Resumo da Notícia
A Ferrari decidiu entrar na era elétrica sem pedir licença — e sem pedir desculpas à própria história. O Luce, primeiro modelo 100% elétrico da marca, surge como um manifesto: tecnologia de ponta, sim, mas guiada pela emoção, pelo tato e pela experiência humana que sempre definiram Maranello.
Antes mesmo da carroceria aparecer, a Ferrari escolheu revelar aquilo que considera o coração do projeto: o interior. Desenvolvido em parceria com a LoveFrom, estúdio criativo fundado por Jony Ive e Marc Newson, o habitáculo deixa claro que este não é um carro pensado como um gadget sobre rodas, mas como uma máquina feita para dirigir.
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A mudança começa pelo nome. O antigo “Elettrica” ficou para trás, substituído por Luce — “luz”, em italiano. A escolha reflete a nova filosofia da marca: eletrificação como meio para performance e identidade, não apenas como resposta a tendências ou exigências ambientais.
O desenho da cabine mistura passado e futuro com rara precisão. Há um painel digital sofisticado, mas inspirado nos instrumentos clássicos da Ferrari, com três mostradores circulares que remetem aos antigos Veglia e Jaeger. A tecnologia está ali, mas nunca grita mais alto que o design.
Na contramão da indústria, o Luce resgata botões, alavancas e interruptores físicos. Cada comando foi testado dezenas de vezes para entregar resposta mecânica precisa, som agradável e sensação tátil consistente — uma correção clara aos excessos de superfícies sensíveis ao toque vistos em modelos recentes da marca.
O volante é o grande símbolo dessa abordagem. Leve, feito de alumínio reciclado usinado, com três raios finos e visual inspirado nos carros de corrida dos anos 60, ele concentra funções essenciais sem obrigar o motorista a caçar comandos em telas. Tudo está onde a mão espera encontrar.
Sob a estética refinada, há um conjunto técnico de respeito: quatro motores elétricos, mais de 1.000 cv, tração integral com vetorização independente e aceleração de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos. A bateria estrutural de 122 kWh garante até 530 km de autonomia e recarga ultrarrápida.
Ao revelar o Luce em etapas — técnica, interior e, em maio, o design externo — a Ferrari constrói expectativa e deixa clara sua ambição. Não se trata apenas de lançar um elétrico, mas de provar que a alma da marca pode sobreviver, e até brilhar, mesmo sem gasolina correndo nas veias.




