It: Bem-Vindos a Derry explica por que Pennywise não sai da cidade

Em vez de um terror absoluto e quase metafísico, o que se desenha é um alienígena poderosíssimo, mas com regras e fraquezas específicas.
Os 13 pilares que prendem Pennywise em Derry
Os 13 pilares que prendem Pennywise em Derry

Resumo da Notícia

  • A série IT: Bem-Vindos a Derry aprofunda a mitologia de Pennywise ao revelar, no quarto episódio, que o exército norte-americano tenta transformar a criatura em arma para a Guerra Fria, recorrendo às memórias de Taniel e ao poder psíquico de Dick Hallorann.
  • As lembranças da tia Rose mostram que os nativos de Derry chamavam Pennywise de Galloo, descobriram que a “estrela” que o trouxe era também sua prisão e forjaram uma arma com um fragmento do cometa, embora evitassem a Western Woods por saberem que ali era o terreno de caça da entidade.
  • Com a chegada dos colonos no século XVIII, os avisos indígenas são ignorados, o monstro se fortalece e surge a figura de Necani, que tenta enfrentar o Galloo com uma faca feita do fragmento do cometa, mas acaba liderando um plano alternativo para conter a criatura após a morte da mãe, Sesqui.
  • Necani e outras crianças enterram treze fragmentos em círculo ao redor da Western Woods, marcados por fogueiras que se tornam pilares místicos, um deles dentro de uma carapaça de tartaruga, criando uma barreira que prende Pennywise dentro de seus domínios e, na prática, define as bordas sobrenaturais de Derry.
  • Enquanto a série estabelece limites claros, com pilares, faca e fronteiras mágicas, o livro de Stephen King sugere que Pennywise poderia sair de Derry, citando casos como a morte de Richard Macklin em Falmouth e a influência sobre Stan Uris e Henry Bowers, o que reforça o debate se explicar demais a criatura diminui ou não o impacto de seu terror.
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It: Bem-Vindos a Derry enfim oferece uma resposta direta para uma pergunta que muitos fãs já se fizeram: por que Pennywise nunca sai de Derry, no Maine? O quarto episódio, intitulado “The Great Swirling Apparatus of Our Planet’s Function”, entrega um verdadeiro “pacote de lore” que delimita, com muita clareza, os limites do monstro e da própria cidade.

Na trama, estamos em plena Guerra Fria. O exército norte-americano acredita que encontrou uma possível vantagem estratégica contra a União Soviética: Pennywise como arma. A criatura passa a ser vista pelos militares como um “recurso” a ser estudado, compreendido e, se possível, controlado. Para decifrar esse poder, eles miram em quem tem relação com a história sobrenatural de Derry.

É aí que entra Taniel (Joshua Odjick), um nativo que acompanha discretamente as escavações da Operação Precept, o grande sítio de exploração ligado à criatura. Taniel é capturado, e o comando militar decide ir além da força física: chama Dick Hallorann (Chris Chalk) para usar suas habilidades psíquicas e vasculhar a mente do prisioneiro em busca de respostas. O resultado é uma enxurrada de memórias que reconstrói como a população indígena de Derry enfrentou “o Galloo”, muitos séculos antes de Pennywise assumir o visual do palhaço que o público conhece.

O Galloo, o cometa e a arma forjada a partir da prisão de Pennywise

A população nativa de Derry prendeu Pennywise na floresta, séculos atrás
A população nativa de Derry prendeu Pennywise na floresta, séculos atrás

Pela memória de Taniel, vemos a sua tia Rose (Kimberly Norris Guerrero) perguntando ao jovem Taniel (Tes Garcia) como os nativos lidavam com o monstro que assolava a região. Eles não o chamavam de Pennywise, mas sim de “O Galloo”, e ensinavam às crianças que evitassem a Western Woods, a floresta que funcionava como território de caça da criatura.

A série volta ainda mais no tempo e mostra o momento em que a entidade cai em Derry sob a forma de um cometa. O impacto abre a “casca” desse astro, liberando a forma verdadeira de Pennywise, os Deadlights. Esse ponto geral já era conhecido dos filmes, mas a série acrescenta um detalhe crucial: os nativos percebem que a mesma “estrela” que trouxe a criatura também servia como prisão.

