Atlético-MG fecha 2025 com prejuízo de R$ 882 milhões e dívida acima de R$ 2 bilhões

O cenário financeiro mostra um clube com receitas relevantes, especialmente em transmissão, arena, comércio e venda de jogadores, mas ainda pressionado por custos operacionais altos, despesas do futebol e crescimento de obrigações financeiras.
Atlético-MG tem prejuízo de R$ 882 milhões e vê dívida crescer no balanço
Escudo; camisa; Atlético-MG — Foto: Pedro Souza / Atlético-MG

Resumo da Notícia

  • O Atlético-MG registrou um prejuízo contábil de R$ 882 milhões ao final de 2025.
  • O endividamento do clube superou a marca de R$ 2 bilhões, com o cálculo do próprio clube apontando R$ 1,78 bilhão.
  • Um fator chave para o prejuízo foi uma perda de valor justo de R$ 572 milhões, considerada um efeito não financeiro e pontual pela administração.
  • Apesar do resultado negativo, a receita bruta do clube cresceu 14% em 2025, atingindo R$ 768 milhões.
  • As receitas com direitos de transmissão, vendas de atletas e explorações comerciais foram os principais destaques.
  • Custos operacionais e investimentos no futebol pressionaram o resultado financeiro, totalizando R$ 461 milhões e R$ 181 milhões, respectivamente.
  • O endividamento bancário, tributário e com compra de atletas apresentou aumento significativo.
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O Atlético-MG encerrou o exercício de 2025 com prejuízo contábil de R$ 882 milhões, segundo as demonstrações financeiras divulgadas pelo clube.

O resultado negativo veio acompanhado de forte pressão sobre o endividamento, que ultrapassou a casa dos R$ 2 bilhões em uma das metodologias de cálculo. Pelo critério usado pelo próprio clube, a dívida está em R$ 1,78 bilhão, acima dos R$ 1,4 bilhão registrados em 2024.

O principal fator que ampliou o prejuízo do Atlético-MG em 2025 foi uma perda de valor justo de R$ 572 milhões, registrada nas demonstrações financeiras. De acordo com as notas explicativas, a administração do clube afirmou que tal efeito possui natureza não financeira e pontual.

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Por esse motivo, o Galo considera que o prejuízo ajustado do exercício foi de R$ 310 milhões, descontando esse efeito contábil específico.

A nota explicativa 15.1 detalha a origem do impacto:

Em 30 de novembro de 2025, a LCA Consultores, empresa independente especializada, realizou a avaliação do Departamento de Futebol, com base na metodologia de fluxo de caixa descontado para a firma (FCFF). Com base nessa avaliação, foi identificado que o valor recuperável dos ativos vinculados ao Departamento de Futebol é inferior ao seu valor contábil. Dessa forma, a Companhia reconheceu uma perda por redução ao valor recuperável (impairment) no montante de R$ 572.161(milhões) registrada no resultado do exercício findo em 31 de dezembro de 2025“.

Receitas cresceram, mas custos pesaram no resultado

Mesmo com prejuízo elevado, o Atlético-MG teve aumento de receita em 2025. A receita bruta chegou a R$ 768 milhões, crescimento de 14% em relação a 2024.

Desse total, R$ 565 milhões vieram de direitos de transmissão, bilheteria, sócio-torcedor, premiações, receitas comerciais e valores oriundos da Arena MRV.

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Já a receita líquida foi de R$ 727 milhões, puxada principalmente por:

Fonte de receitaValor
Direitos de transmissãoR$ 282 milhões
Vendas de atletasR$ 203 milhões
Explorações comerciaisR$ 139 milhões

Apesar da arrecadação, a conta negativa foi pressionada pelos custos operacionais, que somaram R$ 461 milhões, e pelos investimentos no futebol, que chegaram a R$ 181 milhões.

Como ficou a dívida do Atlético-MG

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O Atlético-MG considera, para efeito de cálculo do endividamento, todos os passivos menos os ativos com efeito caixa, conforme informado ao ge no ano passado. Por esse critério, o clube apresenta endividamento de R$ 1,78 bilhão.

Em 2024, pela metodologia do clube, a dívida era de R$ 1,4 bilhão.

Já pela conta utilizada pelo ge, que soma dívidas de curto prazo e longo prazo, o total chega a R$ 2,66 bilhões. Desse valor, são abatidas receitas antecipadas de curto prazo (R$ 91 milhões), receitas antecipadas de longo prazo (R$ 356 milhões) e o total em caixa ao fim de 2024 (R$ 174 milhões). Com isso, o valor informado chega a R$ 2,196 bilhões acumulados.

Endividamento bancário, tributário e compra de atletas cresceram

O aumento da dívida também aparece em frentes específicas. O endividamento bancário do Atlético-MG passou de R$ 555 milhões para R$ 654 milhões.

As dívidas tributárias subiram de R$ 388 milhões para R$ 487 milhões. Já o endividamento relacionado à compra de atletas mais que dobrou, passando de R$ 100 milhões para R$ 243 milhões.

Tipo de dívidaValor anteriorValor em 2025
Endividamento bancárioR$ 555 milhõesR$ 654 milhões
Dívidas tributáriasR$ 388 milhõesR$ 487 milhões
Compra de atletasR$ 100 milhõesR$ 243 milhões

Folha do futebol e vendas de jogadores

A folha do futebol profissional representou 67% do total dos custos operacionais em 2025. As despesas cresceram 7% em relação ao exercício anterior.

O clube também registrou aumento na arrecadação com venda de atletas. As principais negociações divulgadas foram:

JogadorDestinoValor
AlissonShaktharR$ 77 milhões
RubensDínamo MoscouR$ 55 milhões
ZarachoRacingR$ 12 milhões
Rodrigo BattagliaR$ 9,5 milhões
OtávioFluminenseR$ 8,5 milhões

O cenário financeiro mostra um clube com receitas relevantes, especialmente em transmissão, arena, comércio e venda de jogadores, mas ainda pressionado por custos operacionais altos, despesas do futebol e crescimento de obrigações financeiras.

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