São Paulo entra em alerta com dívida milionária a ex-treinadores

Com mais de R$ 10 milhões em pendências envolvendo ex-treinadores, o clube tenta equilibrar dívidas acumuladas, trocas constantes no comando técnico e uma cobrança cada vez maior sobre a diretoria no Morumbi
São Paulo entra em alerta com dívida milionária a ex-treinadores
Foto: Flickr/São Paulo
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A crise financeira que há anos acompanha o São Paulo voltou a ganhar força nos bastidores do Morumbi justamente em um momento de enorme pressão esportiva. Entre eliminações, trocas frequentes de treinadores e cobranças internas, o clube agora tenta administrar mais de R$ 10 milhões em pendências envolvendo ex-comandantes recentes do futebol tricolor, enquanto a instabilidade dentro de campo amplia ainda mais o desgaste da diretoria.

O cenário ganhou novos capítulos após o vazamento de um áudio atribuído ao presidente Harry Massis, no qual o dirigente demonstra preocupação com a situação financeira do clube e com os compromissos ainda não quitados ligados ao departamento de futebol. Os valores envolvem principalmente Hernán Crespo, Luis Zubeldía e Dorival Júnior, treinadores que passaram recentemente pelo banco de reservas são-paulino.

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Segundo informações da Agência RTI Esporte, os números revelam o tamanho do problema enfrentado pelo clube. Somadas, as dívidas relacionadas aos três técnicos ultrapassam R$ 10,2 milhões. O caso expõe uma realidade que se tornou frequente no São Paulo nos últimos anos: mudanças constantes no comando técnico, acordos financeiros acumulados e dificuldades para equilibrar competitividade esportiva com responsabilidade administrativa.

Hernán Crespo representa hoje uma das situações mais delicadas dentro desse contexto. Campeão paulista em 2021 e responsável por encerrar um longo jejum de títulos do clube, o argentino saiu inicialmente em meio à queda de rendimento no Campeonato Brasileiro. Mesmo após retornar ao São Paulo anos depois, sua nova passagem também terminou de forma turbulenta.

Somente em 2026, o clube já desembolsou cerca de R$ 2,1 milhões referentes a pendências da primeira passagem do treinador. Além disso, a recente demissão de Crespo gerou uma nova multa rescisória próxima de R$ 4 milhões, valor que inclui integrantes de sua comissão técnica. Na prática, o argentino segue como um dos principais credores do Tricolor.

Luis Zubeldía também aparece na lista de profissionais com valores pendentes para receber. O treinador argentino comandou o São Paulo entre abril de 2024 e junho de 2025, período marcado por oscilações de desempenho e resultados abaixo da expectativa criada pela diretoria e pela torcida no momento de sua contratação.

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Apesar de o acordo firmado em sua saída não constar oficialmente no balanço financeiro do clube, Zubeldía ainda possui aproximadamente R$ 3 milhões a receber. A ausência do registro chama atenção nos bastidores e reforça críticas sobre a forma como o São Paulo vem administrando sucessivas mudanças em sua comissão técnica nos últimos anos.

Já a situação de Dorival Júnior possui características diferentes das demais. Os cerca de R$ 3,2 milhões ainda devidos ao treinador não correspondem a multa rescisória. Os valores estão ligados a compromissos financeiros pendentes da sua última passagem pelo clube, justamente a mais vitoriosa de sua carreira recente no Morumbi.

Dorival conquistou a inédita Copa do Brasil de 2023 pelo São Paulo e recuperou parte do protagonismo esportivo da equipe antes de aceitar o convite para assumir a Seleção Brasileira. Mesmo após sua saída amigável, o vínculo financeiro entre as partes ainda não foi totalmente encerrado, incluindo registros vinculados tanto à pessoa física quanto à empresa do treinador.

Nos bastidores, dirigentes reconhecem que o acúmulo de despesas se tornou consequência direta da falta de continuidade nos projetos esportivos recentes. A cada troca de treinador, novos contratos foram assinados, acordos precisaram ser renegociados e multas passaram a impactar o orçamento do futebol, criando um efeito financeiro que se prolonga por várias temporadas.

O problema, porém, vai muito além das dívidas com treinadores. O balanço financeiro do clube aponta que o São Paulo encerrou 2025 com aproximadamente R$ 80,3 milhões em pendências relacionadas a acordos trabalhistas e processos cíveis. Entre os cerca de 40 credores aparecem ex-jogadores, empresários, intermediários, empresas e escritórios de advocacia.

A turbulência financeira coincidiu com mais um duro golpe esportivo. Em uma noite marcada por falhas defensivas, desorganização tática e forte tensão emocional, o São Paulo acabou eliminado da Copa do Brasil de 2026 ao perder por 3 a 1 para o Juventude, no Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul. A derrota aprofundou ainda mais o ambiente de pressão no clube.

O Juventude dominou praticamente toda a partida com intensidade física, pressão alta e controle emocional. Marcos Paulo, Gabriel Pinheiro e Luís Mandaca marcaram os gols da equipe gaúcha, enquanto Gonzalo Tapia descontou para o Tricolor na reta final. A expulsão de Ferreira ainda no primeiro tempo desmontou qualquer possibilidade de reação são-paulina.

A eliminação aumentou a cobrança sobre Roger Machado, que já vinha pressionado pelos resultados irregulares nas últimas semanas. O São Paulo voltou a apresentar problemas defensivos, instabilidade emocional e dificuldades ofensivas, enquanto os bastidores seguem consumidos por dívidas, acordos pendentes e um ambiente político cada vez mais desgastado dentro do Morumbi.

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