Brasil pode ter 35 milhões de carros eletrificados até 2040, diz PwC

Segundo o estudo da PwC, o avanço deve ganhar força a partir de 2027, alcançando mais de 35 milhões de veículos eletrificados até 2040
Brasil pode ter 35 milhões de carros eletrificados até 2040, diz PwC
Crédito da imagem: Volvo

Resumo da Notícia

O avanço dos carros eletrificados no Brasil está no centro de uma transformação silenciosa, mas profunda, na mobilidade nacional. A ideia de que os elétricos substituirão rapidamente os motores a combustão ainda está distante — não por falta de vontade, mas por obstáculos estruturais e econômicos.

O país convive com uma cadeia poderosa ligada aos combustíveis fósseis, de canaviais a postos, além de uma infraestrutura de recarga insuficiente e preços ainda altos para a maioria dos consumidores. As projeções, no entanto, indicam que essa realidade mudará ao longo das próximas duas décadas.

Brasil pode ter 35 milhões de carros eletrificados até 2040, diz PwC
Crédito da imagem: Viamar Anália Franco São Paulo, SP

Segundo a consultoria Strategy&, da PwC Brasil, a frota de veículos eletrificados no país poderá ultrapassar 35 milhões de unidades até 2040, impulsionada por um crescimento médio de 106% ao ano entre 2022 e 2029. Esse avanço deve ganhar força a partir de 2027, quando a produção local — puxada por marcas como BYD e GWM — começa a escalar de forma consistente.

Hoje, os números ainda são modestos, são apenas 0,3% dos 45,6 milhões de veículos leves em circulação no Brasil são eletrificados — algo em torno de 100 mil unidades. De janeiro a setembro de 2025, foram emplacados 147.602 carros, crescimento de 20,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. O preço ainda pesa: o elétrico mais acessível, Renault Kwid E-Tech, custa R$ 21,3 mil a mais que sua versão flex.

Apesar disso, o setor já mostra sinais de massificação, em setembro, os eletrificados responderam por 9,3% das vendas de veículos novos. O estudo da PwC projeta que, em 2040, os eletrificados representarão 27,6% da frota nacional — cerca de 17,4 milhões de unidades híbridas e 4,8 milhões elétricas. A mudança será sentida também nos pesados: ônibus e caminhões, que devem atingir 26% da frota em sete anos e 65% em 2040.

Essa expansão terá impacto direto no consumo de combustíveis fósseis. Até 2030, a demanda deve cair 8 bilhões de litros de gasolina e 6 bilhões de diesel; em 2040, a retração deve chegar a 37 bilhões e 41 bilhões de litros, respectivamente — reduções de 59% e 66% em relação à demanda atual. Isso reforça o peso da transição energética no desenho futuro da economia brasileira.

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Crédito da imagem: Tesla

O crescimento dos eletrificados também exigirá uma nova infraestrutura energética. A demanda de energia para mobilidade deve saltar de 1,1 mil GWh atuais para 44,9 mil GWh em 2040. Só para veículos leves, isso significa multiplicar as atuais 18,4 mil estações de recarga para mais de 825 mil.

Como metade desses pontos está concentrada no Sudeste, será preciso uma expansão nacional coordenada e investimentos estimados entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões. No transporte coletivo e de carga, o impacto também será significativo. Atualmente, 99% dos ônibus e caminhões usam diesel.

Em 2040, a frota deverá ser composta por 70% a combustão, 20% elétrica e 10% a gás. Estudos apontam que substituir caminhões Euro 3 por Euro 6 poderia cortar 9,5% das emissões anuais de gases de efeito estufa no país. Além disso, biometano e gás natural renovável devem ganhar espaço como soluções complementares.

Embora a matriz elétrica brasileira já seja 88% renovável — muito acima da média global de 30% —, a infraestrutura ainda é um gargalo. A presença desigual de eletropostos e a necessidade de ampliar redes de alta tensão para veículos pesados exigem políticas públicas robustas e investimentos privados consistentes. Essa é uma das condições para que o avanço dos elétricos ocorra de forma sustentável e escalável.

Outro desafio está no investimento em inovação. O Brasil destina 1,2% do PIB a pesquisa e desenvolvimento, bem abaixo de países como Coreia do Sul (5%), EUA (3%) e Alemanha (3,1%). Esse descompasso pode limitar o ritmo de adoção de novas tecnologias e impedir que o país aproveite integralmente sua vantagem em energia limpa.

Apresentado em Bruxelas pelo Sindipeças, o modelo brasileiro de descarbonização foi destacado por sua flexibilidade. Em vez de apostar numa única rota tecnológica — como a União Europeia faz —, o país combina eletrificação com biocombustíveis e outras fontes renováveis.

“Temos um dos cardápios mais amplos do mundo para descarbonizar a mobilidade”, resumiu José Eduardo Luzzi, presidente do conselho do Instituto MBCBrasil. É essa diversidade que poderá sustentar a revolução elétrica nos próximos 15 anos.

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