A partir dos destroços desse cometa, a população indígena extrai um fragmento e forja uma arma capaz de ferir o Galloo. Mesmo com esse poder em mãos, eles mantêm uma regra rígida: não entrar na área de caça da criatura, mantendo distância da Western Woods para preservar a comunidade.

Tudo se complica com a chegada dos colonos. A série não fixa uma data exata para isso, mas sugere que se trata de um ponto no século XVIII, algo como “nos anos 1700”. Enquanto os nativos alertam os recém-chegados sobre o Galloo, os colonos simplesmente ignoram os avisos, caçam na floresta e acabam se tornando caça. A criatura se fortalece e, percebendo que o monstro logo passaria a caçar além dos limites da mata, os nativos optam por se retirar da região.

Necani, a faca do cometa e os 13 pilares que cercam Derry

Os 13 pilares que prendem Pennywise em Derry
Os 13 pilares que prendem Pennywise em Derry

Antes da retirada definitiva, surge uma figura central para o novo mito: Necani (Kiawentiio), uma jovem indígena que acredita ser possível matar o Galloo usando a faca forjada com o fragmento da “estrela”. Em uma espécie de “Clube dos Otários” ancestral, ela se une a outras crianças e entra na floresta para tentar enfrentar a criatura.

Os pais, liderados pela mãe de Necani, Sesqui (Morningstar Angeline), organizam um grupo de guerra para resgatar os filhos. O que encontram é o horror puro. O monstro se manifesta primeiro na forma de um alce demoníaco, atacando o grupo. Depois, assume uma forma ainda mais perturbadora: um sacerdote com um bebê minúsculo na barriga, em um visual que remete a um “sacerdote Kuato” – uma imagem grotesca que reforça a capacidade de Pennywise de explorar medos e símbolos religiosos.

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Sesqui é morta, e Necani chega tarde demais para salvá-la, ainda empunhando a faca feita com o fragmento do cometa. Mesmo devastada, ela não abandona o plano. Em vez de tentar destruir a criatura diretamente, Necani volta à caverna onde o cometa caiu e lidera uma estratégia diferente: pegar fragmentos da “estrela” e enterrá-los em volta da Western Woods.

São criados então 13 pontos em círculo, cada um marcado por uma fogueira, que funcionam como pilares místicos para prender o Galloo dentro de seu território de caça. Um detalhe simbólico reforça a conexão com a mitologia de Stephen King: um dos fragmentos é guardado dentro de uma carapaça de tartaruga, e a série faz questão de lembrar que o maior inimigo de Pennywise é uma tartaruga espacial gigante.

A tribo promete proteger esses pilares em segredo, mantendo-se do lado de fora do círculo. Assim, o Galloo fica aprisionado dentro dessa fronteira mística, e os nativos permanecem a salvo enquanto respeitam os limites que ajudaram a erguer.

Quando os pilares viram as bordas de Derry – e o que isso muda na mitologia

A série não verbaliza de forma didática, mas deixa claro o subtexto: esses 13 pilares místicos formam, na prática, as bordas de Derry. Há um momento em que a câmera sobe e mostra a disposição dos pontos em torno da floresta, sugerindo que o círculo se conecta à cidade que veremos no futuro. A conclusão é direta: Pennywise não sai de Derry porque não pode sair. Ele está preso por esse cinturão de fragmentos do cometa.

Pelo menos, é essa a situação no tempo de IT: Bem-Vindos a Derry. Como o episódio termina com o exército tentando localizar esses fragmentos, existe a possibilidade de que, décadas depois, os pilares já tenham sido removidos ou destruídos, o que encaixaria a cronologia com os filmes IT (que se passam nos anos 1980) e IT: Capítulo Dois (em 2016). De todo modo, nos filmes não há nenhum elemento explícito indicando que Pennywise continua preso à cidade por razões místicas: ele simplesmente permanece ali por escolha – ou por hábito.

