Novas imagens de bastidores de A Odisseia foram divulgadas nesta terça-feira (12) pela Time e reforçam o tamanho da ambição de Christopher Nolan para adaptar um dos maiores clássicos da literatura mundial. O cineasta aposta em locações reais, efeitos práticos, tecnologia IMAX e uma reconstrução física da mitologia grega para transformar o longa em uma das produções mais grandiosas de sua carreira.
O projeto marca a primeira vez que Nolan mergulha diretamente em uma adaptação ligada às obras de Homero, depois de quase ter comandado Troia em 2004. Na época, o projeto acabou seguindo com Wolfgang Petersen, enquanto Nolan iniciou uma sequência de filmes que redefiniriam sua carreira, incluindo a trilogia Batman Begins, Interestelar e Oppenheimer.
Em entrevista à revista, o diretor explicou que o sucesso de Oppenheimer abriu espaço para que ele finalmente realizasse o projeto.
“Isso me deu opções. E o que nunca tinha sido feito de verdade era uma adaptação cinematográfica de “A Odisseia”, com todo o potencial de uma produção de grande escala de um estúdio de Hollywood. É uma lacuna curiosa na história do cinema”.
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A fala ajuda a explicar o tamanho da operação montada para o filme. Nolan decidiu fugir ao máximo de soluções digitais e investiu em cenários reais e estruturas físicas capazes de funcionar de verdade diante das câmeras.
Navio de Odisseu precisou navegar de verdade

O cuidado com o realismo chegou ao principal símbolo da jornada de Odisseu. O navio usado pelo personagem de Matt Damon precisou ser construído para navegar de verdade, enfrentando as águas do Mediterrâneo durante o início da primavera.
As filmagens aconteceram em países como Marrocos, Grécia e Itália, ampliando a dimensão internacional da produção.
A preocupação técnica também apareceu na fotografia do longa. Para recriar o ataque noturno de Troia, a equipe montou centenas de LEDs portáteis capazes de reproduzir exatamente a temperatura de cor do fogo, permitindo que Nolan filmasse em qualquer direção sem perder a naturalidade visual das cenas.
Outro detalhe curioso envolve Bill Irwin, que trabalhou em Interestelar manipulando e dublando o robô TARS. Agora, ele foi escalado para ajudar na interpretação do mítico ciclope presente na narrativa.
Nolan proibiu orquestra na trilha sonora

O realismo buscado pelo diretor também influenciou diretamente a música do filme. O compositor Ludwig Göransson, vencedor do Oscar e parceiro de Nolan em TENET e Oppenheimer, recebeu uma orientação incomum: não utilizar orquestra.
“Não é como se existisse orquestra naquele tempo. Foi um desafio e também uma abertura para tentar fazer algo único”, revelou Göransson.
Para construir a identidade sonora do longa, o compositor alugou 35 gongos de bronze de diferentes tamanhos, utilizou sintetizadores e buscou sonoridades inéditas para o universo mitológico criado por Nolan.
Até a lira ganhou papel narrativo dentro da trilha.
“Chris teve a ideia de que o som da lira fosse o estalar do arco de Odisseu”, explicou o compositor.
A busca por autenticidade também influenciou escolhas inesperadas de elenco. Segundo Nolan, o rapper Travis Scott foi escalado para interpretar um bardo justamente pela conexão entre a tradição oral da mitologia grega e a cultura do rap contemporâneo.
“Eu o escolhi porque queria fazer uma referência à ideia de que essa história foi transmitida como poesia oral, o que é análogo do rap”.
Elenco reúne estrelas de Hollywood
A trama acompanha Odisseu tentando retornar para Ítaca dez anos após a Guerra de Troia. Além de Matt Damon no papel principal, o elenco reúne nomes como Anne Hathaway, Zendaya, Robert Pattinson, Lupita Nyong’o, Mia Goth, Charlize Theron, Jon Bernthal, Samantha Morton, John Leguizamo, Elliot Page, Himesh Patel, Corey Hawkins, Jesse Garcia, Will Yun Lee, Jimmy Gonzales e Maurice Compte.
Com roteiro assinado pelo próprio Nolan, A Odisseia estreia em 16 de julho, exclusivamente nos cinemas.
