Resumo da Notícia
A cena parece saída de um roteiro improvável: no meio do deserto mais árido do planeta, um carro moderno dependeu do sol para continuar vivo. O episódio expõe, ao mesmo tempo, o potencial e os limites dos veículos elétricos em regiões remotas. E mostra que, longe dos grandes centros, a tecnologia ainda precisa conviver com a improvisação.
A história envolve o criador de conteúdo Sandro van Kuijck, que há anos percorre as Américas a bordo de um Tesla Model X adaptado para expedições. O veículo, apelidado de “Beluga”, foi preparado para longas jornadas, com cozinha, espaço para dormir e até painéis solares no capô. O Chile marcou mais uma etapa dessa travessia solitária.
O problema começou no norte chileno, após uma recarga quase completa em um posto rápido. Ao seguir viagem, o motorista subestimou o impacto da altitude elevada e dos ventos fortes no consumo de energia. O resultado apareceu rápido no painel: autonomia em queda e distância insuficiente até o próximo carregador.
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Quando percebeu que não chegaria ao destino, ele encostou na Rodovia Pan-Americana. Restavam cerca de 37 km de alcance, contra 42 km até o ponto de recarga mais próximo. Foi nesse momento que entrou em cena o plano de emergência: instalar os painéis solares e tentar ganhar tempo.
A solução funcionou, mas dentro de limites bem claros. Com cerca de 180 a 200 watts de entrada, o carro recuperava apenas de 1 a 2 km de autonomia por hora. Na prática, era pouco para seguir viagem, mas suficiente para evitar que o sistema desligasse completamente.
Enquanto isso, a situação se complicava. A bateria auxiliar também se esgotou, e as tentativas de conseguir um reboque falharam inicialmente. Sem apoio imediato e com recursos limitados, o motorista ficou dependente de qualquer ajuda que aparecesse no caminho.
Foi então que trabalhadores de uma obra próxima ofereceram auxílio. Eles permitiram que o carro fosse ligado a um gerador industrial, fornecendo uma carga mínima, mas essencial. A energia era baixa, cerca de 6 amperes, porém suficiente para manter o veículo operacional.
Mais tarde, conhecidos da estrada conseguiram um guincho para levá-lo até a cidade de Calama. Já no carregador rápido, o carro voltou a ganhar energia em ritmo mais consistente. Em poucas horas, estava pronto para seguir viagem novamente, encerrando o episódio.
O caso resume um desafio maior na América do Sul. A rede de recarga cresce, mas ainda está concentrada em áreas urbanas, deixando vazios em trechos longos e isolados. No fim, a experiência mostra que o carro elétrico pode até “beber do sol” em emergências — mas ainda depende, e muito, de infraestrutura para ir longe.
