Resumo da Notícia
Apresentado há algumas semanas, o novo Chevrolet Onix 2026 chegou ao Brasil com um atrativo que chama atenção logo de início: o preço. Agora ele parte de R$ 99.990, valor reduzido em comparação ao preço original de R$ 102.990, graças ao programa Carro Sustentável.
Essa diferença pode parecer pequena, mas num segmento tão competitivo faz muita diferença. Não é apenas um detalhe de marketing. O desconto reposiciona o Onix num patamar estratégico, tentando conquistar consumidores que olham com mais carinho para SUVs de entrada, faixa de preço onde hoje o Onix precisa se provar relevante.
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Por anos, o Onix foi praticamente imbatível. De 2014 a 2019, liderou o mercado brasileiro e chegou a ultrapassar a marca de 240 mil unidades vendidas em um único ano. Porém, perdeu fôlego nos últimos anos, fechando 2024 fora do pódio, em sexto lugar no ranking. Esse declínio foi reflexo da ascensão dos SUVs e também de críticas específicas ao modelo, como a polêmica correia dentada banhada a óleo.
Eu acompanhei bem essa transição: o carro que já foi sinônimo de popularidade passou a ser visto com desconfiança. E agora, com essa atualização, a Chevrolet busca apagar parte desse histórico.
O que mudou no Onix 2026
De cara, o que notei foram mudanças discretas no design. A dianteira está um pouco mais larga e a grade frontal ganhou destaque, mas não chega a transformar radicalmente a identidade do carro. O para-choque, agora mais alto, tem ângulo de ataque melhorado em 30%. Na prática, durante os testes, ele passou sem arranhar em lombadas que antes representavam risco. Isso é um alívio para quem dirige em cidades brasileiras cheias de obstáculos.

No interior, o destaque ficou para o painel de instrumentos digital, substituindo de vez os ponteiros analógicos nas versões mais equipadas. A central multimídia também cresceu e agora tem 11 polegadas, integrada ao painel de forma mais harmoniosa. Visualmente é bonito e funcional, embora ainda falte mais personalização de informações no display.
No entanto, nem todas as versões terão esse pacote. Os modelos com motor aspirado ainda trazem a central menor, de 8 polegadas, o que pode decepcionar parte do público que esperava mais padronização.
Impressões ao dirigir
No volante, o Onix 2026 mantém a essência que sempre caracterizou o modelo: conforto na medida e leveza. A direção elétrica continua sendo uma das melhores entre os hatches, com respostas rápidas e precisas em manobras urbanas. Nas curvas, senti estabilidade consistente, sem aquela sensação de que o carro “escapa” em mudanças bruscas de faixa.
O motor, no entanto, me deixou dividido. Ele passou de 121 cv para 115 cv, mantendo torque próximo de 16 kgfm. Essa queda não é dramática, mas percebi que o carro demora mais para responder em acelerações fortes. Em ultrapassagens, especialmente em rodovias, é preciso elevar bem o giro do motor. Esse atraso de quase três segundos para entregar potência pode incomodar quem busca mais agilidade.
Apesar disso, o carro é confiável e previsível. Para quem já conhece a dirigibilidade do Onix dos últimos anos, não há surpresas — positivas ou negativas.
A polêmica da correia dentada banhada a óleo
Um dos pontos mais comentados desde 2019 foi a decisão da Chevrolet de usar uma correia dentada banhada a óleo no motor. Eu mesmo sempre considerei um risco, já que o sistema exige disciplina na escolha do lubrificante.
O lado positivo é que o motor três cilindros ficou mais silencioso, e isso continua verdadeiro. O ruído interno é menor que em concorrentes como o Volkswagen Polo ou o Fiat Argo. Mas o preço do silêncio foi alto: muitos donos enfrentaram problemas quando usaram óleos sem a certificação Dexos. Fragmentos da correia se acumulavam em componentes vitais, prejudicando freios, turbina e até a bomba de vácuo.
Para 2026, a GM afirma que reformulou a peça, tornando-a mais resistente ao contato com lubrificantes fora da especificação. Isso é positivo, mas ainda é cedo para cravar se resolverá de vez os problemas. A real prova virá após os primeiros 10 mil quilômetros, quando ocorrerem as trocas de óleo.
Espaço interno e acabamento
Aqui está um ponto em que o Onix 2026 ainda não consegue competir de igual para igual com SUVs. O porta-malas continua com 303 litros, o que limita bastante viagens com muita bagagem. Cabe uma mala grande, mas a segunda terá de ir no banco traseiro.
O acabamento interno segue a linha de carros compactos: muito plástico rígido. Embora as texturas variadas tentem dar sofisticação, só há toque macio no apoio de braço das portas. É prático para limpeza, mas passa sensação de simplicidade. Além disso, senti falta de equipamentos como retrovisor antiofuscamento automático e um carregador de celular por indução melhor posicionado. No modelo atual, ele fica bem próximo da alavanca de câmbio, atrapalhando o manuseio.
A dura concorrência dos SUVs
O maior problema do Onix 2026 não está dentro dele, mas fora: a concorrência dos SUVs. Hoje, os utilitários representam mais da metade das vendas de carros novos no Brasil. Em 2025, segundo a Fenabrave, os hatches ficaram com apenas 24,5% do mercado, contra 53,9% dos SUVs.
Com R$ 100 mil, é natural que muitos consumidores optem por um SUV. Os principais rivais nessa faixa são:
- Citroën Basalt: a partir de R$ 93.990
- Fiat Pulse: a partir de R$ 99.990
- Volkswagen Tera: a partir de R$ 105.890
E o desafio fica ainda maior quando olho para dentro da própria GM. O Tracker, SUV compacto da marca, custa a partir de R$ 119.900 na versão turbo, mas oferece mais espaço interno e porta-malas de 393 litros. Curiosamente, a versão Premier do Onix (R$ 129.190) chega a ser mais cara que esse Tracker.
Essa comparação mostra o dilema: o Onix é um hatch muito bem equipado, mas concorre diretamente com SUVs que entregam mais espaço e robustez por valores próximos.
Tabela comparativa: Onix 2026 x Pulse x Tracker
| Modelo | Preço inicial (R$) | Potência (cv) | Porta-malas (litros) |
|---|---|---|---|
| Chevrolet Onix 2026 | 99.990 | 115 | 303 |
| Fiat Pulse 2025 | 99.990 | 130 | 370 |
| Chevrolet Tracker | 119.900 | 132 | 393 |
Essa tabela deixa claro o dilema do consumidor. Enquanto o Onix oferece tecnologia e tradição, o Pulse entrega mais potência e porta-malas maior pelo mesmo preço. Já o Tracker custa mais, mas amplia o espaço interno e a sensação de robustez.
Reflexão final
Depois de dirigir o Onix 2026 e analisar seus detalhes, minha conclusão é clara: trata-se de um carro que melhorou em pontos estratégicos, como design, central multimídia e painel digital. A correia banhada a óleo reformulada é uma tentativa válida da GM de superar um estigma antigo, mas só o tempo mostrará se foi suficiente.
O problema é que o mercado mudou. Hoje, o consumidor brasileiro está muito mais inclinado a comprar SUVs. Por isso, o Onix não luta apenas contra rivais diretos como o Polo ou o 208, mas contra uma nova realidade de consumo.
Quem procura conforto, conectividade e economia vai encontrar no Onix um hatch atualizado e competitivo. Mas quem quer espaço e versatilidade provavelmente olhará para SUVs — inclusive o Tracker, da própria Chevrolet.

