Resumo da Notícia
O exame prático para obtenção da CNH passa por mudanças significativas em vários estados, com o fim da baliza e a permissão de uso de carros automáticos. A ideia é focar mais na condução em situações reais de trânsito e digitalizar etapas do processo, mas a implementação ainda é desigual no país.
Nove estados, como São Paulo, Amazonas, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul, já adotaram o novo formato. Outros aguardam a publicação do Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular, que deve padronizar regras e procedimentos.
Não perca nada!
Faça parte da nossa comunidade:
O fim da baliza facilita a aprovação de candidatos, mas especialistas alertam para riscos na formação. Segundo Luiz Vicente Figueira de Mello, da Unicamp, a manobra é essencial para compreender dimensões do veículo e espaço ao redor, habilidade básica para todo motorista.
A flexibilização também inclui redução da carga horária de aulas práticas, avaliação por infrações, provas em veículos automáticos e uso de banco nacional de questões teóricas. A CNH digital passa a ter prioridade, com acompanhamento pelo aplicativo oficial.
Especialistas destacam que a medida pode enfraquecer a preparação emocional e comportamental dos candidatos. Juliana de Barros Guimarães, psicóloga de trânsito, ressalta que a prova deve testar a capacidade de lidar com pressão e decisões rápidas, fundamentais no tráfego urbano.
Apesar da facilidade, a retirada da baliza pode afetar o trânsito, principalmente em cidades grandes. Mello lembra que dificuldades em estacionar impactam o fluxo de veículos, aumentando congestionamentos e potencializando riscos em áreas densamente ocupadas.
A sociedade se divide: motoristas comemoram a modernização e o uso de carros automáticos, enquanto especialistas alertam para maior insegurança viária. Paulo Guimarães, do Observatório Nacional de Segurança Viária, lembra que a autonomia precisa vir acompanhada de responsabilidade.
O impacto real só poderá ser medido ao longo do tempo, com análises de acidentes, perfil dos condutores e tempo de habilitação. Mello conclui que a mudança exige acompanhamento contínuo: “Não será no próximo mês, mas em seis meses, um ano ou mais que veremos os efeitos”.

