A trajetória de Ángel Di María no futebol argentino voltou a ganhar contornos de despedida justamente no momento em que o mercado brasileiro começa a observar com atenção a situação do craque. Aos 38 anos, campeão do mundo com a Argentina e ainda decisivo dentro de campo, o meia-atacante passou a enxergar o Brasil como um possível destino para a sequência da carreira, movimento que reacendeu especulações antigas envolvendo clubes do Brasileirão, especialmente o Flamengo.
Mesmo defendendo atualmente o Rosario Central, Di María já deixou claro nos bastidores que pretende continuar atuando na América do Sul. O contrato do jogador termina em 30 de junho e, embora não exista negociação oficial em andamento, a possibilidade de uma saída nas próximas semanas ganhou força depois das recentes declarações do argentino sobre o ambiente do futebol local.
A insatisfação do camisa 11 ficou ainda mais evidente após a classificação do Rosario Central sobre o Racing Club, pelas quartas de final do Apertura do Campeonato Argentino. O confronto terminou cercado de polêmicas envolvendo arbitragem e críticas públicas feitas por Diego Milito, presidente do clube derrotado, que afirmou que “o futebol argentino está em frangalhos” após a eliminação.
As declarações irritaram profundamente Di María. O veterano utilizou as redes sociais para rebater as críticas e defender o crescimento dos clubes do interior argentino, acusando parte da imprensa de Buenos Aires de tentar diminuir equipes fora da capital. O desabafo rapidamente tomou conta do noticiário esportivo e reforçou a sensação de desgaste do atleta com o cenário atual do futebol argentino.
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Em uma das respostas mais fortes, o meia questionou diretamente o tratamento dado aos campeões mundiais que retornam ao país. Segundo ele, muitos defendem a volta desses jogadores apenas para utilizá-los como símbolo político ou institucional, sem oferecer um ambiente saudável para competir. A frase repercutiu fortemente entre torcedores e dirigentes: “Querem que os campeões mundiais venham jogar na Argentina. Para quê?”.
O episódio aumentou a percepção de que Di María pode realmente antecipar sua saída do Rosario Central. Apesar de manter números expressivos no retorno ao clube que o revelou — são 33 partidas, 13 gols e sete assistências —, o argentino avalia cuidadosamente o próximo passo da carreira e passou a considerar com mais atenção a possibilidade de atuar no futebol brasileiro.
Nos bastidores, o nome do jogador voltou a ser ligado ao Flamengo após declarações de Mancuso, ex-lateral do clube carioca. O antigo jogador revelou que conversou pessoalmente com Di María e chegou a incentivá-lo a vestir a camisa rubro-negra antes mesmo de retornar ao Rosario Central, dizendo que o argentino “tem a cara do Flamengo”.
A revelação reacendeu um assunto que já havia circulado no mercado em outras janelas. Depois de deixar o Benfica, após a disputa do Mundial de Clubes de 2025, Di María recebeu sondagens de equipes brasileiras. Na época, Palmeiras, Corinthians e o próprio Flamengo buscaram informações sobre a situação do jogador.
Embora nenhuma proposta oficial tenha sido apresentada até agora, pessoas próximas ao atleta indicam que o Brasileirão é visto com bons olhos. O peso financeiro do mercado brasileiro, aliado à competitividade crescente do campeonato e à visibilidade internacional dos clubes do país, aparece como um atrativo importante para um jogador que ainda deseja atuar em alto nível no continente.
Além da questão esportiva, Di María também enxerga o futebol brasileiro como um ambiente mais estruturado neste momento da carreira. O argentino entende que o cenário atual na Argentina se tornou excessivamente politizado e desgastante, principalmente após as recentes polêmicas envolvendo arbitragem, pressão midiática e disputas entre dirigentes e federação.
Enquanto o futuro segue indefinido, o Rosario Central tenta manter o foco na reta decisiva da temporada. A equipe enfrentará o River Plate na semifinal do torneio nacional em confronto único, marcado para o próximo domingo. Internamente, existe a esperança de que uma campanha forte possa convencer o ídolo a permanecer por mais tempo no clube.
Mesmo assim, a possibilidade de transferência continua sendo tratada como real nos bastidores do mercado sul-americano. Pessoas ligadas ao jogador afirmam que a decisão definitiva sobre o futuro será tomada apenas após a abertura da próxima janela internacional, período em que clubes brasileiros devem voltar a monitorar a situação do argentino.
Com passagens por gigantes europeus como Real Madrid, Paris Saint-Germain, Juventus e Manchester United, Di María construiu uma carreira marcada por títulos, protagonismo e regularidade em alto nível. Mesmo próximo do fim da trajetória profissional, o argentino segue valorizado e desperta interesse justamente por ainda conseguir decidir jogos importantes.
No Flamengo, o tema ganhou ainda mais repercussão porque o clube continua atento ao mercado em busca de reforços de impacto para o restante da temporada. Embora o foco imediato esteja nas competições em andamento e no duelo contra o Vitória pela Copa do Brasil, a situação de Di María permanece sendo observada de perto, principalmente diante do desejo declarado do craque de continuar atuando na América do Sul.
