Resumo da Notícia
O retorno do motor V8 Hemi ao Dodge Charger marca uma virada importante para a marca americana. Depois de uma recepção morna ao modelo 100% elétrico, a Dodge entendeu o recado dos fãs: o público não queria silêncio e eficiência, mas sim o ronco visceral e o comportamento bruto que sempre definiram o muscle car. A aposta no elétrico, ainda sob a gestão de Carlos Tavares, custou caro em imagem e vendas, mas uma nova direção dentro da Stellantis tenta corrigir o rumo.
O fracasso comercial do Charger EV foi evidente. A tentativa de reinventar um ícone barulhento em um cupê silencioso afastou a base mais fiel. Mesmo com versões de seis cilindros biturbo, o modelo perdeu identidade. Foi aí que a Dodge decidiu resgatar o lendário Hemi ainda que de forma limitada e simbólica com o lançamento do Charger Hustle Stuff Drag Pack 2025, um monstro feito apenas para as pistas.
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Produzido em apenas 50 unidades, o Drag Pack custa US$ 234.995 (cerca de R$ 1,27 milhão) e é homologado pela NHRA, associação que regula as provas de arrancada nos Estados Unidos. O carro traz o Hemi 5.8 V8 supercharged, baseado no bloco GEN III, com pistões forjados, virabrequim reforçado e câmbio automático Coan Racing de três marchas. A meta: superar os 400 metros em menos de oito segundos.
O projeto é puro desempenho, sem concessões, onde o modelo recebeu carroceria de fibra de carbono, gaiola de proteção, volante e bancos de competição, cintos homologados e até paraquedas para frenagens. É também 45 kg mais leve que o antigo Challenger Drag Pak, e pode receber pacotes opcionais como o Lightweight Engine Components e o Data Package.
Mesmo restrito às pistas, o Hustle Stuff sinaliza algo maior: o retorno do V8 às ruas. Dentro da Stellantis, engenheiros liderados por Daryl Smith, ex-SRT, trabalham para adaptar o Hemi 5.7 à plataforma STLA Large. Essa reengenharia abre caminho para que o motor volte a equipar versões R/T e possivelmente uma futura SRT Hellcat.
O visual também deverá seguir a linha dos modelos atuais Sixpack, com grade tradicional, capô redesenhado e duas saídas de escape circulares. A dianteira agressiva e o difusor traseiro reforçam o espírito SRT. Mesmo com o Challenger extinto, o Charger mantém a identidade clássica agora oferecido em carrocerias cupê e sedã.
Embora a Dodge não tenha revelado dados oficiais de potência, espera-se algo próximo de 400 cv e 56 kgfm, abaixo dos 426 cv do Sixpack R/T biturbo, mas com a aura do V8 original. A ideia é oferecer o Hemi em versões mais caras, sem tirar o foco das opções elétricas e híbridas que seguirão em linha.
Nada foi confirmado oficialmente, mas os sinais são claros: o Charger V8 voltará. O lançamento do Drag Pak é o prenúncio de uma nova fase, que resgata o passado sem abandonar o futuro. A Dodge, enfim, parece ter entendido que tradição e inovação podem conviver desde que o ronco do Hemi nunca se cale.



