Justiça condena Corinthians em caso de jogador que se aposentou após lesão

A Justiça fixou a condenação em cerca de R$ 3 milhões, além de R$ 149 mil em honorários, com correção pela Selic podendo levar o valor para perto de R$ 3,5 milhões.
Corinthians é condenado a pagar mais de R$ 3 milhões a ex-lateral aposentado aos 23 anos
Daniel Marcos no período em que defendeu o Corinthians — Foto: Ag.Corinthians

Resumo da Notícia

  • O Corinthians foi condenado em primeira instância a pagar R$ 3 milhões a Daniel Marcos.
  • O ex-lateral, formado na base do clube, aposentou-se aos 23 anos devido a lesões no joelho.
  • A lesão inicial ocorreu em 2020, durante uma partida do sub-20 contra o Grêmio.
  • O jogador passou por três cirurgias e tentativas frustradas de retorno em clubes como Cianorte e Ferroviário.
  • A defesa alegou que a reabilitação foi tortuosa e marcada por retrocessos constantes.
  • O clube paulista informou que pretende recorrer da decisão judicial.
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O Corinthians foi condenado na Justiça do Trabalho a pagar pouco mais de R$ 3 milhões ao ex-lateral Daniel Marcos, que anunciou aposentadoria em janeiro, aos 23 anos, após uma sequência de problemas físicos no joelho direito. A decisão é de primeira instância, e o clube informou que vai recorrer.

Daniel Marcos cobrava R$ 5 milhões na ação. A Justiça, porém, fixou a condenação em cerca de R$ 3 milhões, além de R$ 149 mil em honorários. Com correção pela Selic, taxa básica de juros do Brasil, o valor pode se aproximar de R$ 3,5 milhões.

A defesa do ex-jogador alegou que uma lesão sofrida ainda na base do Corinthians foi determinante para o fim precoce da carreira. O caso chama atenção não apenas pelo valor, mas pelo impacto esportivo e humano: um atleta que assinou contrato profissional ainda jovem, passou por três cirurgias e deixou o futebol antes mesmo de chegar ao auge físico esperado para a profissão.

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Lesão começou em jogo do sub-20

Segundo a ação, Daniel Marcos sofreu a lesão no joelho direito em dezembro de 2020, durante uma partida contra o Grêmio, pelo sub-20. Ele havia assinado contrato profissional com o Corinthians dois anos antes.

Cerca de 15 dias depois da lesão, o lateral passou pela primeira cirurgia. Como tinha direito à estabilidade, firmou novo vínculo com o clube, válido até dezembro de 2024, com salário de R$ 17 mil.

A partir daí, a carreira entrou em uma sequência de tentativas frustradas de recuperação. Em 2022, Daniel foi emprestado ao Cianorte, do Paraná, mas voltou a machucar o mesmo joelho. O novo problema levou a uma segunda cirurgia, sob responsabilidade do Corinthians.

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Defesa relata reabilitação difícil

No processo, o advogado Filipe Rino, que representa Daniel Marcos, afirmou que a reabilitação do jogador foi marcada por dores, limitações e retrocessos sempre que havia tentativa de retorno ao campo.

O período de reabilitação foi tortuoso, eis que não havia melhoras e sempre que iniciava a transição (etapa de reabilitação funcional no campo de futebol), ocorria retrocesso em virtude das dores e limitações”.

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Mesmo após as cirurgias, Daniel tentou continuar no futebol. Em maio de 2023, foi emprestado ao Ferroviário, mas o clube devolveu o jogador ao Corinthians cerca de 30 dias depois, por entender que ele não tinha condições físicas para atuar.

Em junho do mesmo ano, o lateral passou pela terceira cirurgia no joelho. Já em março de 2024, o Corinthians rescindiu o contrato do atleta e pagou R$ 131 mil em verbas rescisórias.

Depois disso, Daniel ainda se acertou com o Resende, do Rio de Janeiro, mas também não conseguiu jogar. No começo deste ano, anunciou a aposentadoria.

Valores definidos na condenação

ItemValor
Valor pedido por Daniel MarcosR$ 5 milhões
Condenação definida pela JustiçaPouco mais de R$ 3 milhões
HonoráriosR$ 149 mil
Valor estimado com correção pela SelicPróximo de R$ 3,5 milhões
Verbas rescisórias já pagas pelo Corinthians em 2024R$ 131 mil

Corinthians vai recorrer

Procurado, o Corinthians afirmou que vai recorrer da decisão, por se tratar de uma condenação na primeira instância do sistema judiciário brasileiro.

A posição do clube mantém o caso em aberto. Na prática, a condenação ainda pode ser discutida nas próximas etapas do processo.

Do ponto de vista esportivo, o episódio expõe uma ferida sensível no futebol: a distância entre a promessa formada na base e a proteção efetiva quando uma lesão compromete a carreira. Daniel Marcos tinha apenas 23 anos quando deixou o futebol. Para um jogador, essa é a idade em que muitos ainda estão tentando se firmar. No caso dele, virou o ponto final.

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