Resumo da Notícia
O Citroën Basalt foi colocado à prova pelo Latin NCAP, e o resultado acendeu um sinal de alerta no setor automotivo. O SUV cupê produzido no Brasil recebeu nota zero nos testes de colisão divulgados nesta terça-feira (14), expondo fragilidades estruturais e falhas de proteção aos ocupantes. A classificação é a mais baixa possível no protocolo, que vai até cinco estrelas.
A entidade avaliou o Basalt equipado com quatro airbags e controle eletrônico de estabilidade, configuração padrão para o mercado brasileiro. O desempenho foi considerado fraco: 39,37% na proteção para adultos, 58,35% para crianças, 53,38% para pedestres e 34,88% em assistência à segurança. Esses números refletem deficiências em áreas críticas, como impacto frontal e lateral.
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No impacto frontal, a estrutura do habitáculo foi classificada como instável e incapaz de suportar cargas maiores. Embora a proteção para cabeça e pescoço tenha sido boa, a região do peito apresentou proteção marginal para o motorista e insuficiente para o passageiro, devido ao mau desempenho do pré-tensionador do cinto. A proteção dos joelhos também foi considerada apenas razoável.
O impacto lateral mostrou um quadro misto. A proteção para cabeça, pelve, peito e abdômen foi boa, mas a ausência de airbags de cortina impediu a realização do teste de impacto lateral de poste — o que automaticamente resultou em zero ponto nessa categoria. O SUV tampouco oferece sistemas de segurança avançados, como frenagem autônoma de emergência ou alerta de ponto cego.
Nos testes com crianças, os resultados também foram irregulares. A cadeirinha para um bebê de um ano e meio teve desempenho quase perfeito, mas a cabeça do dummy de três anos entrou em contato com o interior do veículo no impacto lateral. Além disso, o carro não possui interruptor para desligar o airbag do passageiro, e os alertas de cinto de segurança não cumprem os padrões exigidos pelo órgão.
A disparidade de equipamentos entre mercados foi duramente criticada pelo Latin NCAP. Enquanto no Brasil o Basalt tem quatro airbags de série, na Índia o mesmo modelo sai de fábrica com seis. “A Stellantis se expõe como um fabricante que não prioriza a segurança de seus clientes”, afirmou Alejandro Furas, secretário-geral da entidade. Segundo ele, “a vida dos consumidores latino-americanos não parece ter o mesmo valor que a dos clientes indianos”.
O contraste ficou ainda mais evidente com o desempenho do Hyundai Tucson, avaliado na mesma rodada. O SUV coreano obteve cinco estrelas: 84% para adultos, 92% para crianças, 75% para pedestres e 96% em assistência à segurança. Com seis airbags e tecnologias ADAS de série, tornou-se o primeiro modelo da marca a atingir a nota máxima no atual protocolo da entidade.
Além do desempenho ruim nos testes, o Basalt continua no mercado sem mudanças estruturais para a linha 2026. As versões mantêm quatro airbags, preços entre R$ 93.990 e R$ 114.990 e motores 1.0 aspirado ou turbo. Ou seja, ganhou melhorias de acabamento e ergonomia, mas não em segurança — ponto que hoje pesa cada vez mais na decisão de compra.
Com essa avaliação, todos os modelos nacionais da Citroën — C3, Aircross e Basalt — somam nota zero no Latin NCAP. A diferença para concorrentes como a Hyundai revela estratégias opostas: enquanto uma investe pesado em segurança ativa e passiva, a outra mantém padrões defasados para a região.
Em nota enviada ao Fipe Carros nesta terça-feira, 14 de outubro, a assessoria da Stellantis confirmou:
“A Stellantis reforça seu compromisso com a Segurança Veicular e que todos os modelos comercializados atendem as regulamentações nacionais e internacionais vigentes nos países da América Latina e Europa. Todos os veículos Stellantis comercializados na América do Sul passam por rigorosos protocolos de avaliação realizados no Safety Center, localizado em Betim/MG, o mais moderno centro de testes de colisão do hemisfério sul, que garantem as certificações legais e técnicas necessárias para todos os projetos desenvolvidos pelas marcas da companhia.
Vale ressaltar que a segurança de um veículo é um conjunto concebido desde o início do seu desenvolvimento e vai muito além da oferta individual de itens de segurança ativa e passiva. Além disso, a variante da plataforma CMP permite que toda a gama Citroën tenha uma carroceria com ampla proteção ao habitáculo. Dos requisitos exigidos pela regulamentação brasileira e também pelas regulamentações globais, para citar os mais relevantes, o Citroën Basalt conta com estrutura robusta, carroceria com aço de alta e ultra resistência, arquitetura com máxima proteção contra choques, testes de colisão aptos e segurança passiva sólida. Informamos, ainda, que a empresa não financia nem patrocina as avaliações realizadas pela entidade.”
Matéria atualizada às 12h40 com nota enviada pela Stellantis.


