Resumo da Notícia
A decisão de reformular o elenco de Rhaenyra Targaryen e Alicent Hightower no meio da primeira temporada de A Casa do Dragão chamou atenção, gerou estranhamento inicial e virou tema de debate entre fãs.
Mas, ao contrário do que parece à primeira vista, a mudança não foi improvisada nem estética: ela faz parte da engenharia narrativa central da série, pensada desde o início para sustentar um salto temporal decisivo e preparar o terreno para a guerra civil mais sangrenta da história dos Targaryen.
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Nos primeiros episódios, Rhaenyra e Alicent surgem ainda jovens, interpretadas por Milly Alcock (Rhaenyra) e Emily Carey (Alicent). A relação entre as duas — marcada por amizade, lealdade e, aos poucos, ressentimento — é o coração emocional do início da trama. Esse vínculo, porém, não foi concebido para durar visualmente por toda a temporada. A série precisava avançar no tempo de forma abrupta para alcançar o conflito central conhecido como Dança dos Dragões.
Um salto de dez anos que exigia novas atrizes
A virada acontece no episódio 6 da primeira temporada, “A Princesa e a Rainha”. A partir dali, Rhaenyra passa a ser interpretada por Emma D’Arcy, enquanto Alicent ganha o rosto de Olivia Cooke. A troca acompanha um salto temporal de cerca de dez anos, período essencial para que as personagens amadureçam, consolidem escolhas políticas e se tornem líderes de facções opostas.
Manter Milly Alcock, que tinha cerca de 21 anos durante as filmagens, e Emily Carey, então com 18, para representar mulheres já adultas, mães e figuras centrais do jogo de poder, criaria uma distorção visual e dramática difícil de sustentar. O envelhecimento artificial por maquiagem não resolveria o problema de postura, presença cênica e peso dramático exigidos na segunda metade da temporada.
A série optou, portanto, por um caminho mais arriscado, porém mais honesto com a história que queria contar.
A explicação oficial dos showrunners
Pouco depois da exibição do episódio que marcou a troca, o co-showrunner Ryan Condal falou abertamente sobre o temor por trás da decisão. Em outubro de 2022, ele admitiu:
“Isso me deu um medo danado. Ninguém tinha feito algo assim antes. O exemplo mais próximo que eu tinha era The Crown, uma das minhas séries favoritas dos últimos 20 anos. Eles fizeram isso de forma incrivelmente bem-sucedida. Você aceitava que eram os mesmos personagens.”
Condal também explicou que, diferentemente de The Crown, que trabalha com figuras históricas amplamente conhecidas, A Casa do Dragão precisava convencer o público a seguir os personagens, não os atores. Segundo ele:
“Se o drama fosse forte o suficiente e a história convincente, as pessoas ficariam. E foi exatamente isso que aconteceu.”
A fala revela um ponto-chave: a troca não foi reação à recepção do público, mas parte de uma estrutura narrativa planejada desde o roteiro inicial.
Outros personagens também passaram por reformulação
Rhaenyra e Alicent não foram casos isolados. Diversos personagens jovens também tiveram seus intérpretes substituídos após os saltos temporais. Laenor Velaryon, vivido inicialmente por Theo Nate, passou a ser interpretado por John Macmillan. Laena Velaryon, antes interpretada por Savannah Steyn, ganhou o rosto de Nanna Blondell.
O mesmo ocorreu com a nova geração: Jacaerys Velaryon, Aegon II Targaryen, Aemond Targaryen, Lucerys Velaryon e Helaena Targaryen tiveram seus atores trocados à medida que os personagens envelheciam rapidamente. A lógica foi simples e coerente: personagens abaixo dos 20 anos sofrem mudanças físicas muito mais perceptíveis, o que exige novas interpretações para manter a credibilidade visual.
Por que alguns personagens não mudaram de ator
Enquanto parte do elenco foi reformulada, nomes centrais permaneceram intocados. Daemon Targaryen, interpretado por Matt Smith; Viserys I, vivido por Paddy Considine; Rhaenys Targaryen, Corlys Velaryon, Otto Hightower e Criston Cole mantiveram seus intérpretes.
A decisão se explica por dois fatores. Primeiro, esses personagens já eram adultos maduros no início da história, o que reduz drasticamente o impacto visual do envelhecimento. Segundo, manter parte do elenco fixo ajudou a ancorar o espectador durante a transição, oferecendo rostos familiares enquanto novos intérpretes assumiam papéis centrais.
O caso de Viserys é exemplar: em vez de troca de ator, a produção optou por um trabalho intenso de maquiagem, permitindo que o personagem envelhecesse de forma progressiva e dolorosa, sem perder a força dramática de Considine.
A troca foi dolorosa, mas funcionou
É inegável que a saída de Milly Alcock e Emily Carey causou impacto emocional. Ambas entregaram performances elogiadas e ajudaram a estabelecer o tom trágico da série. No entanto, Emma D’Arcy e Olivia Cooke assumiram o protagonismo com autoridade, aprofundando as camadas psicológicas das personagens.
A Rhaenyra de D’Arcy carrega o peso da frustração, da raiva contida e da ambição política com intensidade crescente. Já a Alicent de Cooke se revela mais rígida, calculista e consumida por conflitos internos, o que amplia a dimensão trágica da rivalidade.
Importante destacar que a escalação foi pensada de trás para frente: D’Arcy e Cooke foram escolhidas primeiro, e Alcock e Carey foram selecionadas para construir versões jovens que dialogassem fisicamente e emocionalmente com as intérpretes adultas. Isso explica por que a transição parece, apesar do choque inicial, surpreendentemente natural.
Onde estão Milly Alcock e Emily Carey hoje
Após deixar A Casa do Dragão, Milly Alcock seguiu carreira ascendente. Ela estrelou a série Sereias, da Netflix, e fez uma participação especial no filme Superman (2025), dirigido por James Gunn, interpretando Kara Zor-El, a Supergirl. A atriz será protagonista do filme Supergirl, dirigido por Craig Gillespie, com estreia prevista para junho, consolidando sua presença no novo universo cinematográfico da DC.
Emily Carey, por sua vez, ganhou destaque em produções como Geek Girl, da Netflix, no papel de Harriet Manners, além de trabalhos em séries britânicas e dublagem, incluindo a animação The Witcher: Sirens of the Deep.
Um caminho trágico já anunciado
Com a segunda temporada avançando e a terceira confirmada, A Casa do Dragão se aproxima do cerne da Dança dos Dragões, conflito que devastará a Casa Targaryen. Para quem conhece Fogo & Sangue, de George R. R. Martin, o destino de Rhaenyra e Alicent já está traçado — e ele é tudo, menos misericordioso.
A série precisava que suas protagonistas estivessem à altura da tragédia que virá. A troca de atrizes, por mais ousada que tenha sido, não apenas respeitou essa necessidade como se mostrou fundamental para que a história alcançasse o peso dramático que promete marcar a televisão por anos.



