Resumo da Notícia
Nos últimos meses, a França tem apertado a fiscalização sobre pagamentos atrasados entre empresas, um problema que afeta principalmente pequenos fornecedores. Dentro desse cenário, a Nissan Europa entrou no radar das autoridades, que agora querem entender se a montadora japonesa vem cumprindo as regras locais.
Em agosto, o Ministério da Economia enviou uma carta à Nissan Automotive Europe informando sobre a abertura de uma revisão. O foco é verificar se os fornecedores receberam em dia ao longo de 2024, dentro do prazo máximo de 60 dias após a emissão da fatura.
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A correspondência, analisada pela Reuters, pede que a empresa apresente relatórios financeiros e comprovantes de pagamento referentes a todo o ano de 2024. Além disso, foi marcada uma inspeção na sede regional da Nissan em Montigny-le-Bretonneux, perto de Paris, para o dia 7 de outubro.
Apesar do rigor, a carta não acusa a Nissan de irregularidades. No entanto, caso sejam encontradas falhas, a empresa poderá sofrer sanções administrativas, incluindo multas de até € 2 milhões (US$ 2,36 milhões). A montadora já afirmou que está colaborando plenamente com as autoridades.
Essa investigação acontece em meio a um esforço maior do governo francês para reduzir práticas que colocam em risco pequenas e médias empresas. Só no primeiro semestre de 2025, 409 companhias foram fiscalizadas, e 40% delas apresentaram irregularidades, resultando em € 47 milhões em multas.
O tema não é novo para a Nissan. No Japão, no ano passado, reguladores descobriram que a empresa pagou a fornecedores cerca de US$ 20 milhões a menos ao longo de dois anos. Embora os valores tenham sido regularizados antes da investigação, a recomendação foi de melhorar o controle interno.
A preocupação é compreensível: segundo a Comissão Europeia, um quarto das falências na União Europeia está ligado a atrasos em pagamentos. Estudo da seguradora Atradius mostra que 52% das faturas entre empresas na França estão vencidas, acima da média da Europa Ocidental, que é de 47%.
Enquanto isso, a Nissan tenta avançar em um plano global de recuperação. A empresa acumula prejuízo de US$ 535 milhões no primeiro trimestre e anunciou cortes de até 15% da força de trabalho, além de fechamento ou fusão de fábricas. A meta é voltar a crescer e gerar caixa positivo até 2026.
O caso francês surge como mais um obstáculo no caminho dessa reestruturação. Se por um lado a Nissan busca se reerguer financeiramente, por outro precisa provar que respeita seus compromissos com fornecedores. A investigação poderá definir o tom da relação da montadora com o mercado europeu nos próximos anos.

