Resumo da Notícia
A indústria automotiva sul-africana caminha para uma de suas mudanças mais simbólicas dos últimos anos. Após meses de especulação, a Nissan confirmou que a histórica fábrica de Rosslyn, em Pretória, passará para o controle da chinesa Chery, marcando uma virada estratégica para as duas montadoras e para o setor local.
O acordo prevê que, até meados de 2026 e mediante aprovações regulatórias, a Chery África do Sul assuma o terreno, os prédios e todos os ativos produtivos da unidade, incluindo a fábrica de estamparia próxima. A operação encerra oficialmente um ciclo de quase seis décadas da Nissan no local.
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Segundo a montadora japonesa, a transação foi desenhada para preservar empregos e a cadeia de fornecedores. A maioria dos funcionários ligados à Nissan deverá receber propostas da Chery, com condições bastante semelhantes às atuais, reduzindo o impacto social da mudança.
Jordi Vila, presidente da Nissan África, afirma que fatores externos comprometeram a utilização da planta e sua viabilidade dentro do grupo. Para ele, a venda garante continuidade industrial em Rosslyn e mantém a contribuição da fábrica para o setor automotivo sul-africano.
A unidade vinha operando abaixo do potencial há anos, especialmente após o fim da produção da picape NP200, em 2024. Desde então, apenas a Navara seguia em linha, mas com volumes insuficientes diante da forte concorrência local de modelos como Hilux, Ranger e D-Max.
Mesmo com a saída da operação industrial, a Nissan seguirá presente no mercado sul-africano como importadora. A marca promete novos lançamentos em 2026, incluindo a Tekton e a nova geração do Patrol, mantendo vendas e serviços normalmente no país.
Para a Chery, o negócio acelera o plano de produção local após anos de crescimento consistente nas vendas. O grupo, que inclui marcas como Omoda, Jaecoo e Jetour, já soma cerca de 5 mil emplacamentos mensais e confirmou que o primeiro modelo feito em Rosslyn será um SUV, ainda não revelado.
Inaugurada em 1966, a fábrica de Rosslyn produziu ícones de diferentes marcas e simboliza a própria história do setor no país. Com a chegada da Chery, a planta ganha um novo capítulo e coloca a montadora chinesa como a segunda do seu país a fabricar veículos na África do Sul, refletindo a mudança de forças na indústria global.

