Resumo da Notícia
A entrada da BYD no mercado de vendas diretas marca uma virada estratégica importante no Brasil. Com a montagem local iniciada em Camaçari (BA), a fabricante passa a atuar com mais força em segmentos que se beneficiam de incentivos fiscais, como empresas, produtores rurais, taxistas e PcD. O foco agora é unir preço competitivo e escala industrial para acelerar sua presença no país.
A nova planta opera nos sistemas CKD e SKD, recebendo veículos desmontados da China e montando-os em território baiano. Inicialmente, a capacidade será de 150 mil carros por ano, podendo dobrar em uma segunda etapa. Segundo Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da empresa, a unidade poderá montar até oito modelos diferentes em 12 meses, incluindo alguns que ainda nem foram apresentados ao público brasileiro.
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Três veículos inauguram essa nova fase: o elétrico Dolphin Mini GL, o sedã King GL e o SUV Song Pro GL. O compacto foi o único a ganhar uma versão específica para vendas diretas, com bateria menor de 30 kWh — autonomia de 250 km —, enquanto King e Song Pro mantêm o conjunto híbrido plug-in já oferecido no varejo tradicional. Todos passam a contar com preços reduzidos via isenção de IPI e ICMS.
Os valores mostram a estratégia agressiva da empresa neste momento de expansão. O Dolphin Mini, que custa R$ 118.990 no varejo, sai por R$ 107.091 para CNPJ e produtores rurais, R$ 99.990 para PcD e R$ 98.590 para taxistas. O King cai de R$ 169.990 para R$ 144.492, R$ 132.090 e R$ 124.990, respectivamente. Já o Song Pro parte de R$ 189.990 e passa a custar R$ 161.492 (CNPJ), R$ 147.990 (PcD) e R$ 132.990 (taxistas).
Por trás dos números, há um movimento claro para reduzir estoques e diversificar a clientela nacional. Até agora, 90% das vendas da BYD eram para pessoas físicas. Ao ingressar no canal de vendas diretas, a empresa mira um público que, segundo dados da Fenabrave, já representa mais de 50% dos emplacamentos de carros leves no país — um filão essencial para sustentar o crescimento local.
A estratégia segue modelos adotados por outras fabricantes, como a Stellantis, e foi estruturada por Fabio Lage, novo diretor comercial da BYD. Com experiência em redes da Fiat e Toyota, ele reforça que o preço será o principal atrativo. Pesquisas do portal OLX mostram que 46% dos consumidores afirmam que a isenção de IPI influencia diretamente a decisão de compra.
Além dos preços, a linha GL mantém um pacote de equipamentos robusto e atrativo. O Dolphin Mini traz central multimídia giratória de 12,8”, seis airbags, câmera 360°, carregador por indução e painel digital. O King combina motor 1.5 aspirado a um elétrico de 179 cv (209 cv no total), enquanto o Song Pro chega a 223 cv com bateria de 12,9 kWh e porta-malas de 520 litros — ambos acelerando de 0 a 100 km/h em menos de 8,5 segundos.
Os planos da BYD não param por aí, ampliando a integração produtiva no território brasileiro. A fabricante confirmou que produzirá motores híbridos flex, com previsão de lançamento em 2026, ampliando a integração local. A expectativa é de que essa estratégia — preços reduzidos, incentivo fiscal e produção nacional — consolide a marca como uma das principais forças no mercado automotivo brasileiro nos próximos anos.


