Resumo da Notícia
O Atlético-MG encerrou o exercício de 2025 com prejuízo contábil de R$ 882 milhões, segundo as demonstrações financeiras divulgadas pelo clube.
O resultado negativo veio acompanhado de forte pressão sobre o endividamento, que ultrapassou a casa dos R$ 2 bilhões em uma das metodologias de cálculo. Pelo critério usado pelo próprio clube, a dívida está em R$ 1,78 bilhão, acima dos R$ 1,4 bilhão registrados em 2024.
O principal fator que ampliou o prejuízo do Atlético-MG em 2025 foi uma perda de valor justo de R$ 572 milhões, registrada nas demonstrações financeiras. De acordo com as notas explicativas, a administração do clube afirmou que “tal efeito possui natureza não financeira e pontual”.
Por esse motivo, o Galo considera que o prejuízo ajustado do exercício foi de R$ 310 milhões, descontando esse efeito contábil específico.
A nota explicativa 15.1 detalha a origem do impacto:
“Em 30 de novembro de 2025, a LCA Consultores, empresa independente especializada, realizou a avaliação do Departamento de Futebol, com base na metodologia de fluxo de caixa descontado para a firma (FCFF). Com base nessa avaliação, foi identificado que o valor recuperável dos ativos vinculados ao Departamento de Futebol é inferior ao seu valor contábil. Dessa forma, a Companhia reconheceu uma perda por redução ao valor recuperável (impairment) no montante de R$ 572.161(milhões) registrada no resultado do exercício findo em 31 de dezembro de 2025“.
Receitas cresceram, mas custos pesaram no resultado
Mesmo com prejuízo elevado, o Atlético-MG teve aumento de receita em 2025. A receita bruta chegou a R$ 768 milhões, crescimento de 14% em relação a 2024.
Desse total, R$ 565 milhões vieram de direitos de transmissão, bilheteria, sócio-torcedor, premiações, receitas comerciais e valores oriundos da Arena MRV.
Já a receita líquida foi de R$ 727 milhões, puxada principalmente por:
| Fonte de receita | Valor |
|---|---|
| Direitos de transmissão | R$ 282 milhões |
| Vendas de atletas | R$ 203 milhões |
| Explorações comerciais | R$ 139 milhões |
Apesar da arrecadação, a conta negativa foi pressionada pelos custos operacionais, que somaram R$ 461 milhões, e pelos investimentos no futebol, que chegaram a R$ 181 milhões.
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Como ficou a dívida do Atlético-MG
O Atlético-MG considera, para efeito de cálculo do endividamento, todos os passivos menos os ativos com efeito caixa, conforme informado ao ge no ano passado. Por esse critério, o clube apresenta endividamento de R$ 1,78 bilhão.
Em 2024, pela metodologia do clube, a dívida era de R$ 1,4 bilhão.
Já pela conta utilizada pelo ge, que soma dívidas de curto prazo e longo prazo, o total chega a R$ 2,66 bilhões. Desse valor, são abatidas receitas antecipadas de curto prazo (R$ 91 milhões), receitas antecipadas de longo prazo (R$ 356 milhões) e o total em caixa ao fim de 2024 (R$ 174 milhões). Com isso, o valor informado chega a R$ 2,196 bilhões acumulados.
Endividamento bancário, tributário e compra de atletas cresceram
O aumento da dívida também aparece em frentes específicas. O endividamento bancário do Atlético-MG passou de R$ 555 milhões para R$ 654 milhões.
As dívidas tributárias subiram de R$ 388 milhões para R$ 487 milhões. Já o endividamento relacionado à compra de atletas mais que dobrou, passando de R$ 100 milhões para R$ 243 milhões.
| Tipo de dívida | Valor anterior | Valor em 2025 |
|---|---|---|
| Endividamento bancário | R$ 555 milhões | R$ 654 milhões |
| Dívidas tributárias | R$ 388 milhões | R$ 487 milhões |
| Compra de atletas | R$ 100 milhões | R$ 243 milhões |
Folha do futebol e vendas de jogadores
A folha do futebol profissional representou 67% do total dos custos operacionais em 2025. As despesas cresceram 7% em relação ao exercício anterior.
O clube também registrou aumento na arrecadação com venda de atletas. As principais negociações divulgadas foram:
| Jogador | Destino | Valor |
|---|---|---|
| Alisson | Shakthar | R$ 77 milhões |
| Rubens | Dínamo Moscou | R$ 55 milhões |
| Zaracho | Racing | R$ 12 milhões |
| Rodrigo Battaglia | — | R$ 9,5 milhões |
| Otávio | Fluminense | R$ 8,5 milhões |
O cenário financeiro mostra um clube com receitas relevantes, especialmente em transmissão, arena, comércio e venda de jogadores, mas ainda pressionado por custos operacionais altos, despesas do futebol e crescimento de obrigações financeiras.
