha. A unidade estava sem operação e poderá voltar a ganhar relevância com a chegada da fabricante chinesa, que pretende utilizar a estrutura para produzir veículos eletrificados destinados ao mercado europeu. A informação foi publicada pelo jornal espanhol La Tribuna de Automoción com base em fontes ligadas às negociações.

O projeto envolve a fabricação de um novo utilitário esportivo baseado na plataforma GEA, arquitetura global desenvolvida pela Geely para veículos eletrificados. Internamente identificado pelo código 135, o modelo deverá contar com versões híbrida convencional, híbrida plug-in e totalmente elétrica. A iniciativa reforça a tentativa da empresa de adaptar seus produtos às exigências do mercado europeu sem depender exclusivamente das exportações vindas da China.

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Nos bastidores, existe ainda a possibilidade de a própria Ford utilizar essa mesma plataforma chinesa em futuros projetos. As duas empresas já vinham discutindo desde o início do ano uma parceria mais ampla envolvendo compartilhamento de tecnologia, redução de custos industriais e cooperação em áreas como eletrificação e condução autônoma. A fabricante norte-americana, porém, evitou confirmar oficialmente as negociações e classificou as informações como especulação.

O movimento da Geely acontece em um contexto de retração das montadoras tradicionais no continente europeu. Ford e Nissan, por exemplo, vêm reduzindo linhas de produção ligadas a motores a combustão, abrindo espaço para que marcas chinesas assumam fábricas ociosas e ampliem sua presença industrial fora da Ásia. A estratégia permite aproveitar estruturas já prontas, mão de obra qualificada e redes logísticas consolidadas.

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Caso o acordo avance para uma parceria industrial mais ampla, a expectativa é de que a fábrica espanhola volte aos níveis registrados antes da pandemia, quando produzia mais de 300 mil veículos por ano. A retomada também ajudaria a preservar empregos e fortalecer a cadeia automotiva da região de Valência, que sofreu forte desaceleração nos últimos anos com a queda da demanda por veículos a combustão.

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A movimentação da Geely não é isolada. Outra gigante chinesa, a SAIC Motor, também avalia instalar uma operação industrial na Espanha, desta vez na cidade portuária de Ferrol, na Galícia. O governo regional intensificou contatos com empresas chinesas nos últimos meses para atrair investimentos e transformar a região em um novo polo automotivo europeu voltado para veículos eletrificados.

Essa mudança mostra uma nova fase da expansão chinesa no setor automotivo. Antes concentradas na exportação de veículos prontos, as fabricantes agora buscam criar cadeias produtivas completas em mercados estratégicos. A ideia é reduzir os impactos das tarifas de importação impostas por governos europeus e ganhar competitividade diante das regras cada vez mais rígidas sobre origem e produção local.

No Brasil, a Geely também acelerou seus planos de expansão de forma silenciosa, mas chamou atenção após o Porto de Paranaguá divulgar o desembarque recorde de 5.101 veículos de uma só vez. Pelas imagens divulgadas nas redes sociais, os modelos eram do EX5 EM-i, versão híbrida plug-in do utilitário esportivo médio da marca chinesa que deverá iniciar produção nacional nos próximos meses.

A chegada em massa dos veículos ocorre em um momento estratégico. O governo federal decidiu antecipar o cronograma de aumento do imposto de importação para carros eletrificados. Desde julho de 2025, elétricos pagam 25% de imposto, híbridos plug-in 28% e híbridos convencionais 30%. Porém, a partir de julho de 2026, todas as categorias passarão a pagar alíquota única de 35%.

Com isso, a Geely tenta antecipar estoques antes do aumento tributário entrar em vigor. A operação dá à empresa margem para manter preços mais competitivos enquanto a produção nacional ainda não começa oficialmente. A tendência é que outras montadoras chinesas repitam movimentos parecidos nas próximas semanas para evitar impactos imediatos nos custos e preservar participação no mercado brasileiro.

O EX5 EM-i será produzido no Paraná por meio da parceria Renault-Geely do Brasil, utilizando a estrutura industrial de São José dos Pinhais. O SUV utiliza a mesma plataforma GEA planejada para os modelos europeus e combina um motor 1.5 aspirado a gasolina com um conjunto elétrico, entregando potência combinada de 262 cavalos e torque de 38,7 kgfm. O modelo acelera de 0 a 100 km/h em 7,8 segundos.

Além do desempenho, o SUV aposta em autonomia elevada para disputar espaço entre os principais utilitários esportivos médios do mercado brasileiro. Dependendo da versão, o EX5 EM-i pode alcançar até 1.300 quilômetros de autonomia combinada. As versões mais acessíveis usam bateria de 18,4 kWh, enquanto a configuração topo de linha recebe conjunto de 29,8 kWh, permitindo rodar até 112 quilômetros apenas no modo elétrico.

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