Resumo da Notícia
Atenção: o texto contém spoilers importantes do episódio 7 da 3ª temporada de Euphoria, “Rain or Shine”, disponível na HBO Max.
A reta final de Euphoria ganhou um dos momentos mais violentos e desconfortáveis da série com a morte de Nate Jacobs, personagem vivido por Jacob Elordi. No episódio 7 da 3ª temporada, o criador Sam Levinson levou ao limite a sensação de punição, justiça e horror ao encerrar a trajetória de um dos personagens mais tóxicos da produção.
A cena não foi pensada apenas para chocar pelo conteúdo gráfico. Levinson queria provocar no público uma reação mais ambígua: entregar uma espécie de consequência para Nate, mas de forma tão extrema que o espectador pudesse questionar se realmente desejava ver aquilo acontecer.
Em entrevista à Esquire, o criador explicou que tinha consciência do desejo de parte da audiência por “justiça ou karma” contra o personagem. A partir disso, sua intenção foi construir uma morte “horrível e angustiante” o suficiente para abalar até quem esperava algum tipo de acerto de contas.
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Como Nate Jacobs morre em Euphoria?

Nate Jacobs sempre ocupou um lugar central em Euphoria, mas não exatamente por ser um personagem fácil de defender. Desde o início, ele foi retratado como uma presença agressiva, manipuladora e profundamente tóxica para várias pessoas ao seu redor.
Na 3ª temporada, essa trajetória chega ao ponto mais sombrio. Movido por uma necessidade constante de validação externa, Nate acaba recorrendo a empréstimos com pessoas perigosas. Essa escolha o coloca em uma sequência de consequências que termina de forma brutal.
No episódio 7, Nate é enterrado vivo e deixado ao lado de cascavéis mortais. Mais tarde, seu corpo é encontrado já em estado de decomposição, inchado e em uma condição visualmente perturbadora.
A morte não funciona apenas como um choque isolado. Ela carrega o peso de tudo o que o personagem construiu ao longo da série: poder, controle, medo, violência emocional e incapacidade de lidar com as próprias ruínas.
Por que a morte foi tão difícil de assistir?
O desconforto da cena vem justamente da combinação entre punição e excesso. Nate era um personagem que acumulava motivos para provocar rejeição no público, mas a maneira como sua morte acontece transforma a expectativa de justiça em uma experiência quase insuportável.
Sam Levinson explicou que abordou boa parte do episódio como se estivesse trabalhando dentro de um western clássico. Para ele, a saída dos personagens do ambiente escolar abriu espaço para outro tipo de consequência. Agora, eles estão no mundo real, sem proteção e sem rede de segurança.
Essa leitura muda o peso da 3ª temporada. A série deixa de tratar apenas de conflitos adolescentes intensos e passa a empurrar seus personagens para um território mais áspero, onde as escolhas deixam marcas definitivas.
Na visão do criador, esse aspecto de “Velho Oeste” interessa porque coloca os personagens diante de uma fronteira moral: eles podem tentar construir algo para si, mas precisam arcar com o preço do que fazem.
Sam Levinson criou a morte ao lado de Ashley Levinson
Um detalhe curioso revelado por Sam Levinson é que a ideia da morte de Nate não surgiu em um ambiente sombrio ou em um processo carregado de tensão. Ele contou que desenvolveu o conceito ao lado da esposa e parceira de produção, Ashley Levinson, durante um passeio que, em contraste com a cena, era descrito como bastante agradável.
O próprio Levinson comentou que nem toda cena obscura nasce de um lugar obscuro. Em determinado momento, ele virou para Ashley e disse que havia encontrado a forma como Nate morreria. A reação dela, segundo o relato, foi de surpresa ao perceber que era nisso que ele estava pensando naquele instante.
O episódio mostra como Euphoria mantém sua tendência de transformar momentos íntimos, impulsos psicológicos e decisões extremas em viradas capazes de alterar completamente a leitura da série.
Final de Euphoria deve manter tensão religiosa e drama entre personagens
Com a morte de Nate, o último episódio de Euphoria chega cercado de expectativa. A série está a menos de uma semana de exibir seu capítulo final na HBO, previsto para 31 de maio, e a promessa é de que os acontecimentos restantes também terão forte impacto entre os fãs.
Sam Levinson já havia indicado que os episódios 7 e 8 seriam essenciais para acompanhar no momento da estreia. Segundo ele, quem não assistir assim que os capítulos forem disponibilizados corre grande risco de receber spoilers, porque “há grandes coisas” reservadas para essa reta final.
O episódio final também deve continuar explorando os motivos religiosos e as tramas ligadas à fé que marcaram boa parte da 3ª temporada. Além disso, a série ainda precisa lidar com o impacto da morte de Nate e com as demais mudanças profundas que se acumularam ao longo dos oito episódios.
A tendência é que os personagens restantes sejam obrigados a enfrentar as consequências emocionais e práticas desse desfecho. Em Euphoria, nenhuma morte desse tamanho fica isolada. Ela reorganiza relações, expõe culpas e amplia conflitos que já estavam à beira do colapso.
O que a morte de Nate representa para Euphoria?
A morte de Nate Jacobs simboliza uma virada de tom na série. O personagem sempre foi associado à violência, ao controle e à ameaça psicológica. Ao transformar seu fim em uma cena de horror físico e moral, Euphoria reforça a ideia de que a 3ª temporada levou seus personagens para um ponto sem retorno.
A escolha de Sam Levinson também provoca uma pergunta incômoda no público: até que ponto a vontade de ver um personagem punido continua confortável quando a punição finalmente acontece?
É nesse desconforto que a cena encontra sua força. A morte de Nate não é apresentada como alívio simples. É uma sequência feita para causar ansiedade, repulsa e dúvida. O espectador pode até entender por que aquele destino chegou até ele, mas dificilmente sai ileso da forma como tudo foi encenado.
Euphoria está disponível para streaming na HBO Max. O episódio final estreia na HBO no próximo domingo, dia 31 de maio.
