Resumo da Notícia
Os veículos elétricos já se tornaram uma realidade nas ruas brasileiras e, junto com eles, surge uma revolução silenciosa que vai muito além do motor. Enquanto a maioria se preocupa com baterias, recarga e autonomia, um componente essencial vem se reinventando nos bastidores: os pneus, agora projetados para atender às exigências únicas dessa nova era da mobilidade. Como descobrir se o carro usado já foi batido.
O que pouca gente imagina é que o pneu de um carro elétrico trabalha sob condições muito mais severas. Os veículos a bateria são mais pesados por causa do conjunto de células de energia e têm torque instantâneo, capaz de aplicar força total nas rodas em milésimos de segundo. Essa combinação exige borrachas mais resistentes, com estrutura reforçada e baixa resistência ao rolamento.
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“Os carros elétricos pedem pneus com maior capacidade de carga e menor resistência ao rolamento, fatores que influenciam diretamente na autonomia e segurança”, explica Fabio Magliano, gerente da Pirelli América Latina. Segundo ele, é esse equilíbrio que garante conforto e desempenho sem comprometer a durabilidade.
De acordo com Renato Siqueira, da Continental Pneus, os compostos também precisaram evoluir. “Os pneus elétricos sofrem mais desgaste por conta do torque imediato e do peso extra. Ainda assim, precisam garantir aderência, silêncio e eficiência energética”, destaca o engenheiro. O desafio, diz ele, é manter o mesmo nível de segurança dos modelos a combustão.
Fabricantes como Michelin, Pirelli e SpeedMax já se movimentam para atender esse mercado em crescimento. A SpeedMax, por exemplo, lançou o Energrip, pneu desenvolvido no Brasil e compatível com o BYD Dolphin Mini. É o primeiro modelo nacional com tecnologia voltada a carros elétricos, oferecendo baixa emissão de ruído e estrutura reforçada para o peso das baterias.
O ruído interno também virou prioridade. Sem o som do motor a combustão, os pneus precisam rodar de forma quase imperceptível. “O pneu é o único ponto de contato entre o carro e o solo. Ele sofre todas as forças de aceleração, frenagem e curvas, por isso a segurança segue sendo o foco central”, comenta Emílio Paganoni, gerente do BMW Group Brasil.
Testes realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia (IMT) com o BMW X1 elétrico e a combustão mostraram o impacto desses ajustes. Mesmo mais pesado, o modelo elétrico acelerou mais rápido e rodou de forma mais silenciosa, graças a pneus desenvolvidos para lidar com o torque instantâneo e a eficiência energética de 85%.
Essa busca por eficiência não é recente, pois a Michelin lembra que já na década de 1990 começou a substituir parte do negro de carbono por sílica, reduzindo o peso dos pneus em até 30%. Hoje, os modelos mais modernos têm resistência ao rolamento menor, o que significa autonomia maior e menor consumo de energia.
A transição elétrica mostra que até o pneu, elemento básico do carro, faz parte da revolução tecnológica. À medida que a frota elétrica cresce, novos compostos, estruturas e métodos de produção sustentáveis vão se consolidar. Afinal, no fim das contas, a eficiência da mobilidade começa no ponto onde a borracha encontra o asfalto.



