Resumo da Notícia
A possível venda da fábrica da COMPAS, no México, virou peça central de um movimento maior que redesenha o mapa da indústria automotiva na América do Norte. O interesse de montadoras chinesas na unidade sinaliza uma estratégia clara: produzir mais perto do mercado e reduzir a exposição a barreiras comerciais. O que está em jogo vai além de uma simples aquisição industrial.
Entre as finalistas na disputa estão as chinesas BYD, Geely, Chery e Great Wall Motor. A unidade pertence à COMPAS, joint venture criada por Nissan e Mercedes-Benz. Também há relatos de que a vietnamita VinFast avançou nas negociações.
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Inaugurada em 2017, a planta será fechada em maio de 2026, em meio às mudanças de mercado e às pressões tarifárias. Com capacidade para produzir até 230 mil veículos por ano, a fábrica tornou-se um ativo estratégico. Ao todo, nove empresas teriam sido sondadas para participar do processo.
No fim do ano passado, veículos da imprensa mexicana já apontavam a BYD como uma das interessadas mais fortes. Além dela, a chinesa SAIC Motor também apareceu em discussões preliminares. Até o momento, nenhuma das companhias envolvidas comentou oficialmente o processo.
O pano de fundo dessa corrida é o novo ambiente comercial da região. Historicamente voltado à exportação para os Estados Unidos, o México enfrenta desaceleração na produção após políticas tarifárias mais rígidas. Nesse contexto, produzir localmente sob as regras do USMCA pode significar vantagem competitiva.
Diferentemente de projetos anteriores para construir fábricas do zero — muitos travados por entraves regulatórios — a compra de uma estrutura já pronta encurta caminhos. Para marcas como a BYD, que enfrentaram atrasos em planos próprios no país, assumir a COMPAS pode acelerar a entrada definitiva na produção regional.
O avanço chinês acompanha a expansão comercial dessas marcas na América Latina. No México, a participação das fabricantes chinesas saltou de níveis residuais em 2020 para cerca de 10% das vendas em 2025. Se uma delas vencer a disputa, estabelecerá uma base industrial relevante fora da Ásia, consolidando uma nova etapa dessa transformação global.

