Resumo da Notícia
O São Paulo encerrou uma das semanas mais turbulentas da temporada com uma decisão que mexeu diretamente com o ambiente do clube: o retorno de Dorival Júnior ao comando técnico. Após dias de pressão, bastidores intensos e negociações delicadas, a diretoria conseguiu convencer o treinador a assumir novamente o projeto tricolor em meio à crise causada pela eliminação na Copa do Brasil e pela queda de Roger Machado.
O anúncio oficial foi feito nesta sexta-feira (15), confirmando o vínculo de Dorival até o fim da temporada. Aos 64 anos, o treinador inicia sua terceira passagem pelo Morumbis carregando o peso da expectativa da torcida e a responsabilidade de reorganizar um elenco abalado pelos resultados recentes e pelo ambiente político conturbado dentro do clube.
A derrota por 3 a 1 para o Juventude, na última quarta-feira, acelerou drasticamente os movimentos da diretoria. Logo após a eliminação, o executivo Rui Costa e o gerente Rafinha sequer retornaram para São Paulo com a delegação. Os dirigentes seguiram diretamente para Florianópolis, onde Dorival mora, para iniciar as tratativas presenciais com o técnico.
As conversas começaram ainda na quinta-feira e atravessaram a madrugada de sexta. O encontro foi longo, cercado de cautela e marcado por momentos de forte pessimismo. Dorival ouviu atentamente o cenário apresentado pelos dirigentes e fez uma série de questionamentos sobre a situação financeira, os bastidores políticos, o planejamento esportivo e o grau de influência interna nas decisões do futebol.
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A preocupação do treinador não se limitava apenas ao campo. Dorival queria entender o contexto completo do São Paulo antes de aceitar o retorno. Perguntou sobre reforços, vendas, montagem do elenco, metas para a temporada, estabilidade administrativa e até o impacto das disputas políticas internas no cotidiano do departamento de futebol.
A parte financeira apareceu como principal obstáculo para o acordo. O treinador desejava receber valores próximos dos quase R$ 3 milhões mensais que ganhava no Corinthians, enquanto o São Paulo trabalhava inicialmente com cifras muito inferiores, próximas do salário pago em outras gestões técnicas recentes. Depois de várias horas de negociação, ambos os lados cederam.
O entendimento foi costurado somente na manhã desta sexta-feira. Dorival enviou uma contraproposta, a diretoria consultou o presidente Harry Massis Júnior e retornou com pequenos ajustes. O acerto acabou fechado em torno de R$ 2 milhões mensais para o treinador, enquanto o custo total da comissão técnica gira perto de R$ 2,5 milhões por mês.
Internamente, o São Paulo tratou a negociação como prioridade absoluta desde a saída de Roger Machado. O clube entendia que Dorival era o único nome capaz de devolver estabilidade imediata ao elenco, principalmente pela relação construída em 2023, quando comandou a campanha histórica que terminou com o inédito título da Copa do Brasil.
O peso daquele trabalho foi determinante para o retorno. Na passagem anterior, Dorival assumiu a equipe após a saída de Rogério Ceni, reorganizou o ambiente e conduziu o São Paulo a uma campanha marcante, eliminando Palmeiras, Corinthians e Flamengo até conquistar o título nacional que faltava na galeria tricolor.
Antes disso, o treinador já havia comandado o clube entre 2017 e 2018, período em que ajudou o São Paulo a escapar da ameaça de rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Agora, ele retorna ainda mais valorizado após passagens pela Seleção Brasileira e também pelo Corinthians, rival onde conquistou títulos importantes recentemente.
Na seleção, Dorival assumiu em janeiro de 2024, disputou a Copa América e permaneceu no cargo até 2025. Ao todo, foram 16 partidas, com sete vitórias, sete empates e duas derrotas. A saída ocorreu após a goleada sofrida para a Argentina pelas Eliminatórias, resultado que encerrou um ciclo curto, mas de enorme pressão.
Pouco depois, ele acertou com o Corinthians e voltou a conquistar títulos de expressão. Pelo clube alvinegro, venceu a Copa do Brasil e a Supercopa do Brasil, embora tenha deixado o cargo após uma sequência negativa de resultados. Mesmo assim, sua imagem no mercado permaneceu fortalecida, especialmente no Morumbis, onde nunca perdeu prestígio.
Durante as negociações, Dorival chegou a demonstrar interesse em fazer uma pausa na carreira até depois da Copa do Mundo. O cenário mudou justamente pela ligação construída com o São Paulo. Pessoas próximas ao treinador afirmam que o ambiente deixado em 2023, somado ao carinho da torcida e ao apoio do elenco, pesaram decisivamente para a volta.
Agora, a expectativa é que Dorival esteja no Rio de Janeiro neste sábado para acompanhar o duelo contra o Fluminense pelo Campeonato Brasileiro. Ainda não comandará a equipe à beira do campo, mas iniciará imediatamente o processo de reconstrução técnica e emocional do São Paulo, que aposta novamente no treinador para tentar transformar turbulência em reação dentro da temporada.
