Resumo da Notícia
A ofensiva judicial contra a difamação online começa a redesenhar o debate público na indústria automotiva chinesa. Montadoras e autoridades passaram a reagir de forma coordenada a conteúdos enganosos que circulam nas redes, sobretudo aqueles com viés sensacionalista e fins comerciais.
Decisões recentes da Justiça deram ganho de causa a BYD, Great Wall Motor e Xpeng em processos cíveis contra criadores de conteúdo digital. As sentenças determinaram a retirada de publicações, pedidos públicos dedesculpas e indenizações que, somadas, chegam a cifras milionárias.
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O tema ganhou ainda mais visibilidade após a Televisão Central da China divulgar uma série de julgamentos finais. Em todos eles, os tribunais reconheceram que vídeos e postagens ultrapassaram o limite da crítica legítima e atingiram diretamente a reputação das empresas.
Um dos casos mais emblemáticos envolveu a Xpeng, alvo de acusações não comprovadas sobre falhas em baterias e negativa de garantia. A Justiça concluiu que as informações eram falsas e determinou a exclusão do material, um pedido formal de desculpas e o pagamento de 100 mil yuans em indenização ( R$ 75 000).
Paralelamente, autoridades também apertaram o cerco ao uso indevido de inteligência artificial. Durante o Salão do Automóvel de Guangzhou, um vídeo fabricado com IA e atribuído falsamente à Xpeng levou à prisão administrativa do responsável por dez dias, em ação separada da esfera cível.
No caso da BYD, a investigação revelou um padrão de difamação prolongada. Por cerca de cinco anos, uma conta publicou imagens editadas de incêndios sem relação com a marca, alegando falsos casos de combustão espontânea em seus veículos.
A decisão de segunda instância foi contundente ao reconhecer a violação dos direitos de reputação da montadora. Além da remoção do conteúdo e do pedido público de desculpas, foi fixada indenização de 2,0187 milhões de yuans, cerca de 283 mil dólares (R$ 1.540.000).
A Great Wall Motor também obteve vitória judicial contra publicações depreciativas recorrentes. O tribunal entendeu que os vídeos extrapolaram a supervisão pública legítima e impôs a retirada do material, um pedido formal de desculpas e o pagamento de 200 mil yuans em compensação (R$ 150 000).

