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De Ancelotti a Deschamps: os técnicos que prometem marcar a Copa de 2026

Mais do que um Mundial de seleções, 2026 também será uma Copa de treinadores. E, em um torneio tão longo, plural e disputado, as decisões tomadas à beira do gramado podem pesar tanto quanto o talento de quem estará com a bola nos pés.
Carlo Ancelotti
Carlo Ancelotti - Crédito: Rafael Ribeiro/CBF

Resumo da Notícia

  • Carlo Ancelotti comandará a Seleção Brasileira em sua primeira experiência como técnico em Copas do Mundo.
  • Didier Deschamps encerrará um ciclo de 14 anos à frente da seleção francesa após o Mundial de 2026.
  • A edição de 2026 contará com a presença de técnicos veteranos, como Carlos Queiroz em Gana e Dick Advocaat em Curaçao.
  • O técnico Stale Solbakken, da Noruega, levará ao torneio uma história de superação após sofrer uma parada cardíaca em 2001.
  • Seleções favoritas como Inglaterra, Espanha e Portugal chegam ao Mundial com seus treinadores sob pressão por títulos.

A Copa do Mundo de 2026 terá um duelo à parte fora das quatro linhas. Disputado nos Estados Unidos, Canadá e México, o torneio reunirá técnicos em momentos muito diferentes da carreira: de Didier Deschamps, que fará sua despedida da seleção francesa após 14 anos, a Carlo Ancelotti, que estreará em Mundiais comandando o Brasil, maior campeão da competição.

A presença de Ancelotti à frente da Amarelinha é um dos principais símbolos dessa nova Copa. O treinador italiano tentará conduzir o Brasil ao sonhado hexa justamente em uma edição na qual a própria Itália ficará fora pela terceira vez consecutiva. Mesmo sem a Azzurra em campo, o futebol italiano terá forte presença nos bancos de reservas.

Além de Ancelotti, a escola italiana estará representada por Vincenzo Montella, técnico da Turquia, e Fabio Cannavaro, comandante do Uzbequistão. O caso de Cannavaro chama atenção pelo peso histórico: duas décadas depois de levantar a taça mundial como capitão da Itália em Berlim, ele voltará à Copa em outra função, agora à frente de uma seleção estreante.

A ausência da Itália não impede que a Copa tenha forte sotaque italiano. Para além dos treinadores nascidos no país, há nomes com ligação direta com clubes da Serie A e com a cultura tática italiana.

O francês Rudi Garcia, ex-técnico da Roma, comandará a Bélgica, seleção que chega com uma geração experiente e ainda em busca de uma campanha de grande impacto em Mundiais. Já o bósnio Vladimir Petkovic, ex-comandante da Lazio, terá a missão de recolocar a Argélia em evidência no cenário internacional.

A Lazio, aliás, aparece como ponto curioso em diferentes trajetórias. Lionel Scaloni, atual campeão mundial pela Argentina, vestiu a camisa biancoceleste na carreira como jogador e tentará levar os argentinos ao segundo título consecutivo. Já Marcelo Bielsa, conhecido como “El Loco”, comandará o Uruguai depois de uma passagem frustrada pela Lazio: ele chegou a acertar contrato com o clube, mas não assumiu o cargo por divergências internas.

Deschamps tenta fechar ciclo histórico com a França

Entre todos os nomes da Copa, Didier Deschamps carrega uma das narrativas mais fortes. Campeão mundial como jogador e também como técnico, ele encerrará sua trajetória no comando da França após 14 anos marcados por conquistas e campanhas expressivas.

A ligação de Deschamps com o futebol italiano também é relevante. Ele defendeu e treinou a Juventus, participando da reconstrução do clube depois do escândalo Calciopoli. Agora, sua última Copa pela seleção francesa terá peso de despedida e também de tentativa de fechar um ciclo com mais uma campanha memorável.

A situação de Deschamps contrasta diretamente com a de Ancelotti. Enquanto o francês chega ao Mundial em clima de encerramento, o italiano viverá sua primeira experiência em Copas como técnico de seleção. A edição de 2026, portanto, reunirá no mesmo torneio um dos ciclos mais longos do futebol de seleções e uma estreia aguardada em um dos bancos mais pressionados do mundo.