No romance original de Stephen King, essa construção dos 13 pilares não existe. A série trabalha, portanto, uma expansão própria de mitologia, ainda que certamente dentro de algo que o autor aprova. No livro, há diversos indícios de que Pennywise poderia sair de Derry se quisesse, mas não o faz porque a cidade oferece um “rebanho” ideal.

Alguns exemplos reforçam isso. Richard Macklin, pai abusivo do valentão Eddie Corcoran, é encontrado morto em Falmouth, Massachusetts, deixando um bilhete que diz: “Eu vi Eddie ontem à noite. Ele estava morto.” A implicação é que Pennywise apareceu na forma de Eddie para levá-lo ao suicídio, fora dos limites de Derry. Há também a leitura de que Stan Uris não se mata apenas para “não atrapalhar o grupo”, como o filme sugere, mas talvez porque também é empurrado ao suicídio pela presença da criatura. Já Henry Bowers, internado em um manicômio em IT: Capítulo Dois, escapa com ajuda direta de Pennywise. Na série, esse asilo parece ser Juniper Hill, deslocado para dentro dos limites de Derry; no livro, o hospital fica mais próximo de Augusta, fora da cidade.

Limitar Pennywise à cidade torna o monstro menos assustador?

A grande questão que surge a partir dessa explicação é: Pennywise se torna mais ou menos aterrorizante ao ser “preso” por 13 pilares sobrenaturais? A série claramente aposta em enriquecer o pano de fundo, detalhar a origem, explicar regras e fraquezas. Mas há um preço.

No romance de King, Pennywise é, antes de tudo, a materialização dos medos mais profundos, algo primordial e quase inexplicável. O fato de escolher Derry como “zona de caça” e retornar a cada 27 anos porque isso funciona para ele é, por si só, assustador: a criatura poderia ir embora a qualquer momento, mas decide ficar. Já em IT: Bem-Vindos a Derry, a situação fica mais “gerenciável”: o monstro é um ser preso a um perímetro mágico, vulnerável a uma arma feita com o material do cometa que o trouxe.

A narrativa passa a flertar com um tipo diferente de horror, mais estrutural e explicativo, menos ligado ao abismo do desconhecido. Vemos claramente limitações e mecânicas: 13 pilares, fragmentos de estrela, uma faca que fere o monstro, um círculo que define fronteiras. Em vez de um terror absoluto e quase metafísico, o que se desenha é um alienígena poderosíssimo, mas com regras e fraquezas específicas.

Ao mesmo tempo, a série deixa espaço para reviravoltas. Nada impede que, ao final da temporada, algum acontecimento desfaça esses limites, ou até que Pennywise “supere” o cerco e amplie sua influência. Por enquanto, porém, o que move a trama é justamente a tentativa de decifrar e instrumentalizar esse conjunto de regras, o que muda sensivelmente a forma como o público enxerga o palhaço.

Calendário de episódios de IT: Bem-Vindos a Derry – primeira temporada

Os novos episódios de IT: Bem-Vindos a Derry estreiam aos domingos, às 23h, na HBO e HBO Max. A primeira temporada é composta por oito capítulos, com o seguinte cronograma:

  • Domingo, 26 de outubro de 2025: IT: Bem-Vindos a Derry, Temporada 1, Episódio 1
  • Domingo, 2 de novembro de 2025: IT: Bem-Vindos a Derry, Temporada 1, Episódio 2
  • Domingo, 9 de novembro de 2025: IT: Bem-Vindos a Derry, Temporada 1, Episódio 3
  • Domingo, 16 de novembro de 2025: IT: Bem-Vindos a Derry, Temporada 1, Episódio 4
  • Domingo, 23 de novembro de 2025: IT: Bem-Vindos a Derry, Temporada 1, Episódio 5
  • Domingo, 30 de novembro de 2025: IT: Bem-Vindos a Derry, Temporada 1, Episódio 6
  • Domingo, 7 de dezembro de 2025: IT: Bem-Vindos a Derry, Temporada 1, Episódio 7
  • Domingo, 14 de dezembro de 2025: IT: Bem-Vindos a Derry, Temporada 1, Episódio 8 – final de temporada

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