Resumo da Notícia
A engrenagem que transformou a China no maior mercado automotivo do planeta começou a ranger. Depois de anos embalado por descontos agressivos e metas ambiciosas, o setor entrou numa espiral de preços tão baixos que passou a ameaçar a própria sobrevivência das montadoras. Diante do risco sistêmico, Pequim decidiu intervir.
No dia 12 de fevereiro, a Administração Estatal de Regulação de Mercado publicou as novas “Diretrizes para o Cumprimento das Normas de Preços na Indústria Automobilística”. A regra proíbe a venda de veículos abaixo do custo real de produção e endurece o combate ao chamado dumping. A intenção é restaurar a concorrência leal e dar previsibilidade ao setor.
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A medida é resposta direta à guerra de preços iniciada no pós-pandemia, quando montadoras reduziram valores para sustentar participação de mercado. O movimento ajudou a manter a China na liderança global em vendas de carros por 17 anos seguidos, com 34,4 milhões de carros licenciados em 2025. Mas o excesso de descontos corroeu margens e pressionou toda a cadeia.
Dados da Associação Chinesa de Concessionárias indicam perdas de até 471 bilhões de yuans nos últimos três anos. Em janeiro de 2026, as vendas caíram 19,5%, a maior retração em dois anos, segundo a CTV News. O temor oficial é que prejuízos recorrentes resultem em demissões em massa e instabilidade econômica.
O novo texto amplia o conceito de custo, incluindo despesas industriais, administrativas, financeiras e de marketing, fechando brechas contábeis. Também veta conluio de preços e práticas que empurrem concessionárias para o vermelho por metas punitivas. Promoções enganosas e falta de transparência na exibição de valores entram no radar.
A disputa foi especialmente dura entre fabricantes de elétricos. Gigantes como a BYD, que vendeu 4,6 milhões de carros e superou a Ford em 2025 — cresceram, enquanto startups como WM Motor, HiPhi e Evergrande Auto ficaram pelo caminho. A Geely também avançou e entrou no top 10 global, à frente de Honda e Nissan.
Agora, analistas como Deutsche Bank e JPMorgan projetam queda de até 5% nas vendas em 2026, a primeira retração desde 2020. Parte da saída deve vir das exportações, com mercados como o Brasil no radar. Para o governo chinês, menos volume e mais equilíbrio pode ser o preço necessário para salvar a indústria.