Veteranos também terão espaço na Copa de 2026

A lista de técnicos da Copa terá nomes de longa estrada. O português Carlos Queiroz disputará sua quinta Copa do Mundo, agora no comando de Gana. A experiência dele contrasta com a novidade vivida por Dick Advocaat, que fará sua estreia em Mundiais aos 78 anos, liderando Curaçao.

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A presença de Advocaat chama atenção não apenas pela idade, mas também pelo contexto da seleção que comandará. Curaçao chega ao torneio como uma equipe modesta, o que torna a estreia do treinador holandês ainda mais singular dentro do cenário da competição.

Esses casos reforçam como a Copa de 2026 reunirá técnicos em fases muito distintas: campeões tentando repetir feitos, veteranos em novos desafios, treinadores em estreia e nomes que carregarão histórias pessoais tão fortes quanto as campanhas de suas seleções.

Favoritos terão técnicos sob pressão por título

Entre as seleções apontadas como favoritas, alguns treinadores chegarão com expectativa alta. Luis de la Fuente comandará a Espanha tentando repetir o feito de Vicente del Bosque, depois de conquistar a Eurocopa de 2024 e a Liga das Nações da Uefa em 2023.

A Inglaterra será dirigida por Thomas Tuchel, que terá uma equipe estrelada e a pressão natural de transformar potencial em título. Já Roberto Martínez tentará conduzir Portugal a uma conquista inédita em Copas do Mundo.

Outro nome de destaque será Ralf Rangnick, técnico da Áustria e apontado como alvo do Milan. A Holanda estará sob o comando de Ronald Koeman, enquanto os Estados Unidos, um dos países-sede do torneio, terão Mauricio Pochettino à frente da equipe.

Ásia terá continuidade e nomes com história em Mundiais

A Coreia do Sul será comandada por Hong Myung-bo, ex-zagueiro que disputou quatro Copas do Mundo e foi capitão da seleção sul-coreana na campanha histórica de 2002. A experiência como jogador em Mundiais dá ao treinador uma ligação direta com o peso emocional do torneio.

O Japão seguirá com Hajime Moriyasu, em um projeto que chega à Copa com expectativa de surpreender. A seleção japonesa aparece entre as equipes capazes de incomodar adversários mais tradicionais, mantendo a tendência de crescimento competitivo em grandes torneios.

A história impressionante de Stale Solbakken

Entre as trajetórias pessoais mais marcantes está a de Stale Solbakken, técnico da Noruega. Em 2001, ele precisou encerrar precocemente a carreira como jogador depois de sofrer uma parada cardíaca durante um treinamento.

Solbakken permaneceu alguns minutos clinicamente morto, mas recuperou os sinais vitais ainda dentro da ambulância. Depois, recebeu um marca-passo e iniciou uma trajetória bem-sucedida como treinador.

A presença dele na Copa de 2026 acrescenta uma dimensão humana ao torneio. Em meio a nomes consagrados, estreantes e técnicos sob pressão por títulos, Solbakken levará à beira do gramado uma história de sobrevivência, reconstrução e permanência no futebol.

Uma Copa também decidida na área técnica

A Copa do Mundo de 2026 terá estrelas em campo, mas parte importante da disputa estará nos bancos. Ancelotti tentará transformar experiência de clubes em sucesso com o Brasil. Deschamps buscará uma despedida à altura da trajetória pela França. Scaloni tentará manter a Argentina no topo. Tuchel, De la Fuente e Roberto Martínez chegarão pressionados por seleções fortes.

Ao mesmo tempo, nomes como Cannavaro, Advocaat, Queiroz, Pochettino, Moriyasu, Hong Myung-bo e Solbakken levarão ao torneio histórias próprias, algumas ligadas a conquistas, outras a recomeços ou desafios inéditos.

Mais do que um Mundial de seleções, 2026 também será uma Copa de treinadores. E, em um torneio tão longo, plural e disputado, as decisões tomadas à beira do gramado podem pesar tanto quanto o talento de quem estará com a bola nos pés.

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