A estratégia da Tesla para sustentar as vendas da Cybertruck tem levantado dúvidas no mercado, especialmente pelo peso das compras internas feitas por empresas ligadas a Elon Musk. Em meio a expectativas frustradas e concorrência crescente, a picape elétrica virou símbolo de um projeto ambicioso que ainda não encontrou respaldo no consumidor comum.
Dados da S&P Global Mobility, divulgados inicialmente pela Bloomberg, mostram que a SpaceX comprou 1.279 unidades da Cybertruck apenas no último trimestre de 2025. Com isso, a companhia se tornou a maior cliente do modelo, respondendo por quase uma em cada cinco unidades emplacadas no período nos Estados Unidos.
No total, foram 7.071 registros da picape elétrica naquele trimestre. Sem essas compras internas, o crescimento das vendas seria bem mais modesto: cerca de 7%, contra os 31% divulgados oficialmente. Em um cenário mais crítico, os números indicam que poderia haver até queda de 51% sem esse reforço “dentro de casa”.
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O movimento não se limita à SpaceX. Outras empresas do ecossistema de Musk, como Neuralink, The Boring Company e xAI, também participaram das compras, elevando o valor total para mais de 100 milhões de dólares. A prática, embora comum em menor escala no setor, chama atenção pelo volume e pela interdependência entre as companhias.
Apesar desse suporte, o desempenho da Cybertruck segue abaixo do esperado. Em 2025, a Tesla vendeu pouco mais de 20 mil unidades, número distante das metas iniciais. Antes do lançamento, Musk falava em atingir 250 mil unidades anuais até 2025 — uma projeção que, na prática, não se concretizou.
O próprio histórico do modelo ajuda a explicar a frustração. Anunciada em 2019 com preço inicial de US$ 39.900, a picape chegou ao mercado anos depois custando mais de US$ 80 mil nas versões mais acessíveis. O design futurista, que chamou atenção no início, também se mostrou divisivo entre consumidores.
Enquanto isso, o cenário para a Tesla ficou mais desafiador. A empresa perdeu a liderança global em veículos elétricos para a chinesa BYD e acumula quedas nas vendas nos últimos anos. A concorrência asiática avança com novas tecnologias, incluindo baterias de carregamento ultrarrápido, pressionando ainda mais a marca americana.
