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‘Nuremberg’ levou imagens reais dos julgamentos ao set e reação do elenco impressiona

O longa é estrelado por Rami Malek, de “Bohemian Rhapsody”, que interpreta um psiquiatra americano encarregado de avaliar 22 oficiais nazistas, e por Russell Crowe, de “Gladiador”, que vive um dos pacientes de quem o protagonista tenta se aproximar para compreender sua natureza.
Bastidor de ‘Nuremberg’ choca ao revelar impacto de vídeos reais dos julgamentos nazistas
Bastidor de ‘Nuremberg’ choca ao revelar impacto de vídeos reais dos julgamentos nazistas

Resumo da Notícia

  • O filme "Nuremberg", estrelado por Rami Malek e Russell Crowe, estreou nos cinemas brasileiros.
  • A produção utilizou vídeos reais dos julgamentos de Nuremberg durante as filmagens para buscar reações genuínas do elenco.
  • Michael Shannon relatou desconforto profundo com a exibição do material, o que influenciou sua atuação e tempo de tela.
  • O diretor James Vanderbilt explicou que a intenção era tratar o material histórico com respeito e imersão.
  • A decisão de usar vídeos reais visou aumentar o grau de imersão e a tensão emocional da narrativa.
  • O filme acompanha um psiquiatra americano avaliando oficiais nazistas após a Segunda Guerra Mundial.

Chegou aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (26) “Nuremberg”, drama que mergulha em um dos capítulos mais sombrios do século 20 e que, já em sua estreia, chama atenção não apenas pela história que conta, mas também pela forma como tentou levá-la às telas.

Estrelado por Rami Malek, de “Bohemian Rhapsody”, e Russell Crowe, de “Gladiador”, o longa recorreu a vídeos reais dos julgamentos de Nuremberg durante as filmagens — uma escolha que provocou desconforto profundo entre integrantes do elenco.

A decisão partiu da produção como forma de buscar reações mais genuínas e aumentar o grau de imersão dos atores em uma narrativa marcada pelas atrocidades cometidas pelo regime nazista. O resultado, no entanto, foi um ambiente emocionalmente pesado no set. Diante do conteúdo exibido, parte do elenco foi diretamente impactada pelo material, e esse abalo acabou se refletindo em cena.

Michael Shannon revelou como reagiu ao material exibido no set

Um dos relatos mais fortes veio de Michael Shannon, de “A Forma da Água”, que no filme interpreta o promotor norte-americano Robert Jackson, personagem responsável por apresentar os registros históricos no tribunal. Em entrevista recente ao jornal The Guardian, o ator detalhou a intensidade daquele momento e explicou por que sua participação em cena acabou sendo reduzida.

Enquanto eu era filmado assistindo à gravação, me senti muito desconfortável com a ideia de, entre aspas, ‘atuar’. Eu não queria a câmera em mim. Algo naquilo parecia meio profano, mas entendo por que está no filme. Vocês vão notar que eu trago a gravação e depois eles não voltam a me mostrar. Acho que isso reflete o quão desconfortável eu estava, disse.

A fala ajuda a dimensionar o impacto provocado pelo uso desse material real dentro da produção. Não se tratava apenas de reproduzir um contexto histórico em cena, mas de colocar atores e figurantes diante de registros diretamente ligados a um dos maiores horrores da história moderna. Em um filme que já parte de uma temática sensível, esse tipo de escolha naturalmente eleva a tensão emocional do processo.

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Diretor explicou por que decidiu usar os registros reais dos julgamentos

Ao comentar a reação de Michael Shannon, o diretor James Vanderbilt, de “Conspiração e Poder”, justificou a escolha e afirmou que a intenção era tratar aquele momento com respeito, sem esvaziar o peso histórico do que estava sendo mostrado. Ele também explicou que houve preparação específica para a gravação daquela sequência.

Michael foi brilhante. Nem sempre devemos estar confortáveis enquanto trabalhamos, certo? Pedi ao elenco que não assistisse aos vídeos dos campos antes de iniciarmos a produção, pois queria que estivessem com a energia renovada no dia. Trouxemos um projetor de verdade. Tínhamos 300 figurantes no tribunal. Entrei e disse: ‘Este será um dia difícil, mas acho que é muito importante para a história que estamos contando’. Fizemos um minuto de silêncio e começamos. Não quero dizer que não foi preciso atuar, mas vocês verão muitas emoções reais naqueles rostos, compartilhou o cineasta.

O depoimento do diretor deixa claro que a exibição das imagens não foi tratada como mero recurso de impacto. Houve uma preocupação explícita com a memória das vítimas e com a dimensão emocional daquele dia de filmagem. Ao mesmo tempo, Vanderbilt reconhece que o efeito das imagens reais atravessou a atuação e produziu reações verdadeiras entre os presentes.

Filme acompanha psiquiatra americano diante de 22 oficiais nazistas

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Na trama, ambientada em 1945, na cidade alemã que dá nome ao longa, Rami Malek interpreta um psiquiatra americano encarregado de avaliar 22 oficiais nazistas que aguardam julgamento por crimes de guerra. Ao longo desse processo, ele se aproxima de um de seus pacientes, interpretado por Russell Crowe, tentando compreender sua natureza. Esse movimento, porém, o arrasta para uma jornada sem volta.

A premissa indica um drama interessado menos no espetáculo do tribunal e mais na investigação psicológica e moral do que representavam aqueles homens no pós-guerra. Isso ajuda a explicar por que a produção apostou numa imersão tão agressiva em seus bastidores: o filme exige não apenas reconstrução histórica, mas um enfrentamento direto de sua brutalidade.

Com roteiro assinado pelo próprio James Vanderbilt ao lado de Jack El-Hai, “Nuremberg” é uma produção da Walden Media, realizada em parceria com Filmsquad, Mythology Entertainment e Széchenyi Funds. Além de Rami Malek, Russell Crowe e Michael Shannon, o elenco também reúne Leo Woodal, Richard E. Grant, John Slattery e Colin Hanks.

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