A queda de Roger Machado no São Paulo acabou sendo consequência de um ambiente que já vinha se deteriorando há semanas no Morumbi. A eliminação para o Juventude, na Copa do Brasil, apenas acelerou uma decisão que já era discutida internamente diante da pressão crescente sobre o treinador e do desgaste acumulado nos bastidores do clube.
O anúncio oficial da saída aconteceu ainda na noite desta quarta-feira, logo após a derrota por 3 a 1 para o Juventude, no Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul. Em comunicado divulgado nas redes sociais, o São Paulo confirmou o encerramento do trabalho de Roger Machado e de toda a sua comissão técnica após a eliminação na quinta fase da competição nacional.
A diretoria avaliou que o cenário se tornou insustentável depois de uma sequência de cinco partidas sem vitória, com três empates e duas derrotas. Mesmo ocupando posição entre os primeiros colocados do Campeonato Brasileiro e liderando seu grupo na Copa Sul-Americana, o desempenho recente já vinha provocando fortes críticas de torcedores, conselheiros e figuras influentes dentro do clube.
Roger Machado deixa o São Paulo após apenas 17 partidas no comando da equipe. O treinador acumulou sete vitórias, quatro empates e seis derrotas, encerrando sua curta passagem com aproveitamento próximo de 49%. O trabalho durou pouco mais de dois meses e nunca conseguiu alcançar estabilidade desde o primeiro dia.
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A chegada do treinador já havia ocorrido sob enorme desconfiança externa. Roger foi bancado principalmente pelo diretor de futebol Rui Costa, profissional com quem possui relação antiga no futebol brasileiro. As vitórias iniciais sobre Chapecoense e Red Bull Bragantino chegaram a aliviar momentaneamente a pressão, mas a derrota no clássico contra o Palmeiras voltou a incendiar o ambiente.
Nos bastidores, a troca de comando técnico nunca foi totalmente assimilada por parte da torcida. Hernán Crespo deixou o clube ainda com o time brigando nas primeiras posições da tabela, e sua saída permaneceu como tema recorrente durante toda a trajetória de Roger Machado no São Paulo. A comparação constante aumentou ainda mais a cobrança sobre o novo treinador.
Além dos resultados, Roger também enfrentou questionamentos sobre suas escolhas táticas e sobre o discurso utilizado nas entrevistas coletivas. Depois de inicialmente manter a estrutura deixada por Crespo, ele alterou o sistema da equipe, passou a utilizar dois pontas mais abertos e participou diretamente da busca do clube pela contratação de Artur para atuar pelo lado direito do ataque.
As vaias passaram a acompanhar o treinador antes, durante e depois das partidas no Morumbi. Mesmo em jogos vencidos, como no confronto de ida diante do Juventude, a insatisfação da arquibancada ficou evidente. A derrota de virada para o Vasco, dias antes da decisão pela Copa do Brasil, já havia sido tratada internamente como um dos momentos mais delicados de sua passagem.
A eliminação em Caxias do Sul acabou transformando a pressão em ruptura definitiva. O São Paulo havia vencido o primeiro jogo por 1 a 0 e precisava apenas de um empate para avançar, mas viu o Juventude devolver a derrota e construir a classificação com autoridade diante de um adversário desorganizado emocionalmente ao longo do segundo tempo.
O roteiro da partida foi especialmente cruel para o Tricolor. Luciano deixou o gramado ainda na etapa inicial reclamando de dores musculares na coxa. Seu substituto, Ferreira, permaneceu apenas 24 segundos em campo antes de ser expulso após acertar uma braçada em Rodrigo Sam, recebendo cartão vermelho direto sem necessidade de revisão do árbitro de vídeo.
Com um jogador a mais, o Juventude cresceu no confronto e transformou a pressão em gols. Gabriel Pinheiro abriu o placar após desvio dentro da área, enquanto Marcos Paulo ampliou pouco depois em jogada semelhante pelo alto. O São Paulo ainda reagiu com Gonzalo Tapia, que marcou de cabeça após cruzamento de Bobadilla, recolocando momentaneamente a equipe na disputa.
Nos acréscimos, porém, Mandaca aproveitou rebote de Rafael dentro da pequena área e marcou o terceiro gol gaúcho, fechando o agregado em 3 a 2 para o Juventude. A equipe de Caxias do Sul confirmou a classificação diante de um São Paulo abatido, nervoso e incapaz de controlar emocionalmente a partida mais importante de sua temporada até aqui.
Ainda no Alfredo Jaconi, Rui Costa confirmou oficialmente a saída do treinador em entrevista coletiva ao lado de Rafinha. O dirigente admitiu que o clube compreendeu que a continuidade do trabalho aumentaria ainda mais a pressão externa e afirmou que a decisão contou com apoio do presidente Harry Massis Júnior e entendimento do próprio Roger Machado.
Agora, o São Paulo volta ao mercado em busca de seu terceiro treinador em 2026. A diretoria ainda não definiu quem comandará a equipe na sequência da temporada, mas sabe que encontrará um ambiente de enorme cobrança antes do próximo compromisso, marcado para sábado, contra o Fluminense, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro.
