Resumo da Notícia
A série O Cavaleiro dos Sete Reinos começa a revelar, de forma sutil e calculada, um dos conflitos mais violentos e politicamente decisivos da história de Westeros: a Rebelião Blackfyre. O tema surge no episódio “O Escudeiro”, terceiro da primeira temporada, quando Egg canta uma canção que, à primeira vista, parece apenas um detalhe folclórico, mas que carrega o peso de uma guerra civil responsável por redefinir alianças, famílias e a própria noção de legitimidade no Trono de Ferro.
A escolha narrativa não é aleatória. No universo criado por George R. R. Martin, a história nunca é apenas passado: ela retorna, se repete e cobra seu preço. Mesmo após o desfecho relativamente estável de Game of Thrones, o próprio cânone deixa claro que Westeros jamais está livre de novas rebeliões.
O Cavaleiro dos Sete Reinos parte exatamente desse princípio ao preparar o terreno para conflitos futuros que ainda ecoam decisões tomadas décadas antes.
A canção de Egg e o peso da Rebelião Blackfyre
Egg — personagem vivido por Dexter Sol Ansell — canta sobre a Primeira Rebelião Blackfyre, embora, dentro da cronologia da série, ela seja tratada apenas como Rebelião Blackfyre, já que uma segunda ainda não aconteceu. A letra menciona diretamente Maekar Targaryen, pai de Egg, e Baelor, seu tio, que lutaram juntos contra Daemon I Blackfyre, meio-irmão bastardo do rei Daeron II Targaryen.
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Essa referência aparentemente simples adiciona camadas importantes à relação tensa entre Baelor e Maekar, algo que a série começa a explorar com mais profundidade. Mais do que isso, antecipa que, em temporadas futuras, o público verá as consequências diretas da rebelião sobre aqueles que escolheram apoiar Daemon Blackfyre — consequências que não terminaram com o fim da guerra.
O que foi a Primeira Rebelião Blackfyre

A Rebelião Blackfyre nasce de uma árvore genealógica confusa, marcada por acusações de adultério, disputas de legitimidade e ressentimentos antigos. Daemon Blackfyre nasceu em 170 AC, filho de Daena Targaryen, após ela escapar do confinamento conhecido como Maidenvault, na Fortaleza Vermelha. O pai mais provável de Daemon era Aegon IV, famoso por gerar inúmeros filhos bastardos, embora Daena jamais tenha confirmado publicamente essa paternidade.
Anos antes, Daeron II havia nascido do casamento entre Aegon IV e Naerys Targaryen. Mesmo sendo o filho mais velho e herdeiro legítimo, Daeron II teve sua origem constantemente questionada, inclusive pelo próprio pai, que insinuava um suposto relacionamento entre Naerys e o irmão dela, Aemon. Em seu leito de morte, Aegon IV legitimou todos os seus bastardos, incluindo Daemon, deixando implícita a preferência por ele como sucessor ao Trono de Ferro.
Quando Daeron II assumiu o trono, tentou apaziguar os meio-irmãos e consolidar alianças, especialmente com Dorne. Essa política, no entanto, desagradou parte da nobreza, que rejeitava a influência dornesa e via em Daemon Blackfyre um líder mais carismático, guerreiro e “verdadeiramente Targaryen” em aparência e comportamento. Para muitos, Daeron II não passava de um bastardo sentado no trono.
A guerra e o campo de batalha mais sangrento
Em 196 AC, Daemon ergueu o estandarte do dragão negro, símbolo que se tornaria sinônimo de traição ao longo da história. Diversas batalhas marcaram a rebelião, mas nenhuma foi tão devastadora quanto a Batalha do Campo do Capim Vermelho. Foi ali que os filhos de Daeron II, Baelor e Maekar, lutaram lado a lado e aplicaram a estratégia conhecida como “o martelo e a bigorna”, que esmagou o exército rebelde.
A vitória, porém, teve um custo humano imenso. Daemon Blackfyre morreu no campo de batalha, assim como cerca de 10 mil homens. Embora a estratégia tenha sido decisiva, Baelor recebeu o crédito pela vitória, o que alimentou ainda mais o ressentimento de Maekar — um detalhe que ajuda a explicar conflitos familiares que ainda reverberam em O Cavaleiro dos Sete Reinos.
As consequências que ecoam até Dunk e Egg

Após a guerra, Daeron II puniu severamente os apoiadores de Daemon, retirando títulos, terras e riquezas, além de exigir reféns como garantia de lealdade. Os descendentes de Daemon e outros bastardos legitimados fugiram para Essos, vivendo no exílio. Esses eventos não ficaram enterrados no passado.
Nas próximas temporadas, a série deve apresentar personagens diretamente ligados à rebelião, como Sor Eustace Osgrey, que apoiou Daemon e surge na novela “A Espada Juramentada”, onde Dunk — interpretado por Peter Claffey — entra a seu serviço. Já em “O Cavaleiro Misterioso”, Dunk enfrenta novos conspiradores liderados por Daemon II, que planejam uma segunda rebelião.
A Rebelião Blackfyre reforça um dos temas centrais das histórias de Dunk e Egg: a guerra não acaba quando as espadas se calam, e a história é escrita pelos vencedores. Embora muitos tenham seguido Daemon por acreditarem genuinamente que ele seria um rei melhor, acabaram marcados para sempre como traidores. Para gerações futuras, incluindo Dunk, essa versão oficial dos fatos é tudo o que resta.
