Episódio 4 de ‘Pluribus’ é o mais tenso até agora

O episódio apresenta Manousos Oviedo como novo imune isolado no Paraguai, vivendo de migalhas encontradas em boxes arrombados e reconhecendo Carol como igual apenas quando percebe que ela não fala com a suavidade artificial da consciência coletiva.
Entenda a súplica que transforma o Episódio 4 de ‘Pluribus’ em um soco emocional
Entenda a súplica que transforma o Episódio 4 de ‘Pluribus’ em um soco emocional

Resumo da Notícia

  • O episódio apresenta Manousos Oviedo como um sobrevivente isolado no Paraguai, desesperado ao ponto de arrombar boxes para encontrar comida, até acreditar na humanidade de Carol ao reconhecer uma fala agressiva que jamais viria da consciência coletiva.
  • Após 7 dias, 8 horas, 42 minutos e 27 segundos do evento, Carol retorna para uma casa ocupada pela intervenção dos assimilados, reorganiza suas informações em um quadro branco e transforma caos emocional em investigação metódica sobre a consciência coletiva.
  • A conversa com Larry revela o impacto dos livros de Carol na vida de alguns leitores, mas também traz a confissão mais dura: Helen, sua esposa, considerava suas obras “inofensivas” e nunca terminou “Bitter Chrysalis”, abalando profundamente a protagonista.
  • Na visita a Zosia, Carol confronta traumas de adolescência relacionados à terapia de conversão, percebe a recusa da assimilada em responder sobre a reversão da União e compreende que os assimilados não são capazes de mentir para ela em nenhuma circunstância.
  • Ao testar tiopental em si mesma e depois em Zosia, Carol ultrapassa um limite ético ao provocar uma parada cardíaca na única assimilada capaz de dialogar com ela, criando um ponto de ruptura emocional e moral que deverá afetar profundamente os próximos episódios.
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Atenção: este texto contém spoilers do Episódio 4 de Pluribus.

O quarto episódio de Pluribus, intitulado “Por favor, Carol”, aprofunda o drama psicológico que sustenta a série de ficção científica da Apple TV. Embora muitos espectadores concentrem suas atenções nas pistas sobre a estrutura do fenômeno que assimilou a humanidade, o capítulo deixa claro que a força da narrativa está em Carol Sturka (Rhea Seehorn) — uma das últimas pessoas imunes à consciência coletiva que absorveu todos os demais sobreviventes.

Carol prossegue dividida entre duas lutas simultâneas: evitar ser integrada à consciência coletiva e descobrir se existe alguma forma de reverter o processo para aqueles que já foram assimilados. Nada disso é simples. No episódio anterior, ficou claro que nem os Outros — trabalhando incansavelmente — conseguiram avançar na compreensão de como infectar os imunes. Mas, ao pedir sarcasticamente uma granada a Zosia e explodir parte da própria casa, Carol começou a perceber limites importantes do comportamento da consciência coletiva — limitações que ela decide transformar em estratégia.

O título “Por favor, Carol” ganha um novo e perturbador significado nos minutos finais, quando a protagonista ultrapassa uma fronteira ética que promete gerar consequências irreversíveis.

Um novo imune surge: Manousos Oviedo e o desespero isolado no Paraguai

A abertura finalmente revela quem estava do outro lado da ligação fracassada do episódio anterior: Manousos Oviedo (Carlos-Manuel Vesga), gerente de um self-storage no Paraguai. Desde o evento, ele permanece trancado ali, isolado, tentando em vão captar algum sinal de rádio que confirme a existência de outros sobreviventes não assimilados.

Episódio 4 de 'Pluribus' apresenta outro sobrevivente imune
Episódio 4 de ‘Pluribus’ apresenta outro sobrevivente imune

A consciência coletiva tenta atraí-lo da mesma forma que tentou com Carol: deixando bandejas de comida no portão. Oviedo as ignora e passa a arrombar diferentes boxes em busca de algo minimamente comestível. Tudo o que encontra é um sachê de mojito e latas de ração para cachorro.

Quando Carol liga, Oviedo pensa que está falando com alguém da consciência coletiva e desliga imediatamente. Só muda de ideia quando escuta uma resposta humana, irritada, imperfeita — alguém que não está tentando soar generoso, calmo ou agradável. Isso basta para convencê-lo de que ele não está sozinho no mundo.

7 dias, 8 horas, 42 minutos e 27 segundos depois do evento

Após os créditos, o episódio informa com precisão quase mecânica que já se passaram “7 dias, 8 horas, 42 minutos, 27 segundos” desde o início da assimilação. Carol finalmente recebe alta e deixa o hospital dirigindo um carro da polícia estadual. Ela recusa, mais uma vez, as tentativas dos Outros de ajudá-la — incluindo o oferecimento de buscar sua Range Rover no bar e deixá-la em casa.

