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Morre o jornalista Renato Machado, ícone do telejornalismo brasileiro, aos 83 anos

Machado foi um dos rostos mais marcantes da TV Globo, onde atuou por mais de 40 anos como apresentador, editor-chefe e correspondente internacional.
Renato Machado
Renato Machado - Crédito: Reprodução/Memória Globo

Resumo da Notícia

  • O jornalista Renato Machado faleceu aos 83 anos, no Rio de Janeiro.
  • Com mais de 40 anos de carreira na TV Globo, ele foi um dos principais nomes do telejornalismo brasileiro.
  • Machado foi apresentador e editor-chefe do Bom Dia Brasil entre 1996 e 2010, reformulando o formato do noticiário matinal.
  • O jornalista também teve uma carreira marcante como correspondente internacional em Londres, cobrindo eventos históricos como a Guerra das Malvinas e o desastre de Chernobyl.
  • Após seu retorno ao Brasil, integrou a equipe do Globo Repórter, onde produziu documentários premiados.
  • A causa da morte não foi revelada pela família ou pela equipe médica.

O telejornalismo brasileiro perdeu um de seus maiores nomes e referências de elegância, precisão e credibilidade. O jornalista Renato Machado morreu na manhã desta quinta-feira, 16 de julho, aos 83 anos de idade. Ele estava internado na Clínica São Vicente, unidade de saúde localizada no bairro da Gávea, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

A confirmação do falecimento foi feita oficialmente pela TV Globo, emissora onde o profissional construiu grande parte de sua consagrada carreira. A causa da morte, no entanto, não foi revelada pelos familiares ou pela equipe médica.

Com uma voz marcante e estilo característico que aliava sobriedade a uma fina ironia cotidiana, Renato Machado moldou a maneira de fazer notícia nas manhãs da televisão brasileira. Sua partida repercutiu imediatamente entre colegas de profissão, autoridades e telespectadores que acompanharam suas análises econômicas, coberturas internacionais e reportagens especiais ao longo de mais de quatro décadas de dedicação exclusiva às telas.

A morte de Renato Machado representa o fim de uma era para a comunicação brasileira. Ele foi o grande responsável por transformar o ritmo do noticiário matinal no país. Ao assumir o comando do Bom Dia Brasil em 1996, cargo que ocupou até 2010 como apresentador e editor-chefe, o jornalista quebrou a rigidez dos antigos padrões de leitura de notícias.

Ao lado de nomes como Leilane Neubarth e, posteriormente, Renata Vasconcellos, ele coordenou uma histórica reformulação editorial no programa. O matinal passou a contar com mais dinamismo, comentários informais sobre o cotidiano, análises de bastidores da política e da economia, além de um espaço considerável para a cultura, música e gastronomia. Esse formato inovador humanizou a notícia e serve, até hoje, de cartilha para os principais programas informativos da televisão aberta nacional.

Quatro décadas de coberturas históricas e os anos de correspondência

A trajetória profissional de Renato Machado na imprensa teve início em 1969, ainda na redação do tradicional Jornal do Brasil. Sua estreia nos microfones e telas da TV Globo ocorreu em 1982, ano em que já foi escalado para uma das coberturas mais complexas da história geopolítica da América do Sul: a Guerra das Malvinas. Demonstrando domínio técnico e segurança jornalística, ele foi transferido para a Europa no ano seguinte, tornando-se correspondente internacional em Londres.

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Durante os anos em solo europeu, Machado esteve na linha de frente de acontecimentos que mudaram o rumo do planeta no século XX. Ele realizou a cobertura de atentados terroristas em Paris e foi um dos repórteres a registrar os desdobramentos dramáticos do desastre nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986.

Após retornar ao Brasil em 1988 para atuar como repórter especial de programas como o Jornal Nacional, RJTV e Jornal da Globo, ele voltou a fixar residência em Londres em 2011. Nessa segunda passagem como correspondente, cobriu a crise financeira da Grécia e os desdobramentos dos ataques terroristas ao jornal satírico francês Charlie Hebdo.

Em depoimento emocionante concedido ao acervo do Memória Globo, o jornalista sintetizou o que representava o exercício de sua profissão diária:

Para ser telejornalista é necessário um acúmulo de conhecimento. É saber curiosidades sobre grua, tráfego de câmera, enquadramento, cores, texto, edição. É uma troca. Um universo de aprendizado que, a cada dia, você vê que você erra“, declarou Renato Machado na ocasião.

O legado no Globo Repórter e a despedida das telas

Após finalizar seu período de correspondência na Europa, Renato retornou de vez ao Brasil, passando a integrar o time de repórteres especiais do Globo Repórter. No programa semanal de documentários e grandes reportagens, ele produziu materiais de grande sensibilidade visual e narrativa, incluindo edições especiais que renderam ao programa indicações ao prestigiado prêmio internacional Emmy.

Renato Machado encerrou seu ciclo de contratação com a TV Globo em novembro de 2021, em um movimento de reestruturação de pessoal da emissora. Desde então, mantinha uma rotina mais reservada, mas sempre lembrado pelo público como um dos maiores e mais sofisticados contadores de histórias da televisão. Detalhes referentes ao velório e sepultamento do corpo do jornalista deverão ser comunicados pela família nas próximas horas.

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