Resumo da Notícia
O setor de entretenimento foi surpreendido nesta segunda-feira (29) por uma nova declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que reafirmou sua intenção de criar uma tarifa de 100% sobre filmes produzidos fora do território americano.
A medida, se concretizada, promete abalar profundamente a indústria cinematográfica, já que muitas produções de Hollywood recorrem a locações estrangeiras para reduzir custos ou buscar cenários mais adequados.
Trump já havia levantado a proposta em maio de 2025, gerando confusão entre produtores e estúdios sobre como tal tarifa seria aplicada. Agora, ele voltou ao tema em uma publicação no Truth Social, sua rede social. Segundo Trump:
“Nosso negócio de cinema foi roubado dos Estados Unidos da América por outros países, como roubar doce de uma criança. A Califórnia, com seu governador fraco e incompetente, foi particularmente atingida. Portanto, para resolver esse problema antigo e interminável, estarei impondo uma tarifa de 100% em todos os filmes feitos fora dos Estados Unidos. Obrigado pela atenção a este assunto.”
O anúncio deixou em aberto uma série de questões. Ao contrário de produtos físicos, em que a cobrança ocorre na importação, os filmes são propriedades intelectuais licenciadas para salas de cinema e plataformas de streaming. Isso levanta dúvidas: a cobrança seria sobre o orçamento da produção, arcado pelos estúdios, ou sobre os ingressos vendidos, repassando o custo ao público?
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Especialistas do setor destacam que não existe clareza jurídica sobre se o governo teria competência para aplicar esse tipo de tarifa. Como lembrou o portal especializado ScreenRant, “ninguém tem certeza de quais seriam as regras concretas, já que o cinema, como produto de importação, é algo abstrato dentro de uma indústria que funciona em rede global”.
Produções internacionais em risco

A possível tarifa atinge diretamente blockbusters que foram rodados fora dos EUA. Um exemplo é Vingadores: Doomsday, novo filme da Marvel, que encerrou recentemente suas filmagens no Reino Unido.
Situações como essa se repetem em diversas produções, já que filmar fora do país pode reduzir custos por meio de incentivos fiscais ou proporcionar cenários únicos, como aconteceu na trilogia O Senhor dos Anéis, filmada na Nova Zelândia.
Além do aspecto econômico, Trump justifica a medida como questão de segurança nacional, alegando que produções feitas no exterior podem carregar “mensagens e propaganda” que ameaçariam os EUA. Em maio, quando anunciou a proposta pela primeira vez, ele afirmou que Hollywood estaria “morrendo muito rápido” e que filmagens internacionais seriam parte desse problema.
Caminho incerto
Apesar do tom categórico, não está claro se Trump tem poder legal para implementar a tarifa. Até agora, a reação da indústria foi de cautela e incerteza. Muitos projetos têm migrado para fora dos EUA devido aos custos elevados de produção no país, mas caso a tarifa seja concretizada, a tendência pode se inverter.
No entanto, especialistas avaliam que a proposta pode não sair do campo político. Em sua primeira apresentação, em maio, a ideia perdeu força diante da complexidade prática. Agora, mesmo com a insistência de Trump, ainda é difícil prever se haverá condições reais para sua aplicação.
De qualquer forma, a ameaça já gera preocupação em Hollywood e reforça a polarização no debate sobre o futuro da indústria cinematográfica americana.
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