Os avanços tecnológicos na área de armazenamento de energia estão redesenhando o futuro da mobilidade elétrica na China. Em um momento de forte expansão do setor, reguladores se preparam para dar um passo importante: padronizar a nomenclatura das chamadas “baterias de estado semissólido”, que passarão a ser oficialmente conhecidas como “baterias sólido-líquido”. A medida busca evitar confusões com as baterias totalmente em estado sólido, tecnologia que também vem ganhando força.
Desde fevereiro, quando o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação incluiu a pesquisa em baterias de estado sólido entre as prioridades nacionais, o tema passou a ocupar lugar central em políticas, conferências e padrões técnicos. A movimentação reflete um esforço coordenado do governo e da indústria para acelerar a transição para soluções mais seguras, eficientes e energeticamente densas.
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Essas baterias combinam eletrólitos sólidos e líquidos, com mais de 90% de componentes sólidos. A configuração promete maior segurança, maior densidade energética e compatibilidade com linhas de produção já existentes — vantagens que tornam a tecnologia uma ponte natural entre os sistemas atuais de íons de lítio e as futuras baterias totalmente sólidas.
Na Cúpula de Desenvolvimento de Inovação em Baterias de Estado Sólido da China, realizada em 2024, o acadêmico Ouyang Minggao traçou um plano em três fases: de 2025 a 2027, baterias com eletrólitos de sulfeto devem atingir 400 Wh/kg; entre 2027 e 2030, a meta sobe para 500 Wh/kg; e de 2030 a 2035, espera-se chegar a mais de 600 Wh/kg, consolidando a terceira geração dessa tecnologia.
Fabricantes como a IM Motors, Roewe e MG, todas pertencentes ao grupo SAIC, já se preparam para lançar carros com baterias sólido-líquido a partir de 2025. Analistas chamam esse período de “primeiro ano de instalação em massa”, marcando a entrada da tecnologia em modelos premium, com posterior expansão para faixas intermediárias e populares.
O cenário é impulsionado também por fatores econômicos. Entre abril e outubro, o Índice de Baterias de Estado Sólido da China praticamente dobrou, refletindo a confiança do mercado e o avanço das pesquisas. Mesmo assim, especialistas alertam que desafios técnicos e de custo ainda precisam ser superados para tornar as baterias sólido-líquido amplamente competitivas.
Hoje, os principais entraves estão no custo de produção e na eficiência de carregamento, ainda inferiores aos das baterias de íons de lítio tradicionais. A expectativa, no entanto, é que o aumento da escala fabril e a maturação dos materiais reduzam essas desvantagens nos próximos anos.
Se aprovado oficialmente, o termo “bateria sólido-líquido” ajudará a alinhar conceitos e consolidar uma linguagem técnica unificada. A padronização não é apenas um detalhe burocrático: é um passo estratégico para fortalecer a indústria chinesa de baterias em um mercado global cada vez mais dinâmico, competitivo e estratégico.
Fonte: CarnewsChina


