Resumo da Notícia
Começaram a aparecer os primeiros nomes de jogadores citados no inquérito do Ministério Público da Itália sobre um suposto esquema de exploração da prostituição, investigação que já levou quatro pessoas à prisão domiciliar na última segunda-feira (20).
A informação central, porém, é outra: nenhum atleta é investigado, porque, até o momento, não há indícios de que tenham cometido crime. A presença deles no material da apuração ajuda a dimensionar o alcance da agência “Ma.De Milano”, apontada como organizadora de festas e encontros com jovens mulheres para jogadores da elite do futebol italiano.
A relação de atletas foi antecipada nesta quarta-feira (22) pelo Il Giornale, jornal de Milão, e confirmada pela ANSA, que teve acesso a uma lista com mais de 60 jogadores mencionados no inquérito, seja pelo nome completo, seja apenas pelo sobrenome.
Quais jogadores aparecem citados no inquérito
Entre os nomes citados estão Rafael Leão, do Milan; Alessandro Bastoni, da Internazionale de Milão e da seleção italiana; e Dusan Vlahovic, da Juventus. A lista também inclui Raoul Bellanova (Atalanta), Riccardo Calafiori (Arsenal), Yann Bisseck (Inter), Andrea Pinamonti (Sassuolo), Gianluca Scamacca (Atalanta), Matteo Cancellieri (Lazio), Daniel Maldini (Lazio), Dany Mota (Monza), Cheikh Niasse (Verona), Andrea Petagna (Monza) e Milan Skriniar (Fenerbahçe e ex-Inter).
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Entre os brasileiros, aparecem Arthur Melo, ex-Juventus e Fiorentina e atualmente no Grêmio, e Carlos Augusto, ex-Corinthians e hoje na Inter de Milão. Também são citados Achraf Hakimi, hoje no Paris Saint-Germain e ex-jogador nerazzurro; Guglielmo Vicario, goleiro do Tottenham; e Olivier Giroud, ex-centroavante do Milan e atualmente no Lille.
O inquérito menciona ainda Dejan Stankovic, ex-jogador da Lazio e da Inter e ex-treinador da Sampdoria. Segundo a investigação, outro investigado, que não foi preso, teria feito pelo menos oito ligações telefônicas para um número atribuído ao sérvio. Stankovic não é alvo do inquérito.
Por que os nomes dos atletas aparecem na apuração
Segundo o Ministério Público, os jogadores fazem parte de uma lista com centenas de “palavras-chave” que serão usadas em buscas nos dispositivos dos suspeitos presos. Os detidos são o casal Emanuele Buttini e Deborah Ronchi, apontados como líderes do esquema, além de Alessio Salamone e Luan Fraga, que, de acordo com o inquérito, seriam os responsáveis por manter contato com os jogadores e gerenciar encontros com garotas.
Os quatro estão em prisão domiciliar e respondem por suspeitas de formação de quadrilha, exploração e favorecimento da prostituição e lavagem de dinheiro.
A partir desse material, o MP busca entender a dimensão do esquema e separar o que foi apenas presença em festas do que poderia envolver sexo pago. A própria investigação admite que alguns jogadores podem ter participado das noitadas organizadas pela “Ma.De Milano” sem ter usufruído de prostituição, prática que, segundo o inquérito, era limitada a apenas parte das mulheres que frequentavam esses encontros.
Como funcionava o esquema investigado
As festas e encontros ocorriam em casas noturnas de luxo em Milão e contavam inclusive com gás hilariante — óxido nitroso (N2O) —, agente inalatório usado em sedação consciente, que provoca euforia leve e não representa risco de doping.
O Ministério Público sustenta que a rede contava com cerca de 100 garotas, incluindo brasileiras. Uma interceptação captada pela Justiça mostra um homem não identificado dizendo: “Precisamos de mais duas ou três [mulheres] espertas”. Na sequência, Fraga responde: “Vou mandar a brasileira para eles”.
Uma das acompanhantes teria inclusive engravidado de um atleta, segundo outra interceptação. Em telefonema com Salamone, a jovem, que não foi identificada, disse: “Quando ele veio? Se você lembrar das datas exatas… Vou te contar uma coisa, mas não conte para ninguém: acabei de fazer o teste e estou grávida de mais de três semanas”. Ela havia pedido ajuda para identificar o pai da criança.
Investigação nasceu de denúncia em 2024 e aponta atuação até na pandemia
O inquérito começou a partir da denúncia feita por uma estrangeira, em agosto de 2024, mas a apuração indica que o esquema operava havia vários anos. Segundo a investigação, as atividades seguiram inclusive durante a pandemia de Covid-19, quando as noitadas passaram a ocorrer em local privado para burlar as regras de isolamento.
O Ministério Público agora tenta reconstruir a extensão completa da operação, inclusive para diferenciar os participantes das festas das pessoas que, de fato, atuavam na gestão e exploração do esquema.
O que é crime e por que os jogadores não são investigados
A legislação italiana não considera crime pagar por serviços sexuais, assim como a prostituição exercida por maiores de idade conscientes. Por isso, jogadores e acompanhantes não são investigados, com exceção de uma mulher que, segundo a apuração, teria atuado em conjunto com os operadores do esquema.
O que a lei pune, nesse caso, é a gestão e a exploração da prostituição por terceiros. É justamente nesse ponto que se concentram as acusações que recaem sobre os suspeitos já presos.
