Resumo da Notícia
A nova fase de Pluribus aprofunda a espiral de inquietação provocada pela série criada por Vince Gilligan para a Apple TV, especialmente a partir do momento em que o enigma do “déficit calórico” deixa de ser uma metáfora biológica e se assume como um sinal de decadência moral.
O episódio mais recente não apenas confirma o que muitos espectadores temiam, mas também expõe a fragilidade de um sistema que se define como iluminado, harmonioso e incapaz de causar dano — ainda que esse mesmo sistema esteja condenado à própria extinção.
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Desde a estreia da série, as perguntas semanais se tornaram parte da experiência de acompanhar Pluribus. A protagonista Carol (interpretada por Rhea Seehorn) continua sendo uma das poucas pessoas que resistiram ao vírus de origem desconhecida que transformou quase toda a humanidade em uma colmeia conectada, alegre e supostamente pacífica. Mas, ao contrário da serenidade coletiva, Carol permanece carregando o peso existencial da solidão e da repulsa diante daquilo que a colmeia se tornou — e o episódio desta semana apenas aprofunda esse abismo emocional.
O horror por trás do “déficit calórico”
O ponto central da narrativa é a revelação do que a colmeia estava consumindo em segredo. E sim: é carne humana. A descoberta de Carol confirma que a repulsa que sentiu no episódio anterior não era exagero. A explicação dada pela própria colmeia é perturbadora: por não conseguirem causar qualquer tipo de dano — inclusive a plantas —, eles sequer podem colher uma maçã. Isso criou o que John Cena descreve, em um vídeo educativo exibido dentro da série, como um “déficit calórico severo”.
A solução encontrada pela colmeia atende pelo nome de HDP, ou Proteína Derivada de Humanos, uma mistura de pequenas porções de carne de pessoas que morreram de causas naturais, incorporada às refeições. É o tipo de detalhe que transforma a utopia aparente em distopia assumida — e que leva Carol a refletir sobre o futuro de bilhões de indivíduos.
Segundo Mr. Diabaté (Samba Schutte), a situação é insustentável: com mais de sete bilhões de integrantes, a colmeia pode simplesmente morrer de fome em até dez anos. Se Carol realmente deseja “salvar o mundo”, derrubar o sistema coletivo talvez seja a única saída.
O dilema da conversão: a colmeia tem solução — mas exige consentimento
Outro ponto essencial do episódio é a descoberta de que a colmeia tem um método para integrar Carol e os demais sobreviventes. A condição, porém, é clara: o procedimento é invasivo e só pode ser realizado com consentimento. E Carol, coerente com sua recusa absoluta em aderir ao coletivo, não aceita.
A tensão aumenta quando percebemos que a colmeia não é agressiva, mas também não é totalmente confiável. A ausência de coerção direta não elimina a pressão, sutil e constante, para que todos caminhem em direção à união da mente coletiva.
Manousos em movimento — e a esperança de uma aliança
O episódio avança também no arco de Manousos (Carlos-Manuel Vesga), outro sobrevivente humano que finalmente decide sair de seu isolamento após assistir às fitas de Carol. Ele é um dos poucos que compartilham a mesma repulsa pela colmeia e pela normalização do HDP, o que o torna peça-chave para qualquer tentativa de reconstrução do mundo.
O problema é a geografia: ele vive no Paraguai, enquanto Carol está em Albuquerque. Sem voos, sem ajuda e com a recusa em aceitar qualquer suporte da colmeia, a viagem se torna quase uma epopeia.
Mr. Diabaté: lucidez adiada ou perda definitiva?
A presença de Mr. Diabaté cria um contraponto interessante. Ele está vivendo intensamente os confortos oferecidos pelo coletivo — inclusive em Las Vegas, onde a colmeia se fantasia como figurantes de um filme de James Bond. A resposta que ele dá a Carol, quando ela explode de indignação ao ver a colmeia se levando à morte, é reveladora: “Eles não veem dessa forma.” Resta saber até quando a negação vai durar.
