Resumo da Notícia
A falta de diesel já começa a redesenhar a rotina de cidades no Rio Grande do Sul, atingindo desde serviços básicos até a dinâmica do agronegócio. Em meio à alta demanda e à pressão internacional sobre os preços do petróleo, o problema ganhou escala e acendeu um alerta para o risco de desabastecimento mais amplo no país.
Levantamento da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) mostra que ao menos 142 prefeituras enfrentam dificuldades no abastecimento. O número representa quase 30% dos 497 municípios gaúchos, com impacto direto no funcionamento de serviços essenciais.
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O dado, porém, pode ser ainda mais preocupante. Das 315 prefeituras que responderam à pesquisa, quase metade relatou problemas, indicando que a crise pode estar mais disseminada do que o retrato inicial sugere. Uma nova atualização do levantamento deve trazer números mais precisos.
Diante da escassez, prefeitos passaram a racionar o combustível disponível. A prioridade tem sido manter áreas sensíveis, como saúde e educação, enquanto obras públicas e atividades que dependem de máquinas começam a ser suspensas gradualmente.
O risco imediato, segundo a própria entidade, é o comprometimento do transporte escolar e do deslocamento de pacientes entre cidades. A presidente da Famurs, Adriane Perin de Oliveira, alerta que, sem medidas urgentes, a situação tende a se agravar nos próximos dias.
No campo, a pressão aumenta. O estado vive o pico da colheita de arroz — cultura na qual é líder nacional — além do avanço das lavouras de soja e milho, o que eleva a demanda por diesel. Produtores tentam se antecipar, formando estoques para garantir o escoamento da produção.
Especialistas apontam que os primeiros sinais da crise surgiram justamente no interior gaúcho, onde o consumo é mais intenso. Pequenos e médios produtores, além de postos independentes, são os mais afetados, já que dependem do mercado à vista e não têm contratos de fornecimento contínuo.
No cenário nacional, o governo federal anunciou medidas para conter o problema, como crédito extraordinário para o setor, redução de tributos e propostas de isenção de ICMS sobre o diesel importado. Ainda assim, agentes do mercado avaliam que as ações precisam de implementação imediata e podem não ser suficientes diante da dimensão da crise.

