Resumo da Notícia
O Sport fechou 2025 com déficit financeiro de R$ 112,4 milhões, o maior prejuízo já registrado na história do clube, segundo balanço publicado nesta quinta-feira (30/04) no jornal Folha de Pernambuco. O resultado negativo aparece no mesmo ano em que o clube foi rebaixado no Campeonato Brasileiro com a pior campanha de uma equipe nordestina na competição: 17 pontos e apenas duas vitórias.
O número expõe a dimensão da crise administrativa e financeira enfrentada pelo Sport em uma temporada marcada por queda esportiva, perda de caixa e forte deterioração patrimonial. O déficit de R$ 112,4 milhões supera com larga vantagem o resultado negativo de 2024, quando o balanço havia apontado prejuízo de R$ 16,5 milhões.
A comparação mostra que o rombo cresceu quase sete vezes de um ano para o outro. Nos dois exercícios, o clube teve Yuri Romão como presidente. Ele renunciou ao cargo em novembro, alegando perda de condições políticas para seguir à frente da administração.
Qual era o maior déficit da história do Sport antes de 2025?
Até a divulgação do balanço referente a 2025, o maior déficit da história do Sport havia sido de R$ 70 milhões, registrado em 2021, de acordo com levantamento feito pelo jornalista Cássio Zirpoli.
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Naquele ano, as receitas do clube foram impactadas pela pandemia da Covid-19. O Sport também enfrentou instabilidade política, período em que chegou a ter cinco presidentes.
O novo resultado, portanto, ultrapassa de forma expressiva o pior número anterior e passa a representar o maior desequilíbrio financeiro já informado pelo clube em seus balanços.
Receita cresceu, mas caixa encolheu
Apesar do déficit recorde, o Sport registrou aumento de receita total em 2025. O balanço aponta R$ 182,7 milhões em receita total, considerando receita operacional líquida e receitas financeiras.
O valor é superior ao registrado em 2024, quando o clube havia informado R$ 142,2 milhões. Mesmo com mais arrecadação, o Sport terminou a temporada com menos dinheiro disponível em caixa.
Segundo o balanço, o clube encerrou 2025 com apenas R$ 2,3 milhões em caixa. No ano anterior, o valor era de R$ 31 milhões. A diferença reforça o descompasso entre entrada de recursos, despesas assumidas e capacidade de manter liquidez ao fim do exercício.
Patrimônio líquido do Sport fica negativo
O balanço também trouxe outro dado preocupante: o patrimônio líquido do Sport passou de R$ 82,3 milhões positivos para R$ 21,7 milhões negativos.
O patrimônio líquido representa a diferença entre os ativos, como bens e direitos, e os passivos, que incluem dívidas e obrigações. Na prática, o número negativo indica que as obrigações do clube superaram aquilo que ele possui registrado como patrimônio.
Isso significa que, em uma situação hipotética, mesmo se o Sport vendesse tudo o que tem em seu nome, como estádio, centro de treinamento e jogadores, ainda faltariam R$ 21,7 milhões para quitar todas as dívidas.
Atual gestão cita “um dos períodos mais adversos” da história recente
No relatório publicado com o balanço, a atual administração do Sport, comandada por Matheus Souto Maior, comentou os números negativos. Ele foi eleito para um mandato tampão até o fim deste ano.
A gestão classificou 2025 como “um dos períodos mais adversos da história recente do Sport Club do Recife”.
O relatório também atribuiu o agravamento financeiro à falta de disciplina nos custos, à antecipação de receitas futuras, a contratações incompatíveis com a realidade econômica do clube e a impactos provocados por rescisões contratuais.
“O crescimento da arrecadação não foi acompanhado por qualquer disciplina na gestão de custos, resultando em deterioração expressiva do patrimônio e da posição de caixa. A gestão conduzida durante a maior parte do exercício de 2025 foi marcada por antecipação de receitas de exercícios futuros, contratações de atletas em patamares incompatíveis com a realidade econômica do clube, rescisões contratuais com impactos financeiros relevantes e comprometimento do fluxo de caixa sem respaldo em planejamento orçamentário“, completou o relatório.
O balanço financeiro, portanto, mostra que o problema do Sport em 2025 não ficou restrito ao desempenho em campo. A queda no Campeonato Brasileiro ocorreu em paralelo ao maior déficit da história do clube, à redução drástica do caixa e à inversão do patrimônio líquido para patamar negativo.
