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Episódio 2 de A Casa do Dragão repete o erro mais criticado de Game of Thrones

A mais recente cena da 3ª temporada dividiu parte do público, que questiona se o recurso narrativo era realmente necessário.
Explicamos o final do episódio 2 da terceira temporada de A Casa do Dragão
Alicent Hightower (Olivia Cooke) e Helaena Targaryen (Phia Saban) no teaser da temporada de A Casa do Dragão | Crédito: HBO

Resumo da Notícia

  • O segundo episódio da terceira temporada de A Casa do Dragão trouxe uma cena de tentativa de estupro contra a personagem Alicent Hightower.
  • A sequência gerou forte repercussão entre fãs e críticos, que apontam o uso do recurso como um retrocesso narrativo.
  • O debate reacende críticas históricas feitas à série Game of Thrones sobre o uso recorrente de violência sexual como ferramenta dramática.
  • A matéria reforça a importância de canais de apoio como o Ligue 180 para vítimas de violência contra a mulher.

Atenção: esta matéria contém spoilers do segundo episódio da terceira temporada de A Casa do Dragão e aborda violência sexual.

A terceira temporada de A Casa do Dragão começou em ritmo acelerado, ampliando o conflito entre Verdes e Negros após a Batalha da Goela. No entanto, um dos momentos mais comentados do segundo episódio não envolve dragões, batalhas ou conspirações políticas. Em vez disso, a série voltou a utilizar um recurso narrativo que acompanhou Game of Thrones durante boa parte de sua exibição: a ameaça de violência sexual contra uma personagem feminina.

A sequência protagonizada por Alicent Hightower rapidamente se tornou um dos assuntos mais debatidos entre os fãs da franquia. Embora a agressão não seja consumada, a cena foi suficiente para reacender uma discussão antiga sobre até que ponto esse tipo de violência é realmente necessário para desenvolver a narrativa de Westeros.

O que acontece entre Alicent e Lorde Jasper?

Depois da devastadora Batalha da Goela, o episódio mostra que o plano estabelecido por Alicent e Rhaenyra no final da segunda temporada começa a ser colocado em prática.

De volta a Porto Real, Alicent procura o comandante Largent, da Patrulha da Cidade, para transmitir uma informação decisiva: Rhaenyra deverá ter passagem livre até a Fortaleza Vermelha para assumir o Trono de Ferro em uma tentativa de encerrar a guerra sem um novo banho de sangue.

A movimentação, porém, não permanece em segredo por muito tempo.

A notícia sobre o encontro clandestino chega rapidamente aos ouvidos de Lorde Jasper Wylde, Mestre das Leis do Pequeno Conselho de Aegon II. O conselheiro decide confrontar Alicent em seus aposentos, iniciando uma conversa que, aos poucos, abandona qualquer aparência de um interrogatório político.

Antes mesmo de mencionar a reunião com a Patrulha da Cidade, Jasper procura humilhar Alicent ao fazer referência ao relacionamento que ela manteve com Sor Criston Cole.

Todos encontramos alguma forma de prazer enquanto o mundo caminha para a escuridão. Você, por exemplo. Encontrou muito prazer com Sor Criston. Não foi?

A provocação deixa claro que o personagem pretende usar informações pessoais para intimidar a antiga rainha.

A conversa rapidamente se transforma em uma tentativa de estupro

A tensão aumenta quando Lorde Jasper passa a se aproximar fisicamente de Alicent.

Ela lembra que qualquer tentativa de atacá-la seria punida com a morte. Em resposta, Jasper revela que sabe da reunião secreta realizada com integrantes da Patrulha da Cidade e utiliza essa informação como forma de pressioná-la.

A partir desse momento, a situação deixa de ser apenas uma ameaça política.

Jasper segura Alicent à força enquanto ela exige que seja solta. Em vez de recuar, ele demonstra que pretende violentá-la. Em determinado momento, ordena que ela “implore”.

Desesperada, Alicent tenta reagir utilizando um objeto que estava sobre sua mesa para golpeá-lo. A tentativa, porém, fracassa.

Muito mais forte fisicamente, Lorde Jasper consegue dominá-la com facilidade. Ele a derruba no chão, prende seus braços atrás das costas e tenta imobilizá-la completamente, deixando evidente sua intenção de cometer um estupro.

Alicent então grita por socorro.

Grande Meistre Orwyle impede que a agressão aconteça

Grande Meistre Orwyle
Grande Meistre Orwyle

Os gritos chegam até o Grande Meistre Orwyle, que entra imediatamente no aposento antes que a violência seja consumada.

Ao ser surpreendido, Lorde Jasper tenta inverter completamente a situação.

