Resumo da Notícia
A goleada por 4 a 0 sobre a Juazeirense, resultado que colocou o ABC nas semifinais da Copa do Nordeste 2026, também expôs uma discussão interna importante para a sequência da temporada: o mando de campo alvinegro.
Após a partida na Arena das Dunas, em Natal, o técnico Waguinho Dias indicou que o clube deve priorizar o estádio da Copa de 2014 em parte dos próximos compromissos, especialmente nos jogos considerados decisivos.
O ponto central não é apenas financeiro ou logístico. Segundo o treinador, a movimentação partiu dos próprios jogadores, incomodados com as atuais condições do gramado do Frasqueirão, casa histórica do ABC. A avaliação do elenco é que o campo está pesado, com lama por dentro, prejudicando o ritmo da equipe, a velocidade da bola e a execução de passes.
Waguinho deixou claro, porém, que a possível mudança não representa abandono do Frasqueirão. O estádio segue sendo tratado como casa do clube e como um ambiente importante para a pressão da torcida. A tendência, segundo o treinador, é de divisão: algumas partidas continuarão no Frasqueirão, mas a maioria dos jogos e duelos decisivos devem ir para a Arena das Dunas.
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Jogadores pediram mais partidas na Arena
O técnico revelou que o debate começou dentro do vestiário. Antes mesmo do confronto mais recente contra o Central, atletas já haviam levantado a possibilidade de o ABC mandar seus jogos na Arena das Dunas.
“Ela (a movimentação) iniciou com os atletas. Mesmo antes desse último jogo com o Central, eles já haviam falado para mim se era possível a gente só jogar na Arena. Nós temos um contrato com a Arena. Esse contrato existe, é um financeiro para o clube, e nós sabemos que o Frasqueirão, sendo a nossa casa, existe uma receita maior para o ABC quando se joga em casa“, declarou.
A fala mostra que há dois pesos na decisão. De um lado, o Frasqueirão representa identidade, mando forte e maior receita em jogos como mandante. Do outro, a Arena das Dunas oferece uma condição de gramado que, neste momento, parece atender melhor ao estilo de jogo e à necessidade física do elenco.
Waguinho foi direto ao explicar o incômodo dos jogadores. Para ele, o estado atual do campo do Frasqueirão interfere no desempenho técnico da equipe, especialmente em um momento em que o ABC disputa competições importantes e precisa preservar ritmo, intensidade e confiança.
“O gramado do ABC hoje não está bem. O Rabugento, que trabalha lá, que arruma (o campo), nos mostrou a lama que está. Está muito lameado por dentro. Então, os atletas erram passes, fica fofo, fica pesado, não tem velocidade. Você quer fazer um bom passe e a bola não anda“, comentou.
A preocupação não se limita ao jogo em si. O treinador contou que percebeu o impacto do gramado logo nos primeiros contatos com o estádio, ainda em treinamentos. Segundo ele, a avaliação dos atletas ajudou a reforçar a necessidade de olhar o problema com mais atenção.
“Quando eu cheguei, fiz dois treinos para reconhecer também o Frasqueirão. E o Wallyson me falou: ‘Professor, se fizer dois treinos seguidos aqui, nós vamos ficar com a perna inchada e vai atrapalhar’. Aí comecei a prestar mais atenção e perguntar para os outros jogadores“, relatou.
Outro exemplo citado pelo treinador foi o volante Wellington Reis. O jogador, que já soma longa história com a camisa alvinegra, relatou dificuldade incomum ao atuar no Frasqueirão.
“O Wellington Reis, que fazia tempo que não jogava (no Frasqueirão), chegou em mim e falou: ‘Eu já tenho quase 100 partidas. É a primeira vez que me senti tão mal jogando aqui’. Ele errou vários passes, sentiu muito. O gramado tem muita lama“, afirmou.
Diretoria avalia troca do gramado
Apesar das críticas, Waguinho fez questão de preservar a importância simbólica e esportiva do Frasqueirão. O técnico também revelou que a diretoria, comandada pelo presidente Eduardo Machado, já trata a melhoria do gramado como pauta interna.
“O presidente (Eduardo Machado) está indo atrás de uma troca de gramado. Isso é uma situação que está na cabeça dessa diretoria para deixar modernizado. Mas nós precisamos do Frasqueirão. Ele é a nossa casa, é um caldeirão, vai fazer bem. Então, nós vamos ter algumas partidas lá no Frasqueirão, mas a grande maioria, e algumas decisivas, vão ser todas aqui na Arena“, finalizou.
A frase resume o cenário atual. O ABC não descarta o Frasqueirão, mas deve usar a Arena das Dunas como alternativa forte para proteger o desempenho da equipe em partidas de maior peso. Em uma temporada que já colocou o clube nas semifinais da Copa do Nordeste, a qualidade do gramado virou tema estratégico.
Clássico contra o América segue no Frasqueirão
Mesmo com a tendência de priorizar a Arena das Dunas em jogos decisivos, o clássico contra o América-RN, marcado para o dia 24 de maio, pelo returno da Série D, está mantido no Frasqueirão por enquanto.
A manutenção do clássico no estádio alvinegro mostra que a definição dos mandos ainda será administrada caso a caso. O clube precisa equilibrar receita, identidade, pressão da torcida, contrato com a Arena e, principalmente, a condição técnica oferecida aos jogadores.
No momento, a mensagem deixada por Waguinho é objetiva: o Frasqueirão segue sendo a casa do ABC, mas a Arena das Dunas deve ganhar protagonismo quando o clube entender que o jogo exige melhor condição de campo.