Mas ao chegar, descobre outra invasão sutil: os Outros já estão reconstruindo a parte da casa que ela destruiu com a granada. Irritada, manda todos saírem. Depois de um banho e uma troca de roupas, ela vai ao escritório e observa o esboço do quinto livro da série Wycaro. Em vez de destruí-lo, guarda tudo e começa do zero: instala um quadro branco e organiza as informações que possui sobre a consciência coletiva:

  1. “Ansiosos para agradar — me dariam até uma bomba atômica?!”
  2. “Não podem matar, nem uma mosca.”
  3. “Não fazem distinção; tratam todo mundo igual.”
  4. “*** Estão tentando me mudar! ***”
  5. “Estranhamente honestos?”

A partir disso, decide que precisa de mais respostas — e alguém da consciência coletiva pode fornecê-las.

O interrogatório com Larry e a verdade brutal sobre Helen

Carol escolhe, literalmente ao acaso, um assimilado que passa de bicicleta: Lawrence J. Kless, o “Larry” (Jeff Hiller). Na mesa da cozinha, o tom é de interrogatório. Carol exige sinceridade sobre seus livros — algo que a consciência coletiva não costuma negar.

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Larry afirma que muitos assimilados têm memórias claras de leitura da série Wycaro, como Moira McAllister, de Kansas City, que estava profundamente deprimida e suicida antes de encontrar os livros. Mas o golpe emocional vem quando Carol pergunta sobre o verdadeiro julgamento de Helen, sua esposa falecida.

A consciência coletiva responde sem hesitar: Helen achava os livros “inofensivos” e nunca terminou de ler “Bitter Chrysalis”, o romance mais ambicioso de Carol.

A franqueza dói, mas confirma algo fundamental. Ela apaga a interrogação da quinta linha do quadro branco e substitui por: Não podem mentir.

Zosia, Freedom Falls e o trauma que nunca cicatrizou

Zosia (Karolina Wydra), ainda se recuperando no hospital, já consegue caminhar. Carol pede desculpas pela explosão causada pela granada — mas também quer respostas sobre a possibilidade de reverter a União.

Zosia revela que, no início, os assimilados não entendiam bem como a União funcionava. Agora sabem mais — mas evitam compartilhar detalhes. Quando se cala diante da pergunta direta de Carol, ela percebe imediatamente:

A sua não-resposta é a minha resposta. Porque eu acho que você não pode mentir para mim.”

A conversa muda de tom quando Carol revela o que mais teme: aos 16 anos, sua mãe a enviou para Freedom Falls, um acampamento de terapia de conversão. A ideia de ser “corrigida” novamente a aterroriza.

Zosia tenta acalmá-la: Nós amamos e aceitamos todos os seres igualmente.” Mas isso perde qualquer efeito quando implica transformar Carol em parte da consciência coletiva. E Zosia devolve o golpe com uma reflexão que dói porque é verdadeira: Nós sabemos como é ser você. Estar sozinha. Sofrer. Nós já fomos você, mas você nunca foi nós.”

O tiopental, a gravação devastadora e a parada cardíaca

Carol decide avançar por conta própria. Invade o depósito de medicamentos do hospital, rouba tiopental sódico e testa em si mesma antes de fazer qualquer coisa com Zosia. Horas depois, acorda sem memória, mas a câmera grava tudo: ela chora por Helen, lê trechos do novo livro e até admite uma atração reprimida por Zosia. Envergonhada, joga o cartão SD no vaso sanitário.

Mas agora sabe: o tiopental derruba barreiras mentais.

Carol retorna ao hospital, coloca Zosia em uma cadeira de rodas e a leva para o jardim. Antes, injeta discretamente o barbitúrico no soro. Aos poucos, Zosia começa a esquecer detalhes que qualquer assimilado deveria saber instantaneamente. Isso sugere que o medicamento pode ter desconectado, temporariamente, sua mente da consciência coletiva.

Carol se algema a ela e, sob pressão, faz perguntas diretas sobre como reverter a União. Pessoas assimiladas começam a cercá-las. Em vez de ataque, apenas lágrimas e uma súplica repetida em uníssono:

Por favor, Carol.” Zosia então entra em parada cardíaca e desaba no chão. Antes de agir, os assimilados perguntam a Carol se podem tentar reanimá-la. O episódio termina sem revelar o desfecho.

Novos episódios de Pluribus estreiam todas as sextas-feiras na Apple TV.

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