Em vez de explicar sua conduta, acusa Alicent de traição por ter mantido contato com membros da Patrulha da Cidade e ordena que ela seja presa.

Orwyle, entretanto, deixa claro que, embora não possa afirmar onde Alicent esteve anteriormente ou o conteúdo de sua reunião secreta, sabe exatamente o que presenciou ao entrar no quarto.

No mesmo temaErro de Daemon Targaryen pode mudar rumo da 3ª temporada de A Casa do Dragão

Diante da cena, o Grande Meistre ordena aos guardas que prendam Lorde Jasper, encerrando a tentativa de agressão.

A sequência termina antes que o estupro aconteça, mas não evita que o episódio provoque forte repercussão entre espectadores e críticos.

A cena reacende uma crítica antiga à franquia

A franquia Game of Thrones sempre foi marcada por retratar violência extrema, guerras, assassinatos e intrigas políticas. Entretanto, um dos pontos mais criticados durante os oito anos da série foi justamente o uso recorrente da violência sexual contra personagens femininas como ferramenta dramática.

Ao longo de Game of Thrones, diversas cenas envolvendo estupros, tentativas de abuso e coerção sexual geraram debates entre fãs, especialistas em televisão e organizações que acompanham representações de violência na mídia.

Por isso, muitos espectadores esperavam que A Casa do Dragão seguisse um caminho diferente.

Desde sua estreia, a produção vinha sendo frequentemente elogiada por tratar temas delicados de maneira mais cuidadosa, sem recorrer constantemente ao choque visual como forma de criar tensão.

O segundo episódio da terceira temporada, porém, fez parte desse público enxergar um movimento na direção oposta.

A tentativa de estupro era realmente necessária?

Boa parte das reações nas redes sociais girou em torno da mesma pergunta: seria impossível construir o confronto entre Alicent e Lorde Jasper por outro caminho?

Narrativamente, Jasper já possuía elementos suficientes para pressionar a personagem.

Ele sabia da reunião secreta envolvendo a Patrulha da Cidade, tinha informações capazes de acusá-la de traição e poderia utilizar esse conhecimento para criar um impasse político de grandes proporções.

Ainda assim, o roteiro opta por transformar o encontro em uma tentativa de estupro.

Essa decisão faz com que a violência sexual volte a funcionar como um mecanismo para aumentar rapidamente o impacto emocional da cena, uma estratégia frequentemente associada às temporadas de Game of Thrones.

Para parte do público, esse recurso acaba soando previsível justamente porque a franquia já foi alvo de críticas semelhantes no passado.

Um contraste com a própria evolução de A Casa do Dragão

A repercussão também chama atenção porque A Casa do Dragão vinha construindo uma identidade diferente da série original.

Apesar de manter o tom sombrio característico do universo criado por George R.R. Martin, a produção demonstrou em diversas ocasiões que era possível desenvolver conflitos intensos sem depender de cenas de violência sexual para elevar os riscos enfrentados pelos personagens.

As disputas pelo Trono de Ferro, os confrontos entre cavaleiros de dragões, os assassinatos políticos e as perdas familiares já demonstraram ser suficientes para sustentar alguns dos momentos mais impactantes da série.

Por isso, a inclusão dessa sequência acabou sendo vista por parte da audiência como um retrocesso em relação ao cuidado narrativo demonstrado até aqui.

O impacto pode ir além deste episódio

Ainda é cedo para saber se a tentativa de estupro terá consequências importantes no desenvolvimento da trama ou se servirá apenas como um episódio isolado dentro da temporada.

Independentemente do destino de Lorde Jasper, a sequência já recolocou A Casa do Dragão no centro de um debate que acompanha a franquia desde os primeiros anos de Game of Thrones: até que ponto a violência sexual precisa ser utilizada como instrumento dramático em histórias ambientadas em Westeros?

Caso os próximos episódios não retomem esse tipo de abordagem, a cena poderá ser lembrada apenas como um tropeço isolado em uma temporada que vinha sendo bem recebida.

Por outro lado, se esse recurso voltar a aparecer com frequência, a série corre o risco de reviver uma das críticas mais persistentes enfrentadas por sua antecessora.


Onde buscar ajuda em casos de violência sexual

Se você ou alguém que conhece sofreu violência sexual ou qualquer outra forma de violência contra a mulher, existem canais oficiais de atendimento gratuitos e especializados.

Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher

O serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, oferecendo acolhimento, orientação e encaminhamento para a rede de proteção em todo o Brasil.

Também é possível registrar denúncias e obter informações por meio do portal oficial do Ministério das Mulheres.

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