Resumo da Notícia
A chegada de veículos elétricos de luxo aos corredores do poder voltou a colocar em debate a relação entre grandes empresas e o setor público. Desta vez, a discussão envolve a Câmara dos Deputados e a montadora chinesa BYD, em um acordo que mistura inovação, sustentabilidade e questionamentos políticos.
A Presidência da Câmara iniciará 2026 com três novos carros à disposição. Os veículos foram cedidos gratuitamente pela BYD, em regime de comodato, conforme acordo publicado no Diário Oficial da União na última quarta-feira (28), com validade de um ano.
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A frota inclui um BYD Tan blindado, avaliado em cerca de R$ 538,8 mil, e dois sedãs BYD King GL, estimados em R$ 169,9 mil cada. O pacote também prevê o empréstimo de carregadores elétricos para uso institucional.
Somados, os veículos chegam a aproximadamente R$ 870 mil. Embora a expectativa seja de que fiquem à disposição direta da Presidência da Casa, a Câmara não informou oficialmente qual será a destinação nem a forma de utilização dos automóveis.
A iniciativa não é inédita. Desde 2024, a BYD tem adotado a estratégia de ceder veículos a órgãos públicos, como a Presidência da República, o Tribunal de Contas da União e o Superior Tribunal de Justiça, ampliando sua presença institucional em Brasília.
O modelo, porém, tem gerado controvérsia no Congresso. O deputado Luiz Carlos Hauly (Pode-PR) apresentou projeto de lei para proibir esse tipo de cessão, alegando conflito de interesses, já que a montadora é beneficiária direta de incentivos fiscais federais.
Atualmente, o setor de veículos eletrificados é alvo de uma ampla discussão legislativa com acusações de perseguição política. Tramitam cerca de 50 projetos sobre o tema na Câmara, além de medidas sobre incentivos à produção nacional, importação de kits com imposto zero e um cronograma de elevação gradual das alíquotas até 2026.
Em nota, a BYD afirmou que o empréstimo segue a legislação vigente e tem como objetivo testar tecnologias limpas no setor público, com redução de custos e estímulo à mobilidade sustentável. A assessoria do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não se manifestou até a publicação desta reportagem.


