Resumo da Notícia
O Brasil enfrenta sinais de alerta quanto ao abastecimento de combustíveis, pressionado por fatores externos e internos que afetam preços e estoques. Entidades do setor, em nota conjunta, pedem medidas urgentes para evitar um possível desabastecimento, especialmente de diesel, diante da volatilidade do mercado internacional.
A retração nas importações, agravada pelo conflito no Oriente Médio, reduziu o volume de combustíveis chegando ao país. Nos primeiros 17 dias de março, a entrada de produtos caiu quase 60%, mesmo com o Brasil dependendo de importações para cerca de 30% do diesel e 10% da gasolina consumidos.

Segundo a ANP, o cenário é “excepcional de risco”, com estoques internos desequilibrados: grandes volumes concentrados em produtores e distribuidoras enfrentando alta demanda nos postos. A estatal cancelou leilões, gerando alerta de falta de combustível em diversas regiões.
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O governo anunciou isenção de PIS/Cofins e subvenção de R$ 0,32 por litro para reduzir o preço final, além de imposto sobre exportação. Apesar do esforço, as medidas têm efeito limitado e não compensam totalmente a alta do diesel, que já subiu R$ 0,38 por litro em refinarias, impactando diretamente o preço ao consumidor.
Distribuidoras e importadores privados afirmam que o alinhamento entre preços internos e cotações internacionais é essencial. Com o diesel “A” vendido a valores superiores aos de referência e leilões acima do mercado, a pressão sobre o preço final persiste, mesmo com a Petrobras fornecendo volumes acima dos contratos iniciais.
Estados resistem a cortes no ICMS, que representa quase 20% do valor final do diesel, alegando perda de arrecadação. O governo propôs zerar o imposto sobre importação e reembolsar parte do valor, mas a medida ainda depende de negociação. Enquanto isso, a fiscalização da tabela de frete busca evitar impactos logísticos e paralisações de caminhoneiros.
Para o setor, o risco permanece elevado. Entidades como Abicom, Fecombustíveis, Sincopetro, Refina Brasil, Sindicom e BrasilCom alertam que, sem ações coordenadas e rápidas, o mercado pode sofrer desabastecimento generalizado. Economistas também destacam que aumentos indiretos no diesel podem pressionar a inflação, afetando transporte, alimentos e produtos industriais.
